O vice-prefeito é o segundo na hierarquia do Executivo municipal. Além da função de assumir a cadeira do prefeito quando este se ausentar – seja por licença, viagem ou até cassação de mandato –, o vice também tem o compromisso de auxiliar na administração, mesmo enquanto o prefeito está em exercício. É seu papel discutir e definir em conjunto as melhorias para o município. Hoje, uma série de entrevistas que traça ao perfil dos vices eleitos na região começa a ser publicada pelo OCP. Em Corupá, o empresário Arno Celso Neuber (PP), 68 anos, irá atuar ao lado de João Carlos Gottardi (PP). Natural da cidade, Neuber conta que veio de família pobre e que precisou parar os estudos por volta dos 14 anos, no ensino fundamental, por conta de uma doença, a osteomielite, que exigiu que ficasse parado por cerca de dois anos. Por convite, foi morar com o irmão que possuía uma oficina de rádio e de televisões. Neuber chegou a voltar a estudar, mas por conta da rotina puxada não conseguiu se manter nas aulas, no período noturno. “Mas pensei que precisava tomar outra atitude na vida, comecei a fazer cursos por correspondência, do Instituto Universal Brasileiro, então fiz três cursos e isso me ajudou muito”, conta o comerciante. Depois de doze anos morando com o irmão, tendo começado a consertar aparelhos de rádio por conta própria e atuando nas vendas também, o negócio começou a andar. “Depois uma época comecei a ganhar dinheiro, em 1977, e deu no que deu, hoje sou dono de tudo isso aí”, relata Neuber, referindo-se ao terreno em que mantém sua loja de móveis e eletrodomésticos e a casa, local onde recebeu a equipe de reportagem. Na comunidade, Neuber diz que também é atuante, tendo fundado o Rotary Club de Corupá, entidade da qual ainda é sócio e por onde passou por todos os cargos, assim como fundou a Associação Comercial do município, também passando por todas as posições. “E também carreguei um time de futebol nas costas, o XV de Novembro, onde fui até gandula”, completa.   Pela sua atuação na comunidade, o senhor pensava em ir para a política? Eu nunca fui fanático pela política porque eu sempre achava que política no comércio ia me atrapalhar. Só que hoje eu vejo que é diferente, porque as pessoas do próprio partido contrário me respeitam. Ninguém do outro lado ficou de mal comigo, porque não atacamos ninguém. Eu nunca tinha pensado em ser político, sempre ficava em cima do muro. Mas há dois anos, mais ou menos, o atual prefeito eleito, João (Gottardi), veio conversar comigo e me chamou para ajudar a reestruturar o PP. Um dia, ele disse que o Amin (deputado federal Esperidião Amin) estava vindo para cá, num almoço. Com o Amin, eu me filiei. Depois começaram as reuniões e eu fui pressionado. Candidato a prefeito nós tínhamos, mas não tínhamos vice. Começou um círculo em volta de mim, as pessoas tentando me convencer, e meu pessoal, minha esposa, sempre contra. Mas fizemos uma pesquisa da minha saúde, estava tudo 100%, e acabamos aceitando. Na Prefeitura, o senhor pretende assumir alguma secretaria ou outra função? Não, eu não vou pegar cargo nenhum. A minha promessa de campanha é a seguinte: eu quero fiscalizar, principalmente. Quero fiscalizar tudo, até o próprio prefeito, e ele não vai tomar uma atitude sozinho. Ninguém pode apontar um dedo, dizer que desviei um centavo de alguma entidade que participei até hoje. A princípio vou participar sim, diariamente, só que eu não vou pegar nenhum cargo. Quero estar à vontade, quero ver uma obra, vou ser mediador de muita coisa e participar das decisões. O nosso prefeito não tem a decisão só dele, nós vamos ter uma comissão, de quatro a cinco pessoas, que tem que se reunir a qualquer hora do dia. Os prefeitos alegam que sofrem com dificuldade financeira, pela queda na arrecadação. O senhor como vice pretende também tomar algum tipo de ação em busca de recursos? Nós já estamos mantendo os contatos agora. Eu já estive junto em Florianópolis porque temos o problema da escola (São José), provavelmente o governo vai fechar. O secretário não nos atendeu com bons olhos porque eles precisam cortar gastos. Eu vejo que vai ser muito difícil voltarem atrás. Quanto às verbas, vai ser difícil, mas tem que correr atrás porque nesse ponto o atual (prefeito, Luiz Carlos Tamanini, PMDB) era muito forte, ele ia atrás e conseguia. Inclusive ele falou para nós que ainda tem várias verbas em trâmite, que já vieram e que ainda virão. Ele fez muito asfalto, quanto a essa parte não vamos contestar, e isso nós vamos fazer o máximo possível, porque quem não vai atrás não recebe, eles não vão mandar. E nós temos nossas fontes também, como o deputado estadual Vicente Caropreso (PSDB), o próprio Carlos Chiodini (PMDB) e o Silvio Dreveck (PP). Tem algum projeto que o senhor gostaria de desenvolver na Prefeitura, agora que tem oportunidade de assumir? Uma das coisas que também vou correr atrás é que ano passado houve interesse do Senai em se instalar aqui. Se for para trazer eles para Corupá, inclusive, a gente se coloca à disposição para montar o prédio, mas é uma coisa que a gente vai ter que conversar. Tem que ver também porque a Prefeitura vai ter que pagar aluguel, e tem que ver se terá condições. São coisas para ver a longo do tempo.