Para os deputados federais de Santa Catarina ouvidos pelos OCP, as prisões desta quinta-feira (21), entre elas a do ex-presidente Michel Temer (MDB), são importantes para a moralização da política, mas também são vistas como lamentáveis. Temer foi detido preventivamente, por suspeita de liderar organização criminosa para desvio de dinheiro público.

Os deputados da região Carlos Chiodini (MDB) e Fábio Schiochet (PSL) compartilham a opinião de que é lamentável e até mesmo uma vergonha para o país ter mais um ex-presidente brasileiro preso. No ano passado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi detido, condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

“Se me perguntam se eu fico feliz [com a notícia da prisão], bem pelo contrário, eu acho uma vergonha para um país, para o Brasil, ter dois ex-presidentes presos”, declara Schiochet. O deputado defende a prisão, “quem fez, tem que pagar”, se existirem provas concretas.

Ele também avalia que a Polícia Federal “vem fazendo um excelente trabalho junto à [Operação] Lava Jato”, juntamente com o Ministério Público, e considera que ambos estariam fazendo “uma limpa” no país.

“Com certeza eles devem ter prova e embasamento técnico junto com o [juiz federal Marcelo] Bretas para fazer essa prisão, mas é uma situação que a gente não pode comemorar, a gente tem que ter vergonha”, declara.

Para Carlos Chiodini, é lamentável, para o país, ter dois ex-presidentes detidos. No entanto, defende que se trata de um processo judicial que tem que ser respeitado. “Infelizmente é ruim para a nação ter ex-presidentes presos, mas acabou acontecendo, é o decorrer do processo e se forem culpados tem que cumprir e pagar a pena”, afirma.

Embora lamente o fato, Schiochet acredita que as prisões e todo o trabalho da Lava Jato podem servir como forma de passar a limpo a política do país, contribuindo também para sua renovação e mudança na postura dos parlamentares, o que, para o deputado, já estaria podendo ser vista na Câmara Federal.

Na visão do pesselista, também após uma renovação de 47% de parlamentares eleitos na Câmara Federal, no último pleito, as concepções dos deputados que já tinham mandato estariam mudando para colocar as prioridades do país acima de questões políticas.

“Você percebe isso a partir do momento que você tem um presidente da Câmara Federal que não é do partido do presidente sendo um dos deputados que mais está se empenhando em aprovar a reforma da Previdência”, diz Schiochet. Além disso, as prisões ainda serviriam de exemplo. “Ninguém está acima da lei”, conclui.

Justiça sendo feita

A sensação de que a justiça estaria sendo feita de forma isenta, como aponta Fábio Schiochet, também é o que manifestam os deputados federais catarinenses Gilson Marques (Novo) e Rodrigo Coelho (PSB) a respeito da prisão do ex-presidente Temer.

“Eu vejo como muito positiva, porque independente do mérito - não estudei o caso especifico -, é uma sensação muito boa de que, independentemente de quem seja ou de que cargo ocupou, a Justiça alcança todo mundo”, diz Gilson Marques.

Para o deputado, a sensação de que a política está se moralizando é “sensacional”, já que este seria, para Marques, o grande problema da política hoje. Com as investigações e as prisões -  que são consequência desse trabalho -, o deputado acredita que a política começa a ter mais crédito, o que traz bons resultados.

“Mais pessoas querem fazer parte [da política], daí a confiança [no país] traz investimento, traz empresa, traz emprego, aumenta salário, então na verdade a consequência é muito boa”, avalia o parlamentar.

Para o deputado Rodrigo Coelho, a prisão de Michel Temer mostraria a importância da Operação Lava Jato no combate à corrupção e à impunidade. “Mais ainda, comprova que não há seletividade nas investigações, como tanto se fala”, afirma o parlamentar, em suas redes sociais.

“Já foram alvos pessoas de todos os lados da política. Cada uma no tempo certo da investigação, com elementos certeiros”, avalia o deputado, dizendo ainda que é por isso que sempre irá defender a operação.

Para Coelho, a lava jato foi um divisor de águas na história do combate à corrupção no Brasil, e defende que seja fortalecida com a aprovação no Congresso do pacote anticrime e o fim do foro privilegiado.

Consequências

Os deputados ouvidos pelo OCP concordam sobre a importância das prisões desta quinta-feira, mas acreditam que não deverão afetar os trabalho e as discussões parlamentares na Câmara Federal ou mesmo do Congresso.

“Não deveria um fator externo, de alguém que já não faz mais parte do governo, não tem mais nenhum cargo, influenciar na atividade ou no trabalho do Congresso, no Executivo. Espero que isso não aconteça”, afirma o deputado Gilson Marques.

Carlos Chiodini observa, no entanto, que todos os acontecimentos que vem à tona na política, diariamente, podem acabar modificando as discussões na Casa, embora também espere que as prisões não afetem a rotina da Câmara.

O deputado Fábio Schiochet conta que estava em Brasília no dia da prisão de Temer e que o assunto foi comentado, mas não teria sentido que o fato pudesse ganhar grandes proporções ao ponto de interferir nos trabalhos do Parlamento.

Deputados também comentam nas redes sociais

Dos dezesseis parlamentares catarinenses, quatro comentaram a prisão de Michel Temer (MDB) em suas redes sociais.

Além de Rodrigo Coelho (PSB), Caroline de Toni (PSL), Hélio Costa (PRB) e Pedro Uczai se manifestaram sobre o caso, até o fim da tarde desta sexta-feira (22).

A deputada Caroline destacou em seu perfil no Instagram que em cinco anos, a Operação Lava Jato tem mais de 2,2 mil condenações para 159 réus. Ela também manifestou apoio à operação e ao Projeto de Lei Anticrime.

"Está na hora de o Brasil ser passado a limpo. Está na hora de acabarmos com a impunidade às autoridades brasileiras corruptas", disse.

Foto Reprodução/Instagram

Também no Instagram, Hélio Costa destacou que a prisão de Temer ocorreu apenas três meses depois de o ex-presidente perder o foro privilegiado.

"Isto é a prova real e nos mostra para que serve o foro. Serve para deixar em liberdade os piores bandidos do Brasil", criticou o parlamentar.

Foto Reprodução/Instagram

Em sua página no Facebook, o deputado Pedro Uczai fez um relato de delações que pesam contra o ex-presidente, em que apontariam Temer como beneficiário de pagamentos indevidos, com sua anuência.

Foto Reprodução/Facebook

 

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