A prefeita de Chicago (EUA), Lori Lightfoot, comunicou nesta semana que só concederia entrevistas a jornalistas negros e "marrons" - descrição usada pela política democrata - para o aniversário de dois anos de sua gestão, celebrados nesta quinta-feira (20). Em carta enviada aos veículos de imprensa da cidade, Lori disse que a sua decisão era para promover maior “diversidade” no jornalismo.

“Ao observar a ausência de diversidade na comunicação da prefeitura e em outras redações, infelizmente, não parece que muitas das instituições de mídia em Chicago perceberam e realmente não abraçaram este momento”, disse a prefeita ao explicar que o país enfrenta um “ajuste de contas”.

“É uma pena que, em 2021, a equipe de imprensa da prefeitura seja predominantemente branca em uma cidade onde mais da metade da cidade se identifica como negra, latina, AAPI [asiática] ou nativa americana”, insistiu.

Em uma série de tweets, Lighfoot disse que está "intencionalmente priorizando pedidos de repórteres de cor na ocasião do aniversário de dois anos da minha posse como prefeita desta grande cidade".

Lightfoot clamou para que redações "contratem repórteres de cor - e especialmente mulheres de cor - para cobrir a política de Chicago e a Prefeitura em particular", adicionando que "caso você tenha um repórter branco cobrindo a Prefeitura, certifique-se de que há uma pessoa de cor trabalhando com ele".

A medida foi criticada por vários jornais locais; Gregory Pratt, correspondente do Chicago Tribune e latino, recusou o convite de entrevista da prefeitura em protesto. O jornalista negro Charles Thomas, veterano da cobertura política em Chicago, criticou a decisão da prefeita como sendo uma "distração", ressaltando que ao invés de focar em tópicos como segurança, educação ou as finanças da cidade, a discussão passou a ser sobre quem faz entrevistas.