Formado em administração de empresas e especializado em auditoria e controladoria, Leandro Schmöckel Gonçalves, 36 anos, é pré-candidato a deputado federal pelo Partido Novo. Passou por um processo seletivo, que será encerrado nos próximos dias, e diz que aposta nas redes sociais e no olho a olho para apresentar as suas propostas aos eleitores. Ressalta os compromissos firmados entre os concorrentes da sigla, como diminuir pela metade o uso da verba de gabinete, não usar celular e nem carro oficial e defender bandeiras da livre economia, um Estado enxuto focado em atender demandas essenciais nas áreas de saúde, educação e segurança e com respeito às liberdades individuais.
O ex-presidente da Apevi conta que o objetivo do Novo é eleger 30 deputados federais em outubro, missão que fica mais interessante porque a sigla não faz uso do fundo eleitoral e não aceita coligações. Essas dificuldades, acredita o jaraguaense, serão superadas justamente pelas ideias de mudança que a sociedade anseia e o partido representa. No dia 23 de maio, o pré-candidato à Presidência, o executivo João Amoêdo fará uma palestra, provavelmente na Scar, trazendo para cidade os conceitos básicos da Onda Laranja. O Novo é o partido brasileiro com maior número de seguidores nas redes sociais.
Confira a entrevista:
OCP: Por que a decisão de entrar na política?
Leandro Schmöckel Gonçalves: Já há algum tempo vinha sendo solicitado por partidos tradicionais para participar, mas como estava em cargos no associativismo não quis me indispor e nem utilizar como trampolim.  Mas depois de ter saído da presidência da Apevi, me dei um ano sabático para pensar sobre o próximo passo que gostaria dar na questão social. Tenho pensamento de que se a gente tem uma vida boa precisa fazer mais comunidade, não dá para ficar em um mundo isolado. Daí juntou essa convicção com o cenário político. Em 2014, tivemos 10 mil pessoas indo para a rua em Jaraguá do Sul para pedir a saída da presidente Dilma Rousseff (PT), isso é quase 10% da população, o que deixou claro o sentimento de indignação. Vi também nas últimas eleições que dos 180 mil votos no Vale do Itapocu mais de 30 mil foram entre branco e nulo. Isso mostra que existe espaço para renovação. Estou pronto para ser deputado e fiscalizar esse povo.
OCP: Por que escolheu o Novo? 
Leandro: Depois que decidi participar da política fui entender o que cada partido representava, não queria colocar a minha história em jogo. Queria uma legenda que tivesse relação com quem eu sou, com o que eu acredito e me identifico como cidadão. Fui conversar com o pessoal do Novo e depois de pensar decidi me filiar. No começo, a ideia nem era concorrer agora, mas acabei me inscrevendo no processo seletivo que o Novo tem para escolha e preparação dos candidatos. Venho desde outubro participando desse processo que se encerra agora.
OCP: Como o Novo espera driblar as dificuldades que encontrará na campanha, como tempo de tv e verba? 
Leandro: O Novo prega e faz. Na política tradicional sempre foi preciso muito dinheiro para chegar lá. O Novo elegeu quatro vereadores na última eleição, em Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, todos eles chegaram lá com pouca verba, muito olho no olho, sola de sapato, redes sociais. O currículo dessas pessoas também ajuda muito.  O Felipe Camosato, de Porto Alegre, foi o quinto mais votado, fez 10 mil votos gastando R$ 80 mil, valor muito baixo por voto dentro do que a gente está acostumado. O João Amoêdo, pré-candidato do partido à Presidência, diz que o Novo não precisa gastar dinheiro para vender suas ideias, porque elas são muito boas, faz muito sentido para a população, entretanto, os partidos tradicionais vão precisar de muito mais dinheiro para tentar convencer que dessa vez eles vão ser diferentes. Mas eles não foram diferentes até agora, não diminuíram verba gabinete, continuam com um monte assessores, celular, carro oficial e fazendo grandes coligações.  O Novo não tem coligação porque acredita que nenhum partido tem o mesmo perfil.
OCP:  Quais as propostas da sigla que você destacaria? 
Leandro: O fato de dar o exemplo é bem significativo. Quando você prega, por exemplo, a diminuição do Estado para focar em saúde e educação.  É muito fácil falar e não praticar. Os vereadores eleitos pelo Novo assumiram compromisso e estão fazendo na prática isso. É um choque de realidade. No Rio de Janeiro, Leandro Lira teria direito a 20 assessores, mas só tem seis. Agora na eleição, os candidatos do Novo terão que assinar um termo de compromisso de diminuir pela metade verba de gabinete, abrir mão de celular e carro oficial. O foro privilegiado também, embora seja lei, os políticos do Novo assinam um documento abrindo mão. Em 2017, os quatro vereadores da sigla economizaram R$ 4 milhões, dinheiro que pode ser usado nas prioridades população. É um jeito novo de fazer política, não só de falar.
OCP:  Por que decidiu concorrer já a deputado federal e não a estadual?
Leandro: O Novo quer as pessoas mais qualificadas na Câmara Federal nesse momento. O entendimento é que hoje a gente não consegue alterar nada no Estado e nos municípios porque a legislação federal engessa. É preciso fazer primeiro a mudança na Constituição, para dar direitos aos Estados e municípios poderem fazer suas mudanças. Só um exemplo, o Brasil é muito diverso e precisa respeitar certas peculiaridades de cada região, como os costumes de cada comunidade, se é mais conservadora, ou não. Para certas cosias não dá para fazer regras nacionais, o Sul e o Nordeste são muito diferentes. Nessa questão dos costumes , isso deve ser levado em consideração.
OCP:  Quantos votos você calcula precisar? 
Leandro: Quando penso nisso, cada vez fico mais otimista. Hoje cada cadeira depende de 210, 220 mil votos. Como nós não temos recursos, vamos usar estratégia. Teremos mais de 10 candidatos,  se cada um fizer uma média de 20 mil votos conquistamos uma vaga. Não é tão difícil. Claro que eu preciso para ser eleito e representante do Vale do Itapocu fazer mais do que esses candidatos do Novo.
OCP:  O financiamento coletivo pode ajudar a financiar as campanhas da sigla? 
Leandro: Bastante. As pessoas acham que para ajudar precisa R$ 10 mil, R$ 5 mil, mas qualquer real já ajuda, se dez mil pessoas doarem dez reais, já teremos um bom montante.