Nesta quarta-feira (2), os deputados federais devem votar em plenário se aceitam a denúncia da Procuradoria-Geral da União contra o presidente Michel Temer (PMDB), por corrupção passiva, ou se a rejeitam, acatando o relatório da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Para o processo seguir, é preciso o apoio de 342 parlamentares. Entre os quatro representantes mais votados em Jaraguá do Sul, os posicionamentos estão divididos.
 
O deputado João Rodrigues (PSD) já definiu que vai votar pela rejeição da denúncia. “Pelo presidente ter sido vice da Dilma (Rousseff), eu votaria para investigar. Mas o país parando por seis meses, enquanto Temer fica afastado, vai à bancarrota. Nos tornaríamos uma Venezuela”, declara o parlamentar. Com o afastamento do presidente enquanto é investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), justifica Rodrigues, o país ficaria sem opções na linha sucessória.
 
Isso porque, avalia o deputado, uma vez que Rodrigo Maia (DEM), presidente da Câmara dos Deputados, e Eunício Oliveira (PMDB), presidente do Senado, são investigados no âmbito da Operação Lava Jato, os seus mandatos interinos poderiam ser comprometidos. “Os dois cairiam. Aí ficaríamos num debate político e o Brasil sangrando, fechando empresa, aumentando desemprego”, comenta, citando possíveis consequências à economia do país pelas incertezas no cenário político.
 
Apesar do voto, Rodrigues destaca que é a favor da investigação, porém, que ela ocorra depois que Temer deixar o cargo, ao fim do mandato, em dezembro do próximo ano. Ele pontua ainda que a investigação, ainda que indireta, vai ter continuidade por meio da investigação de outros acusados, como o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB), ex-assessor de Temer flagrado recebendo mala com R$ 500 mil que seria propina da JBS destinada ao presidente.
 
Da mesma forma, o deputado Marco Tebaldi (PSDB) também poderá orientar seu voto pelos impactos negativos à economia com o afastamento de Temer. Tebaldi explica que antes do recesso parlamentar sugeriu às lideranças do partido que a sigla fechasse um posicionamento em relação ao voto para evitar o racha na legenda. Contudo, afirma o deputado, a questão ainda não avançou. “Eu vou me adequar ao partido, mas se liberar o voto, eu vou votar pela manutenção do presidente Michel Temer”, afirma o tucano. “Não é porque gosto ou não dele, não estou votando por ele, estou votando pelo Brasil, porque ele saindo vai ficar pior do que está (economia)”, justifica.
 
Tebaldi pondera que em outro cenário, se a Câmara estivesse votando a cassação de Temer, votaria a favor da saída do presidente. “Porque em 30 dias se colocaria outro presidente, eleito pela Câmara. Mas ele vai ser afastado por seis meses, podendo voltar depois ou não. Então ficaríamos seis meses na incógnita volta ou não volta”, diz o deputado. Ele considera que a economia brasileira começou a reagir mas ainda não estaria estável o suficiente a ponto de resistir a uma nova indefinição política
 
PELA CONTINUIDADE DA INVESTIGAÇÃO 
 
Originalmente parte da CCJ, onde analisou o processo, o deputado Esperidião Amin (PP) acabou sendo substituído no colegiado por decisão do partido depois de ter aberto seu voto pela aceitação da denúncia. “Não vou varrer para debaixo do tapete algo que deve ser investigado”, afirma o parlamentar.
 
A respeito do argumento do afastamento do presidente, que poderia trazer prejuízos econômicos ao país, o deputado observa que a saída de Temer não ocorreria de forma automática. Caso a Câmara aceite a denúncia, explica Amin, ela segue para o STF, que irá julgar se há indícios e embasamento jurídico necessários para a abertura da investigação. “Quem afasta ou não é o Supremo”, salienta.
 
O deputado Décio Lima (PT) ressalta a importância da investigação e o devido processo legal em razão da gravidade dos acontecimentos. Para o deputado, as denúncias contra o senador Aécio Neves (PSDB) e o presidente Temer tornam a situação de ambos “diferente de tudo o que já vem ocorrendo no Brasil em razão dos acontecimentos da Lava Jato”.
 
Lima argumenta que no caso de Aécio e Temer não se tratam apenas de delações, feitas por condenados com intenção de escapar a uma prisão. Para o deputado, a materialidade do crime é incontestável, já que o ex-assessor de Temer foi flagrado pela Polícia Federal carregando uma mala preta com R$ 500 mil em dinheiro vivo. A respeito da votação, o petista declara que não se trata de uma questão partidária, mas, sim, de cumprimento de suas obrigações como parlamentares, eleitos para ser representantes da população. Entre os deputados federais com maior votação em Jaraguá do Sul, Mauro Mariani (PMDB) não respondeu à reportagem até o fechamento da edição.