Dom Pedro I com os filhos compondo o Hino da Independência | Foto Reprodução
Dom Pedro I com os filhos compondo o Hino da Independência | Foto Reprodução

Pode parecer difícil imaginar o Brasil sendo governado por uma família real, com rei, rainha, príncipes e outros títulos nobres. A possibilidade realmente é distante, mas muitos entusiastas da monarquia espalhados pelo país levam a sério esta ideia, inclusive no Norte de Santa Catarina.

Um dos grupos da região, que conta com integrantes de Jaraguá do Sul, é liderado pelo professor Wander Pugliesi, de Pomerode.

Segundo ele, os defensores da monarquia discutem o assunto pelas redes sociais e em eventos com membros da Família Imperial, como o primeiro na linha sucessória dos herdeiros: Luiz Gastão Maria José Pio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orléans e Bragança e Wittelsbach.

Primeiro na linha de sucessão da Família Imperial do Brasil | Foto Divulgação

Aos 79 anos, Luiz Gastão é o primogênito da família e ainda bisneto da Princesa Isabel. O segundo na linha de sucessão, Dom Bertrand Maria José de Orleans e Bragança, também marca presença nos encontros. Ele é um dos líderes do movimento monarca no Brasil.

Também estima-se que existam 37 princesas da família real no país. Dentre elas está Paola Maria de Bourbon Orléans e Bragança Sapieha.

Ela nasceu no Reino Unido, mas veio para o Brasil ainda muito pequena. Atua como modelo, desenhista industrial e apresentadora de TV. Com 35 anos, é tetraneta de Dom Pedro II, sendo assim trineta da Princesa Isabel.

O que defendem os monarquistas

De acordo com o professor, o modelo defendido pelo movimento "é exatamente aquele que se praticou até o dia 15 de novembro de 1889". Ou seja, uma monarquia parlamentar e com quatro poderes, idealizado por Dom Pedro I.

"O poder moderador cabia ao Imperador que, estando acima das paixões políticas, atuava concorrendo para o equilíbrio entre os outros três poderes. Ele nomeava o Primeiro Ministro, já no sistema inglês é o Parlamento que faz a escolha", explica Pugliesi.

Defensores da monarquia | Foto Divulgação

Do sistema atual de governo para a monarquia, a mudança na coexistência dos três poderes seria a criação do Poder Moderador, que daria ao Chefe de Estado, o Imperador, a mediação no equilíbrio dos outros três poderes.

"O imperador não pertence a nenhum partido político, ele não vota, está acima das discussões menores. Enquanto existiu garantiu um tempo de paz e estabilidade que jamais existiu na república", garante o professor.

Na visão dos monarquistas, o modelo diminuiria significativamente os casos de corrupção. Segundo Pugliesi, o reinado cria uma consciência nacional, esquecida pela república. Ele defende que nos países monárquicos não existe o estresse eleitoral do presidencialismo.

"Sem dúvida nenhuma o Brasil estaria mais desenvolvido e estabilizado se não ocorresse o maldito golpe de 15 de novembro. A república foi um erro terrível. Tivemos no máximo três presidentes em sequência que não tiveram grandes problemas governamentais, sempre ocorreu algo de errado com o quarto na sequência, crise após crise", considera o professor.

Existiriam custos com a família real?

De acordo com Pugliesi, o Imperador do Brasil receberia um salário pelo cargo e não haveria gastos com a Família Real.

No ano fiscal 2018-2019, a Casa Real britânica, por exemplo, custou R$ 256 milhões. Mais de metade dos gastos foram com a manutenção das propriedades da coroa. Houve uma alta de 67% dessa despesa de 2018 para 2019, de acordo com relatório financeiro.

Família Real Britânica | Foto Divulgação

Além dos empreendimentos, imóveis privados e salário real, a realeza britânica conta com o Subsídio ao Soberano, gerado a partir de uma coleção de propriedades e fazendas do Reino Unido que pertencem à Coroa e geram centenas de milhões de libras por ano.

A maior parte dos lucros dessas propriedades vai para os cofres do governo, mas cerca de 15% a 25% é destinado à rainha e sua família.

O que precisa acontecer para o Brasil ter uma monarquia?

De acordo com o professor Pugliesi, a volta à Monarquia depende do "amadurecimento da população brasileira".

"Estamos avançando, seguramente. Os paulistas elegeram ano passado nosso Príncipe Dom Luís de Orleans e Bragança como Deputado Federal, um cidadão de dignas qualidades. Isso aumentou a visibilidade da Monarquia", comenta.

Para ele, se o Parlamento Brasileiro aprovar a realização de um plebiscito no futuro, a possibilidade de aprovação é grande.

"Logicamente não se pode repetir o crime do plebiscito de 1993, quando o STF proibiu a aparição de qualquer membro da Família Imperial e impôs uma cédula com quatro opções: monarquia, república, parlamentarismo e presidencialismo. O que conduziu muitos eleitores ao erro de assinalar monarquia e presidencialismo, anulando naturalmente o voto", completa.

 

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