Interina: Verônica Lemus

Com o desempenho do PSL que surpreendeu nestas eleições, tanto na disputa majoritária de Santa Catarina quanto na proporcional, o eleitor brasileiro teria demonstrado a vontade por mudança na política. A avaliação é do ex-prefeito de Jaraguá do Sul, Dieter Janssen (PP).

Concorrendo como candidato a deputado estadual pela região, Dieter fez mais de 26 mil votos, mas não conseguiu a cadeira.

Em entrevista à Coluna Plenário, o ex-prefeito avalia que a “onda 17” e também a pulverização de candidaturas teriam influenciado no resultado do pleito. Dieter também avalia o desempenho do PP no estado e fala sobre o seu futuro político.

Como você avalia a campanha, o resultado das urnas? O senhor fez 26 mil votos, bateu na trave, mas não entrou.

Com certeza faltaram alguns votos, trabalhamos para fazer uma campanha que pudesse chegar nos 35 mil votos, que fosse uma campanha pé no chão, possível de ser feita, dentro de um padrão normal, levando nossa proposta, nossa mensagem, nossa história de trabalho, uma história correta.

 

O projeto para Jaraguá do Sul era fazer 20 mil votos, chegamos a quase 16 mil, e prevíamos fazer entre 10 mil a 15 mil fora, e fizemos 10 mil votos, acabou que faltou 4 mil votos, em torno de 13%. Praticamente o que me aconteceu em 2010: chegamos a 85% da votação de deputado estadual, faltando 15%, agora foi um pouquinho menor a diferença.

 

Acho que alguns fatores tem que ser considerados, como talvez um excesso de candidaturas novamente, foram 12 candidaturas na região - fora os que conseguem vir tirar voto aqui -, e até um excesso de partidos no Brasil.

E essa onda 17, essa onda da mudança, isso também não prejudicou os candidatos já conhecidos como o senhor?

Sim, acho que o Brasil mostrou que queria mudança, muitos nomes novos chegando, na nossa região também aconteceu isso.

 

Eu pude presenciar isso na última semana, praticamente passei a semana nos bairros, visitando as casas, comércios, e a gente via muito nas caixinhas de correio das casas o panfletinho 17 de pé a ponta como se diz.

 

Muitas pessoas acabaram votando no 17, no [Jair] Bolsonaro, no seu time completo, e acabou acontecendo essa mudança de votação, em alguns candidatos, e aí acabamos sendo atingidos também, não tenho dúvida.

E o resultado geral para o PP, como é avaliado? Aconteceu um fato histórico nessa eleição, que um presidente da Assembleia Legislativa, que foi presidente recentemente, Silvio Dreveck de São Bento do Sul, não conseguiu se reeleger. Como avalia o resultado do PP e esse caso?

Eu fui o sexto mais votado do partido no estado, nós tínhamos a previsão de colocarmos no nosso grupo, com o PSD, até 12, 13 ou até mais candidatos eleitos, e acabou que esses votos migraram todos para o PSL no estado todo, e nós colocamos nove, diferente do que tínhamos previsto, ficando de fora inclusive o presidente da Alesc, ex-prefeito de São Bento do Sul, Silvio Dreveck.

 

Também na área dele teve mais candidatos do que nas últimas eleições que concorreu em São Bento, foi deputado duas vezes, e ocorreu o que mais ou menos tinha sido previsto, que ele não seria um dos mais votados, mas que ele iria se eleger.

 

O PP já teve dez deputados, foi caindo, tivemos em quatro deputados, a ideia era recuperar isso, talvez até com o Esperidião Amin sendo cabeça de chapa, fosse candidato a governador, talvez ajudaria mais o time do PP, mas o que se viu foi uma diminuição para três candidatos eleitos do PP.

 

Então o PP não escapou, foi menos afetado que outros partidos, mas não escapou da onda Bolsonaro.

E como foi essa campanha sem dinheiro de empresa, uma campanha mais curta, com a minirreforma, como o senhor avalia?

Sempre trabalhei bastante pra fazer campanhas enxutas. Essa campanha mais curta, de 45 dias, ela é mais interessante, traz menos desgaste tanto para os candidatos quanto para a população, que não queria mais três meses lá de políticos na TV, no rádio.

 

Enfim, isso tudo custa caro também, esses custos em meios de comunicação a gente sabe que isso acaba acarretando para o bolso do contribuinte, então acabou barateando isso tudo também, acho que isso foi um fato positivo.

 

A população mostrou mais uma vez que está bem antenada, bem conectada através das redes sociais também, acho que os políticos tradicionais principalmente de Brasília tentaram se blindar, fazendo uma série de ações para se manter no poder e não deu muito certo, a população acompanhou isso tudo (...) acho que isso foi importante e um fato positivo.

Como você desse se posicionar no segundo turno para governo do Estado. No começo da sua campanha para deputado estadual, no material que recebei, tinha apenas o seu nome e o de Esperidião Amin para o Senado. O senhor agora vai pedir voto para o Gelson Merisio?

Nós acabamos aderindo praticamente à campanha na majoritária na reta final da nossa campanha, já falei com nosso ex-presidente Esperidião Amin com relação ao segundo turno e acho que é o momento dos catarinenses e de nós aqui de Jaraguá e da região conhecermos melhor o Comandante Moisés (PSL) e decidir realmente qual a melhor opção para Santa Catarina.

 

Meu partido está no projeto realmente do Gelson Merisio e tem agora essa análise [para fazer], acho que poucos tinham parado para conhecer de fato, se aprofundar nas opiniões, no histórico, no que pensa e o que quer fazer o Comandante Moisés.

 

Acho que chegou a hora de conhecermos melhor as propostas dos dois candidatos e aí decidirmos o que é melhor para SC, quem vai conseguir fazer o que tem que ser feito, reformas, trabalhos importantes, privatizações, como da Casan, temos várias áreas públicas que precisam passar por melhorias, se reinventar para poder dar mais retorno pra nossa comunidade.

E para presidente, há anos o senhor vem criticando a política do PT no governo federal. O senhor vai pedir voto para Jair Bolsonaro (PSL)?

Sim, até na minha campanha do primeiro turno nós acabamos abraçando inclusive o Bolsonaro quando a gente via as pessoas nas ruas, ou seja, a onda Bolsonaro veio e veio forte e todos nos buscávamos aí algum projeto que fosse viável e que desse segurança para o mercado.

 

Me preocupo muito com a questão do trabalho, da renda das pessoas, com esse Brasil que está andando de lado já há alguns anos, se não para trás, tivemos déficits de PIB negativo em alguns anos, inclusive quando era prefeito, foi muito difícil isso para os municípios, para as empresas e para as pessoas, reflete em todo mundo, todo mundo sofre.

 

Nós não temos mais fôlego para mais quatro anos de sufoco, precisamos de um Brasil que vá para frente, que volte a dar credibilidade para os investidores, que possa voltar a gerar empregos e consequentemente dar melhor condição para nossa população.

 

(...) Então acho que essa pessoa hoje que nós buscamos, que a gente torce para que a partir de janeiro consiga dar essa onda positiva para todos aí que se chama Bolsonaro, torço para que ele consiga fazer o que tem vontade de fazer e que o Congresso dê esse apoio, essa era uma preocupação, como ele ia negociar, mas ele conseguiu fazer uma base, eleger deputados do seu partido para ajuda-lo nesse projeto.

O senhor tem algum plano para continuar na política? Estar na eleição de 2020 ou em possível governo do Merisio o senhor poder contribuir, afinal foram mais de 26 mil votos.

Acho que agora é dar uma recolhida nos trabalhos políticos, cuidar da minha família, cuidar da minha saúde, e tentar ajudar do jeito que puder aqui no município e no estado, e no Brasil também, apoiando, incentivando, de maneira que a gente possa ajudar para que Jaraguá vá bem, Santa Catarina vá bem e que o Brasil entre nos trilhos e consiga fazer essa onda positiva que a gente tanto sonha.

 

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