Mantendo o acordo entre a base aliada do prefeito Antídio Lunelli (PMDB), firmado logo após a eleição municipal de 2016, o novo presidente da Câmara de Vereadores de Jaraguá do Sul é Anderson Kassner (PP), para o comando da Casa em 2018. O pepista foi eleito com nove votos, dos vereadores de Celestino Klinkoski (PP), Charles Salvador (DEM), Marcelindo Gruner (PTB), Ademar Braz Winter (PSDB), Isair Moser (PSDB) e Pedro Garcia, Jackson Ávila, Jaime Negherbon, trio do PMDB. Já o atual líder de governo, Marcelindo Gruner (PTB) foi eleito para a vice -presidência, com Celestino Klinkoski (PP) como primeiro secretário e Pedro Garcia (PMDB) – até então o presidente da Casa – como segundo secretário, fechando a Mesa Diretora para o próximo ano. O OCP realizou entrevista com o novo presidente, que falou sobre suas prioridades e temas polêmicos como o aumento do número de vereadores. Agora eleito presidente da Câmara, quais serão as suas prioridades?  A modernização é uma delas. Este ano nós fizemos mais de 1,8 mil indicações e temos que fazer. Nós estamos lá com a comunidade, ouvindo as demandas. Mas nosso modelo está defasado, aquele monte de papel que gera, cópias que às vezes ficam perdidas nas gavetas, sem acompanhamento. Vamos buscar tecnologia para modernizar a apresentação das indicações e o acompanhamento delas. Também pretendo, junto com os demais parlamentares, alterar o Regimento Interno para tornar a sessão mais produtiva. Nosso início de sessão, por exemplo, com a leitura daquele monte de indicações, é muito monótono, até para a gente. Temos que fazer debates que reflitam o interesse da sociedade. Quero estudar mudanças na ordem do dia e na palavra livre também. Na educação, fortalecer ainda mais os programas Câmara.Com e Vereador Mirim. Isso tem prazo para acontecer?  Não. Agora que fui eleito é que vou conversar com os vereadores e com a equipe. A gestão do Pedro Garcia foi marcada pelo foco na economia, o senhor prevê algum projeto com este objetivo também? O Pedro conseguiu um ótimo resultado com a ajuda de todos os vereadores. A previsão é de economia de R$ 1,7 milhão em quatro anos com as mudanças, dinheiro que será revertido em benefícios para cidade. Eu quero dar uma olhada em todos os contratos que temos com terceiros para ver se ainda podemos reduzir mais alguma coisa. Qualquer economia que a gente faça a sociedade sai ganhando. E se eu encontrar algumas despesas desnecessárias que a gente não tem mais como mudar, por estatuto ou lei, mesmo assim eu vou falar para a gente não errar mais para frente, para ver onde estão os problemas do sistema. O senhor sempre se posicionou contra o aumento do número de vereadores, como presidente descarta esse tema?  Podemos discutir sempre, até porque se exigirem que eu leve esse assunto para pauta quem sou eu para dizer que não vou levar. Vou trabalhar em conjunto com os demais vereadores e com a equipe. Agora, meu posicionamento sempre será contrário. E jamais vou colocar um projeto desse para votação sem debate. Tem que chamar audiência pública. Quatro vereadores a mais representam cerca de 1,4 milhão a mais ao ano. Não precisamos, disso. O que precisamos é fazer o trabalho do vereador aparecer mais. No início do próximo ano vou apresentar uma indicação para que o Executivo crie um aplicativo que mostre tudo que tem para fazer, todas solicitações por secretaria e tipo de serviço, quando tiver isso, transparência total, a gente vai saber quando não precisa fazer indicação. Como o prefeito defende transparência total, creio que ele vai gostar da sugestão. É um projeto bem inovador. A tecnologia precisa ser utilizada. O início da presidência do Pedro Garcia foi um processo tumultuado em função a votação do pacote de cortes, o senhor deve ter postura parecida com a dele ou acha que alguma coisa poderia ter sido feito diferente? Vou analisar caso a caso. Se eu achar que é necessário fazer, vai ter meu apoio, caso contrário, não. Por exemplo, muitas pessoas não sabem, mas de todo esse pacote, a progressão de letra e o triênio foram os vereadores que pediram para o prefeito retirar, a gente não aceitou tudo. Na minha opinião, como foi uma coisa acordada com servidor não pode tirar. Se continuar essa quantidade de servidor sendo contratado vai chegar uma hora que não vai dar para pagar, por isso tem que terceirizar o que é possível, como Obras. O servidor não tem culpa de nada, ele está no sistema errado e alguém tem que ter coragem para mudar o sistema. Embora sempre que se fale na construção de uma nova sede para Câmara surja uma enxurrada de críticas, não é segredo para ninguém que a estrutura tem problemas, inclusive ausência de Habite-se e de saídas de emergência, presença de rachaduras, gabinetes apertados. O senhor planeja alguma melhoria, ou mesmo dar início ao processo de construção de uma nova sede? Hoje o local não tem as condições ideais, é verdade, as salas dos vereadores são pequenas, quando estão os dois assessores atendendo munícipes é um aperto só, o plenário não é o ideal, as salas têm infiltração, mas ainda acho que não é o momento. Nós não temos dinheiro para fazer uma nova sede. Enquanto a população ainda carecer de atendimento melhor na saúde, penso que a construção de uma nova sede pode esperar. O senhor foi o mais votado na eleição legislativa de 2016, mesmo não sendo uma figura conhecida na política. A que credita o resultado?  Meu envolvimento com as pessoas, com as sociedades de tiro, diretoria da Apae, com os eventos da Rede Feminina. Travei uma luta para conseguir aparelhos de ar condicionado para 13 quartos do SUS do Hospital São José. Ficavam quatro, cinco pessoas nesses quartos, sem ar. Consegui ajuda dos empresários. Acho que as pessoas foram vendo meu envolvimento com a comunidade, minha vontade de ajudar e também de fazer uma política diferente. O sistema público faliu, todo mundo sabe, mas agora nós precisamos dizer em conjunto o que fazer para mudar. E três fatores foram essências, meus amigos, que me conheciam e ajudaram, a minha família, que sempre esteve comigo, e Deus, que me proporcionou tudo isso.
Kassner divulgou os projetos que pretende implementar na Câmara de Jaraguá em 2018 | Foto Eduardo Montecino/OCP

OS PLANOS DE KASSNER SOB O COMANDO DA PRESIDÊNCIA

Modernização

Indicações: Estudar soluções tecnológicas para alterar o atual procedimento de controle e impressão das Indicações. Além de buscar a digitalização desse processo, a ideia é reduzir danos ao meio ambiente e gastos de dinheiro público. Em 2017, cerca de mais de 1.800 Indicações foram aprovadas pelos vereadores. Cada uma delas gera duas ou mais folhas, sendo necessária a documentação impressa da Indicação com cópia nos arquivos da Câmara e da Prefeitura. Regimento Interno: Otimizar os processos regimentais durante as sessões ordinárias, fazendo a revisão das regras e do tempo de duração da Leitura de Expediente (ofícios, indicações, correspondências), da Palavra Livre e Ordem do Dia. Economia Revisão de contratos terceirizados: Analisar os atuais serviços vigentes e verificar a possibilidade de redução de gastos a partir da criação de condições mais favoráveis para dar rendimento às atividades prestadas à Câmara de Vereadores.

Orçamento anual: Dar continuidade ao modelo de gestão econômica da Câmara. O objetivo é permitir que mais recursos públicos possam ser investidos em ações de melhorias feitas pela Prefeitura.

Política Criação de mais cadeiras: Continuar na defesa pela manutenção de 11 vereadores na Câmara de Jaraguá do Sul.

Educação política: Incentivar os programas Vereador Mirim e Câmara.com Você, dando condições para manutenção e melhoramento das atividades.  

 

Construção de nova sede: Manter a Câmara na atual sede. Não planeja construir um novo espaço.

 

Sobre Anderson Kassner

Nascido em Jaraguá do Sul, Anderson Kassner começou a trabalhar aos 14 anos no Clube Atlético Baependi como paliteiro de bolão. Mais tarde, escolheu a profissão de contador e buscou especialização em Contabilidade Gerencial e Controles Administrativos. Formou família ao lado de Sueli e teve dois filhos, Daniel e Anderson Filho.

Sempre envolvido com o trabalho voluntário, Kassner participa de atividades das tradicionais sociedades de tiro e de eventos da Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) e da Rede Feminina de Combate ao Câncer. Além disso, uma de suas ações mais recentes resultou na conquista de 13 aparelhos de ar-condicionado para o Hospital São José, em 2016. Trabalhou na iniciativa privada durante 26 anos e ocupou o cargo de diretor-administrativo do Samae (Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto), de 2013 a 2016. Antes de disputar a primeira eleição para a Câmara de Vereadores, buscou conhecimento na Escola de Governo e fez cursos de formação política. O resultado desta disposição foi a vitória nas urnas com 3.550 votos, sendo o maior número alcançado na corrida de 2016 para a Câmara de Vereadores de Jaraguá do Sul. Pelo PP, Anderson Kassner fez história ao alcançar a marca de segundo parlamentar mais bem votado de Jaraguá, desde 1990. Em 2017, o parlamentar assumiu como vice-presidente da Mesa Diretora do Legislativo, além de integrar as comissões permanentes de Legislação, Justiça e Redação Final e de Educação, Cultura, Esporte e Saúde e Assistência Social.