O novo diretor-presidente do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Samae) de Jaraguá do Sul Gustavo Roweder, completou esta semana um mês à frente da Autarquia.

Em entrevista ao OCP, Gustavo fala como está sendo comandar um dos principais serviços do município que é responsável pelo abastecimento de água, tratamento de esgoto e coleta de resíduos. Também destaca o planejamento a curto, médio e longo prazos a serem executados pelo Samae.

Gustavo tem 37 anos, é empresário, professor, formado em administração de empresas, com MBA em economia e gestão empresarial, e não tem filiação partidária.

Ele foi escolhido pelo então prefeito Antídio Lunelli (MDB) para substituir Eduardo Bertoldi que ficou temporariamente à frente do Samae, após o pedido de exoneração de Ademir Izidoro (PP), em 7 de março. Izidoro comandava a autarquia desde 2013 e sua saída foi motivada por ter sido alvo de acusações de possíveis irregularidades no Samae envolvendo contratos de prestação de serviços.

Confira a entrevista:

Você diz que tem metas arrojadas para o Samae. Que metas seriam estas?

Uma das metas que acredito serem mais arrojadas é sobre a questão da inovação. Noto que a gente tem algumas dificuldades no setor público para conseguir implantar algumas melhorias de inovação, mas temos uma oportunidade gigantesca de aprimorar vários processos lá no Samae. Dentre estas a forma de atendimento ao público, sendo um modelo de desafio que vai trazer vários benefícios para a Autarquia e para o poder público. A gente traz isso do setor privado e pretende levar para o Samae.

Outra questão é a gestão de eficiência na Autarquia, usando os recursos da melhor maneira, para que a estrutura seja mais enxuta e produtiva e que a gestão por resultados seja mais próxima.
Outro desafio é valorizar as pessoas, os nossos servidores públicos que se preparam para estar lá.

Temos 240 servidores no Samae que buscaram formação, apoio técnico e esperam uma oportunidade de contribuir da melhor maneira para o local onde trabalham. Então acredito que aproveitar essas pessoas em cargos de liderança, de gestão, vai fazer com que eles se motivem e fazer com que tenhamos um desempenho melhor.

Na sua opinião como o atendimento do Samae pode se tornar ainda mais eficiente?

Para se ter uma ideia hoje recebemos em média 9 mil ligações da população por mês no Samae. É um volume muito grande de ligações e mais de 50% é para solicitar a segunda via da fatura de consumo.

As pessoas podem fazer isso via site, melhoramos o atendimento via whatsapp e estamos fazendo a implantação de um aplicativo específico para tirar a segunda via da fatura e para fazer solicitações de conserto de vazamentos. Com isso, podemos reduzir e muito o número de ligações.

A tecnologia pode nos ajudar, no Samae, para que as pessoas que trabalham no atendimento possam usar seu tempo de forma mais estratégica. Nossa ideia é de que os servidores possam ter seu trabalho eficientizado sem para isso ter que contratar cada vez mais gente.

Como sua experiência na iniciativa privada pode ser aplicada no setor público?

O Samae é uma autarquia 100% pública e estamos trabalhando para melhorar seu planejamento estratégico. Vamos pensar o Samae para daqui a 30 anos. Também queremos implantar um conselho consultivo de gestão para que a sociedade participe mais das decisões do Samae, ou seja, para decidirmos em conjunto onde investir, o que investir e quais as estruturas e disponibilidades.

Acho injusto uma autarquia daquele tamanho estar na mão de uma pessoa e as decisões ficarem concentradas só nessa pessoa. Então queremos esse envolvimento da sociedade para melhorar isso, que ela possa participar ativamente das decisões tomadas pela autarquia. Essa é a minha missão, o meu compromisso com o Antídio (antes) e o Jair (agora prefeito) de realmente profissionalizar o Samae.

O Samae precisa focar a atenção para o Marco Regulatório do Saneamento Básico e na gestão ambiental e de resíduos. Qual o planejamento para tantos temas importantes?

Hoje o Samae atende 90% da população urbana com o tratamento do esgoto sanitário. Quando se fala em população total, que aí inclui a parte do interior e bairros mais distantes chega a 80%. Atualmente já tratamos o esgoto em alguns locais mais distantes com fossa séptica coletiva e agora precisamos reavalivar quais as redes podemos fazer da melhor forma possível. No caso do tratamento de água temos 99% da população geral atendida.

Outra questão do Marco Regulatório do Saneamento Básico é a regionalização do tratamento da água e do esgoto. E em algum momento temos de tratar deste assunto. Nós [Jaraguá do Sul] somos considerados uma região metrópole e nossa ideia é começar a construir isso com os demais municípios da região para que a gente crie essa força e cumpra esse tratado até 2033.

Numa conversa prévia com a Amvali e os prefeitos da região, a gente entende que pouco se avançou até o momento e que isso precisa ser acelerado. Precisamos regionalizar os tratamentos de água, esgoto e coleta e destinação de resíduos sólidos.

Agora um das questões que mais precisamos evoluir na região da Amvali é sobre os resíduos sólidos. A Prefeitura lançou recentemente um Projeto Municipal de Orientação de Interesse - PMI para atrair empresas que ofereçam projetos sem custos para o tratamento de resíduos sem custos.
Blumenau, Timbó e outras cidades daquela região hoje já usam parcerias públicos-privadas para o destino dos resíduos orgânicos, tudo nasceu de uma PMI, de um estudo técnico para isso.

Hoje só Jaraguá do Sul gasta R$ 18 milhões por ano com a coleta, distribuição e aterro final dos resíduos em Mafra. É um valor considerável. Então se a gente integrar e regionalizar esse sistema, todos municípios da região ganham com isso.
No próximo mês faremos uma reunião com os prefeitos da região para iniciar estas tratativas e para a Amvali capitanear esse projeto.

Como fica o desperdício de água tratada no município?

Atualmente já temos um índice considerado baixo de perdas que chega a 36% de desperdício de água tratada no município. Em cima disso se calcula a água que o Samae trata com a água que se perde. A média nacional é de 40%. Mas nossa meta para 2022 é fechar em 30% e para 2023 é de 25%. Faremos isso por meio da eficientização de nossos serviços de detectação e de resposta para as correções que ajudam a evitar o desperdício. Também estamos fazendo um estudo para a troca da tubulação antiga que auxilia na redução da perda de água tratada.