Em pré-campanha ao Senado, o ex-prefeito de Blumenau, Napoleão Bernardes (PSDB), tem como bandeira clara e certa a revisão do pacto federativo. O tucano, que começou cedo sua carreira na política – aos 17 anos na presidência da juventude do PSDB –, elegeu-se em 2012 à Prefeitura de Blumenau, reeleito em 2016, adquirindo experiência no Executivo. O fato de não ter mandato como deputado ou senador pode significar, para o tucano, uma vantagem na hora de enfrentar o tema do pacto federativo no Congresso, que se trata de um pleito antigo dos municípios, que sofrem com poucos recursos, repassados pela União a conta gotas. “As pessoas acham que pagam muito imposto, a Prefeitura diz que não tem recursos. É um paradoxo, e as duas situações são verdadeiras”, aponta Bernardes, em entrevista à coluna, nesta sexta-feira, em sua passagem por Jaraguá do Sul. O prazo para as convenções partidárias vai de 20 de julho a 5 de agosto. No momento, a missão de Bernardes é viabilizar sua candidatura, para então partir à disputa eleitoral em si.

Disputa ao senado

“Primeiro é claro o interesse público por trás disso, que tem me motivado em relação a essa caminhada. Eu digo que o prefeito é exatamente quem sabe onde o calo aperta em termos do desenvolvimento das cidades. Jaraguá do Sul, Blumenau, toda e qualquer cidade tem os mesmos problemas, muda um aspecto econômico ou cultural, mas o pano de fundo se repete, que é o desafio das cidades em seu autofinanciamento, o financiamento das políticas públicas. E o pacto federativo, esse na verdade é o grande desafio, que é inverter a lógica, que hoje é perversa e que não faz sentido nenhum.”

Muito imposto, pouco retorno

“Jaraguá é uma cidade que tem uma baita força empreendedora, com uma excepcional força trabalhador, e portanto paga muito imposto. E aí vem o paradoxo, as pessoas acham que pagam demais, toda e qualquer Prefeitura sempre se lamenta que tem pouco para executar e aí ninguém entende nada, e as duas são verdades, é que esse dinheiro está em Brasília, porque 70% da riqueza gerada por Jaraguá está em Brasília, 10% está aqui.”

Revisão do pacto federativo

“Penso que não ter sido deputado ou senador é uma vantagem competitiva nesse sentido. Porque quem está muito tempo no mandato acaba tendo uma visão de cima das coisas, e eu que passei exatamente pelo mandato municipal, é aquela expressão, a gente sabe onde o calor aperta, é o prefeito que vive essa angústia.”

Modelo atual beneficia status

“O modelo atual beneficia quem está lá, porque o deputado e o senador também gosta de ser procurado para ter uma emenda, e aí ele vem e faz uma festa, por R$ 100 mil, R$ 200 mil, quando traz um dinheiro para o município, mas será que é mais importante para o município R$ 100 mil ou R$ 200 mil que venha de cima para baixo, ou que dos 70% que hoje fica concentrado em Brasília, que um pouco mais fique na cidade para ela decidir o que é mais importante para ser feito e para ter fiscalização local? O status quo, manter como está, é muito cômodo para muita gente.”