Personagem de destaque no jogo de xadrez travado nos bastidores para as definições das alianças e candidaturas em 2018, o deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), Gelson Merisio (PSD), esteve nesta sexta-feira na redação da Rede OCP News. Na pauta, projetos e prioridades da Assembleia Legislativa e, também, o pleito do próximo ano. Merisio é natural de Xaxim, tem 50 anos e está no seu terceiro mandato de deputado estadual. Foi eleito em 2014 com 119.280 votos, uma votação históricapara o cargo no Estado. Para se ter uma ideia, o segundo colocado, José Ascari, também do PSD, fez pouco mais de 72 mil votos. Em 2010, Merisio também havia sido o mais votado, quando fez 65 mil votos. O crescimento do patrimônio político o coloca como pré-candidato ao governo, em uma aliança que vem sendo desenhada com o PP, embora ainda existam alguns obstáculos no caminho, como o desejo entre alguns pepistas de ver Esperidião Amin, o mais votado em 2014 para uma vaga na Câmara dos Deputados, com 229.668 votos, sendo o cabeça de chapa, ou então outra corrente dentro do próprio PSD representada pelo deputado federal João Rodrigues, que tem deixado claro que não está fora da disputa por uma vaga na majoritária. No front dessa batalha, Merisio tem como um dos maiores aliados o presidente da Alesc, Silvio Dreveck, que a partir de 2018 irá substituir Amin na presidência estadual do PP. Os dois andam percorrendo o Estado viabilizando uma aliança que vem deixando os outros partidos com alerta ligado. Em entrevista à coluna, Merisio falou sobre a intenção de se candidatar ao governo. Disse que duas das prioridades são maiores investimentos em segurança e infraestrutura, o que, acredita, será possível por meio do corte de gastos com a estrutura administrativa, e, contrapondo o discurso de alguns caciques – de que muita água vai rolar por debaixo da ponte até as convenções –, Merisio é taxativo ao descartar uma aliança com o PMDB, partido que chama de fisiológico. – O senhor tem atuado fortemente nas questões que envolvem segurança. Aqui na região, uma das preocupações é quanto ao efetivo reduzido das polícias Civil e Militar. O Estado tem como equacionar melhor essa questão? Primeiro, nós temos que falar a verdade para o cidadão catarinense. O Estado precisa investir mais em segurança pública, em efetivo e em tecnologia. E de onde vão sair os recursos para isso? Eu acredito fortemente em um novo modelo de Estado, enxugando processos administrativos, reduzindo drasticamente estruturas, como é o caso das Agências Regionais, que consomem por ano mais de R$ 300 milhões em custeio e transformando posições administrativas em policial na rua, posições regionais em médico nos postos de saúde, segurança pública precisa ser mais que um projeto de governo, precisa ser uma decisão da sociedade. Ou nós enfrentamos o crime organizado com prioridade de Estado e da sociedade, com polícia na rua, dureza nas atitudes, tecnologia, ou os nossos 12 homicídios por 100 mil habitantes vai passar a ser algo como no Rio Grande do Sul, onde nos temos 28, ou o Rio de Janeiro, 49. É o momento de decisão. Hoje a sociedade vive em regime semiaberto, de dia trabalhamos, e de noite nos fechamos entre muros e cercas. O processo contra o crime organizado deve ser radical.   “Hoje a sociedade vive em regime semiaberto, de dia trabalhamos,  e de noite nos fechamos entre muros e cercas.  O processo contra o crime organizado deve ser radical.”   – Como está tramitação de projeto de sua autoria que prevê que o Detran só poderá suspender o direito de dirigir no mesmo ano em que o condutor atingir os 20 pontos? Hoje o que ocorre é uma anomalia. Nós temos o Detran suspendendo habilitações por infrações cometidas em 2011, 2012, 2013. Esses condutores pagaram as multas e não foram notificados pelo Detran que teriam a carteira suspensa naquele período. Quando foi criada a lei, se tinha um objetivo pedagógico. Agora, quando se quer aplicar uma penalidade de cinco anos atrás, ela não serve para nada, a não ser atrapalhar mais o motorista que já enfrenta uma série de dificuldades, como um trânsito que não anda e agora mais de um milhão de pessoas tendo a carteira suspensa. O projeto proíbe o Detran de aplicar a pontuação de anos anteriores. Se o condutor cometer a infração em 2017 e ultrapassar os 20 pontos, ele tem que ser punido já no ano, se o Detran não aplicar, ela prescreve. – Tem previsão para votação do projeto? Nós acreditamos que será votado ainda na semana que vem, de forma que possamos ter antes do final de novembro a regra aplicada e retroativa, ou seja, quem tem notificações antes do ano fiscal, o Detran ficará proibido de aplicar penalidade. – Enquanto algumas lideranças fazem um discurso cauteloso de que ainda há muita água para passar embaixo da ponte, o senhor tem sido taxativo ao dizer que o PSD não estará com o PMDB em 2018. De onde vem tanta convicção? Convicção de que a nossa base compreende de que o momento por qual passa o Estado requer decisões duras, claras e que devem ser debatidas na eleição. Eu, por exemplo, defendo o fim das regionais, o que é incompatível com o que pensa o PMDB. Não se trata de ser contra o PMDB, é que a nossa convicção é frontalmente contrária ao que pensa o PMDB. Por isso nós estaremos em campos opostos. Eu estarei em campo oposto ao PMDB. Não há nenhuma possibilidade de estarmos juntos.  Respeitando as convicções que eles têm, que eles formulem as propostas que eles têm e nós debateremos com o eleitor.   “Eu estarei em campo oposto ao PMDB. Não há nenhuma possibilidade de estarmos juntos.”   – Qual a sua principal crítica em relação ao PMDB? A forma fisiológica de composição que não leva em conta o momento atual. Hoje nós temos mais de dois, três mil servidores administrativos que deveriam ser substituídos por policiais, médicos e professores e isso é algo que vai contra a natureza do PMDB. Por que o governador não faz isso agora? Porque o governador foi eleito em uma aliança e assinou um contrato de também respeitar o que é importante para o seu aliado e as regionais é um exemplo disso. Por isso, que para o futuro eu não entendo que seja bom para o Estado, para nós e para o próprio PMDB. Não é que um esteja certo e outro errado, mas são visões diferentes e cabe ao eleitor definir o que é melhor para o Estado. – De zero a dez, como está o encaminhamento da aliança com o PP? Nove. Aliás, o único partido que fez convenção e aprovou uma moção por unanimidade para estarmos juntos foi o PP. Isso é fato consumado. Qual candidatura será consumada lá na frente vamos ver. Espero que seja a minha, trabalho com isso, mas sem imposição, respeitando os aliados e as opiniões divergentes. “Qual candidatura será consumada lá na frente vamos ver. Espero que seja a minha, trabalho com isso, mas sem imposição.” – Por que o senhor quer ser governador? Pela experiência empresarial que eu trago, formação em administração e experiência no Legislativo, sou há 15 anos deputado, fui eleito presidente da Alesc três vezes por unanimidade. E lá estando apliquei isso que pretendo fazer no Estado. Reduzimos pela metade o número de servidores efetivos. Efetivos, o que é muito mais difícil. Isso nos permitiu transformar salário de servidor efetivo em cirurgia eletiva. Eram 828, transformamos em 407. Devolvemos em um ano apenas mais de R$ 100 milhões para que o governo fizesse cirurgias eletivas, uma demonstração clara de que economia deve ser feita para que o Estado possa prestar serviço à população. Esta experiência somada me dá vontade de servir à população, fazendo aquilo que eu gosto. CONFIRA A ENTREVISTA TAMBÉM EM VÍDEO: *Reportagem de Patricia Moraes