Na reta final da disputa presidencial, mensagens compartilhadas pelo WhatsApp e redes sociais ampliam o debate político e exigem atenção dos eleitores diante da circulação de informações falsas e conteúdos manipulados
Uma mensagem no grupo da família, um vídeo encaminhado por um colega de trabalho ou um áudio recebido de um conhecido. Na reta final das eleições presidenciais de 2026, o debate político também acontece longe dos palanques, das propagandas na televisão e dos debates entre candidatos. Em aplicativos como o WhatsApp, conteúdos eleitorais circulam diariamente e chegam diretamente aos celulares dos brasileiros.
A poucos dias do segundo turno, marcado para domingo (25), a disseminação de informações políticas nas plataformas digitais ganha atenção especial. Se, por um lado, os aplicativos facilitam o acesso a notícias e propostas dos candidatos, por outro, também podem contribuir para a propagação de boatos, informações descontextualizadas e materiais manipulados.
A influência dos grupos
Os grupos de família, trabalho e comunidades tornaram-se espaços de discussão política. Neles, notícias, opiniões e vídeos são compartilhados entre pessoas que, muitas vezes, mantêm relações de confiança.
Essa proximidade pode fazer com que uma informação recebida de alguém conhecido pareça mais confiável, mesmo quando sua origem não foi verificada. O problema se intensifica quando conteúdos são repassados rapidamente, sem que o destinatário confira a fonte ou o contexto.
Entre os formatos que exigem atenção estão vídeos antigos apresentados como recentes, montagens, declarações retiradas de contexto e supostas pesquisas eleitorais sem identificação do instituto responsável.
Levantamento divulgado por uma agência de checagem em outubro identificou crescimento de conteúdos que atribuem falsamente apoio político a candidatos, além de manipulações de imagens e informações fora de contexto
Justiça Eleitoral estabelece regras
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabelece limites para a propaganda política na internet. A manifestação espontânea de apoio a candidatos é permitida, mas a divulgação de informações sabidamente falsas ou ofensivas pode caracterizar propaganda irregular.
Em decisão divulgada no dia 16 de outubro, o TSE também aprovou regras para identificar oficialmente grupos e canais de WhatsApp utilizados com recursos das campanhas eleitorais. A medida busca ampliar a transparência e a responsabilização sobre os conteúdos divulgados nesses espaços.
A legislação também proíbe disparos em massa de mensagens eleitorais sem consentimento dos destinatários, prática diferente do compartilhamento individual e espontâneo de opiniões políticas.
Inteligência artificial amplia desafios
Outro elemento presente nas eleições de 2026 é o uso da inteligência artificial. Ferramentas tecnológicas permitem produzir imagens, áudios e vídeos capazes de simular falas e situações que nunca aconteceram.
O TSE exige identificação explícita de conteúdos eleitorais produzidos ou significativamente alterados por inteligência artificial. A regulamentação também proíbe a publicação e republicação de novos conteúdos sintéticos nas 72 horas anteriores e nas 24 horas posteriores à votação, inclusive quando não há impulsionamento pago.
Como identificar informações suspeitas?
Antes de compartilhar uma mensagem política, a recomendação é verificar quem produziu o conteúdo, conferir a data da publicação e procurar a informação em veículos de comunicação confiáveis.
Mensagens alarmistas, conteúdos sem indicação de fonte e publicações que pedem compartilhamento urgente merecem atenção redobrada. Também é importante desconfiar de vídeos com cortes bruscos, áudios sem identificação de origem e imagens que aparentem ter sido manipuladas.
O eleitor pode consultar informações oficiais no site do TSE e recorrer a agências de checagem para confirmar conteúdos duvidosos.
Na reta final da disputa presidencial, a responsabilidade pela circulação de informações não está apenas nas mãos das campanhas e das plataformas digitais. Cada pessoa que recebe e compartilha uma mensagem também participa desse processo. Em uma eleição cada vez mais conectada, conferir antes de encaminhar é uma forma de contribuir para um debate público baseado em informações confiáveis.