Concorrendo pela segunda vez, Rogério Jung (PMDB) elegeu-se como vereador de Jaraguá do Sul para a próxima legislatura com 2.174 votos, sendo o terceiro mais votado no município. Jung é formado em Administração, com habilitação em Marketing, e atuou no setor privado durante 20 anos como bancário. No setor público, o eleito assumiu a diretoria financeira administrativa da Secretaria de Educação pelos últimos três anos. Jung recebeu a equipe do OCP em sua casa, no bairro Czerniewicz, local em que viveu desde o nascimento e onde costuma atuar na comunidade. Único cadeirante já eleito, ele ajudou a montar a associação Acessibilidade Jaraguá e diz que terá como bandeira principal de seu mandato a cobrança do cumprimento das leis de acessibilidade no município. Uma de suas propostas será a criação de uma comissão permanente sobre o tema na Casa. Da mesma forma que atuou na mobilização da comunidade do bairro em torno de uma obra para recuperação de danos com a enchente de 2010, o eleito afirma que irá buscar enquanto vereador o envolvimento da população nas demandas que surgirem durante o mandato. “As pessoas acham que o vereador faz tudo, mas não é, muitas coisas não são competência do vereador, mas uma responsabilidade que ele deve ter é de unir as pessoas, para conseguir as coisas. É mais difícil pedir uma obra para um bairro estando sozinho do que se a gente reunir o bairro todo, lutar, cobrar e estipular um prazo para que a coisa aconteça. E é nessa linha que vou atuar, porque o vereador não faz obra, mas pode ajudar a comunidade e cobrar”, declara. Por que decidiu participar da política e concorrer a vereador? Na verdade nunca tive intenção de participar de campanha. Antes de 2012, na eleição anterior para deputado federal (em 2010) fui convidado por um candidato de Jaraguá para ir numa reunião da Acijs (Associação Empresarial de Jaraguá do Sul), e eu fui. Ele estava escolhendo a pessoa que ia ser o financeiro da campanha dele, e ele me chamou, e foi meio que no embalo. Ele me convidou para ser candidato a vereador em 2012. Entrei, concorri, fui bem votado. Mas se você perguntar o que eu penso como vereador, eu quero ajudar as pessoas. Porque quando me acidentei, em 1998, recebi muita ajuda de pessoas, então, eu acho que é uma forma de retribuir, fazendo alguma coisa que favoreça mais pessoas. Acho que a Câmara é um caminho que dá para mudar bastante coisa para as pessoas. E qual seria sua principal bandeira ou proposta de trabalho? É fazer com que as leis sejam cumpridas, em termos de acessibilidade. Hoje você vai dizer que Jaraguá está bem, mas eu digo que não. Você vê em alguns locais, como na Rua Reinoldo Rau, no Centro. Em um comércio pediram que fizesse a rampa de acesso, não deram a autorização para abrir o negócio porque tinha que fazer a rampa e a pessoa teve que mudar tudo, enquanto que no comércio ao lado, a pessoa pode abrir o estabelecimento sem a rampa. Não entendo porque isso acontece, acho que a lei tem que ser igual para todo mundo. Assim como este, tem outro caso em um trecho da Rua Marechal Deodoro. Todos que abrem a loja têm que fazer rampa, mas em um local não tem acessibilidade, então como se conseguiu autorização para abrir? A lei tem que ser igual para todo mundo e não “para os amigos a lei, para os inimigos o rigor da lei”. Em relação à questão partidária, como vai ser o seu trabalho, até por ser novo na política. Você está preparado para lidar com essas questões? Acredito que a gente tem que trabalhar junto, para todo mundo pensar no bem da população. Já deixei bem claro que vamos estar lá apoiando e aprovando as coisas que sejam boas para a cidade e para a população, não vou aprovar o que não for bom. Estando na Câmara de Vereadores acho que a gente foi eleito para representar as pessoas, então, nada mais justo do que retribuir. E como o senhor pretende fazer esse trabalho? Algo que a gente viu bastante é que as pessoas estavam bem preocupadas com a situação de que o vereador só representaria um bairro. E a gente sempre falou que na verdade quando você se propõe a ser eleito e representar a população, você não é representante de um bairro só, vai representar a cidade toda. É isso, eu vou continuar com minhas reuniões, como sempre fiz, tentar falar com um bairro diferente a cada vez, reunir as pessoas e tentar levar as demandas delas da melhor forma possível para os órgãos competentes, para ter algum tipo de resultado. A gente escutou bastante das pessoas que o candidato vinha, pedia voto, e só aparecia depois de quatro anos. Eu pretendo trabalhar rodando a cidade toda, escutando as pessoas e tentando resolver as necessidades e demandas. Sendo o único cadeirante eleito, também tem essa responsabilidade de representar essa parcela da população de Jaraguá do Sul? Eu acho que eu vim com uma responsabilidade um pouco maior nesse sentido. Hoje eu não me considero cadeirante, eu não consigo me enxergar na cadeira de rodas, para mim já é normal, e acho que as pessoas aprenderam a me ver dessa forma. Deficiência todo mundo tem, só que de uns é aparente, de outros não. Nada mais justo do que eu estar cobrando isso também. Agora dia 12 (hoje) vão fazer 18 anos que estou na cadeira de rodas, e eu vejo que de lá para cá já mudou algumas coisas, mas a gente tem que sair para a rua. Muitas pessoas ficam em casa, não saem, mas cobram. E eu vejo que elas têm que sair, se mostrar, porque quanto mais a gente aparecer mais as pessoas vão olhar com um olhar diferente. Essa é uma bandeira que vou seguir, cobrar, até na Câmara vou propor que seja criada uma comissão permanente de acessibilidade, para que não aconteçam esses casos que a gente falou. Estando lá eu também vou querer saber de todos os alvarás que vão ser dados para Jaraguá, porque acessibilidade para entrar e sair de um comércio é o mínimo. E a acessibilidade não é só para mim ou para um cadeirante, é para um idoso, por exemplo, que às vezes com um degrau é mais difícil para ele, ou uma mãe com um carrinho de bebê. São várias questões que vão melhorar a vida de todo mundo.