Movimentos afirmam que ideologia de gênero não discute orientação sexual

Movimentos afirmam que ideologia de gênero não discute orientação sexual Movimentos afirmam que ideologia de gênero não discute orientação sexual

Política

Por: Verônica Lemus

quinta-feira, 10:15 - 22/02/2018

Verônica Lemus
Em carta aberta protocolada na Câmara de Vereadores nesta quarta-feira (21) e divulgada à imprensa, movimentos sociais e apoiadores independentes se posicionam contra o projeto de lei e pedem sua rejeição. No documento – assinado por diversos grupos, como pesquisadores do IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina) de Jaraguá do Sul, sindicatos dos trabalhadores em educação do Estado e da rede particular do norte de SC, União Brasileira de Mulheres e União Nacional LGBT –, os manifestantes esclarecem as diferenças entre os conceitos abordados pelos vereadores. https://ocponline.com.br/noticias/proibicao-ideologia-de-genero-pode-ir-hoje-segunda-votacao/ Conforme explica o grupo na carta, os papéis que as mulheres e homens desempenham na sociedade são diferentes por uma construção social, sendo limitado à mulher o espaço privado, trabalho doméstico, submissão e obediência ao homem. Já o papel social do homem remete ao espaço público, força, autoridade, inteligência, trabalhador, sexo forte e, por isso, seriam considerados superiores às mulheres. É por conta dessa diferença de papéis sociais, continua o documento, que surge a desigualdade entre homens e mulheres, percebido tanto na diferença salarial entre os gêneros – mulheres podem receber até 52% a menos que homens no mesmo cargo, aponta o grupo no documento –, como na violência doméstica e exploração sexual, cujas maiores vítimas são mulheres. Segundo reforça o grupo, falar de gênero é debater essa desigualdade, é discutir a violência contra as mulheres, é combater o bullying aos alunos que não se encaixam aos papéis de gênero construídos. “É entender que quando o seu filho é chamado de ‘viadinho’ na escola por não gostar de futebol é por ele não se encaixar no papel social imposto aos meninos desde o nascimento”, diz o texto, reforçando que debate de gênero não tem nenhum poder de influenciar na orientação sexual das crianças, jovens e adolescentes. https://ocponline.com.br/noticias/presidente-da-oab-jaraguaense-analisa-projeto-de-ideologia-de-genero/ “(...) Orientação sexual é diferente de gênero, pois diz respeito à atração que se sente pelas pessoas, seja de sexo oposto ou não”, pontua o texto. “Portanto, além de infundado cientificamente, pois gênero e orientação sexual não são escolhas e de nenhuma maneira influenciáveis, deixar de falar sobre gênero em âmbito escolar é também negligenciar os atuais cenários de violência que se encontram no Brasil, sendo o país que mais mata pessoas LGBT no mundo e um dos mais violentos contra mulheres”, arremata o grupo.
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