Manifestações pelo país marcam a véspera do julgamento do pedido de habeas corpus apresentado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que será julgado nesta quarta-feira (4) pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em Jaraguá do Sul, o movimento Vem Pra Rua, que defende a prisão de Lula, organizou nesta terça-feira (3) um evento que reuniu cerca de mil pessoas percorrendo as ruas centrais. Já os movimentos que repudiam a condenação do ex-presidente realizam suas manifestações nesta quarta.
Ednilson dos Passos defende que manifestação não era de direita nem de esquerda | Foto Eduardo Montecino/OCP
“O Vem Pra Rua vem pedir o fim da impunidade, que a prisão em segunda instância seja mantida e que o STF acorde, que a Justiça esteja em consonância com a sociedade, a sociedade pede o fim da impunidade”, afirma Ednilson dos Passos, um dos organizadores do movimento suprapartidário em Jaraguá do Sul. Passos pontua que o movimento não está se manifestando por partido A ou B e que a direita e a esquerda devem se unir buscando pontos em comum para lutar “por um Brasil só”. “A gente precisa que todo mundo vá à rua, direita, esquerda, quem quer que seja, que busque o entendimento e que busque coisas acima das suas plataformas, das suas ideologias, acho que injustiça é uma coisa que nenhum dos lados concorda, corrupção é uma coisa que nenhum dos lados tem que concordar”, afirma.
Ex-prefeito Dieter Janssen e a mulher, Zélia, saíram à rua pedindo justiça e o fim da impunidade | Foto Eduardo Montecino/OCP
O ex-prefeito Dieter Janssen (PP), um dos presentes na manifestação, considera importante a participação da população, pela esperança de um país mais justo e igual para todos também no Judiciário. “A gente vê que as pessoas que têm poder, que têm dinheiro para contratar um grande escritório de advocacia querem somente ganhar tempo, empurrar suas decisões em segunda instância para o Supremo que a gente sabe que essas decisões demoram muito e essas pessoas ficam impunes. Hoje, infelizmente, quem vai preso no Brasil é o ladrão de galinha”, avalia o pepista. Para Janssen, o país estaria vendo pela primeira vez a prisão de políticos e pessoas poderosas. “E isso anima e faz com que trabalho do juiz federal Sérgio Moro e do procurador da República Deltan Dallagnol e outros juízes tenham sucesso”, complementa o ex-prefeito.
Professora Miriam Tomazelli: "movimento é obrigação dos cidadãos brasileiros" | Foto Eduardo Montecino/OCP
Para a professora aposentada Miriam Tomazelli, que participou da manifestação desta terça, o envolvimento da população nesse movimento seria uma obrigação como cidadãos brasileiros devido ao momento “sério e grave” pelo qual passa o país. “Em que estamos vendo nossos direitos indo para o lixo, onde o bandido, o ladrão, sem vergonha tem espaço e o cidadão correto, decente, que paga impostos, não tem mais direito nenhum”, manifesta Miriam. Para ela, a sociedade tem vergonha hoje de quem está no governo. “Não estamos falando de partidos, de bandeiras, estamos falando de índole, de ética, de dignidade, de verdade, e é por isso que a gente está aqui, para lutar por um Brasil melhor, que nossas crianças, jovens, adultos e idosos valorizem, reconheçam e se orgulhem”, completa. Em Santa Catarina, o movimento Vem Pra Rua também realizou manifestações em Joinville, Florianópolis e mais oito cidades, como Blumenau e Itajaí. No país, foram organizados manifestações em 111 municípios.

Movimentos pró Lula se manifestam nesta quarta

Em Santa Catarina, o movimento Frente Brasil Popular, também suprapartidário, organiza manifestação para esta quarta-feira (4), em Florianópolis, a partir das 13h, no entorno da Justiça Federal, na avenida Beira-Mar Norte. A Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o movimento Povo Sem Medo também organizam, desde o início da semana, mais de 50 atos e vigílias em 25 cidades do país, incluindo acompanhamento em Brasília do julgamento. De acordo com a CUT, as ações têm o objetivo de dialogar com a população e contar “a verdade” sobre o julgamento de Lula, considerado político. “Os movimentos populares e as lideranças políticas irão esclarecer, por meio do contato direto com o povo, que Lula não é o verdadeiro dono do tríplex, como a versão da grande imprensa e de setores do judiciário tenta vender diariamente para a população”, afirma a Central, em matéria à imprensa.

STF deve concluir nesta quarta o julgamento do habeas corpus

O Pleno do Superior Tribunal Federal (STF) deve concluir nesta quarta o julgamento do habeas corpus (HC) preventivo apresentado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca evitar sua prisão enquanto recorre de sua condenação. Lula foi condenado em janeiro deste ano, em segunda instância, a 12 anos e um mês em regime fechado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Além da possibilidade de o habeas corpus ser acatado ou rejeitado pelo STF, há também a chance de que algum dos 11 ministros peça vistas do processo. Caso o HC seja acatado, juristas divergem sobre a possibilidade de que o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) possa determinar a execução da pena, já que o habeas corpus poderia ter validade apenas para a decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4). Caso o HC seja negado, a prisão do ex-presidente ainda dependeria do fim de todos os recursos possíveis no TRF4, quando a decisão de segunda instância seria considerada transitada em julgado.