O Brasil tem bons políticos. Eles só precisam ser descobertos para ver que política é sim para qualquer cidadão”; ou: “Mais importante do que dar certo é fazer certo”. Esses são alguns dos mantras do Partido Novo, que se prepara para estrear em uma campanha federal em outubro prometendo fazer jus ao nome. O trabalho em busca de lideranças que fujam da figura de político tradicional é constante. E dentro dessa busca, o presidente estadual da sigla, Eduardo Ribeiro, esteve mais uma vez em Jaraguá do Sul na noite de quinta-feira. Conversou com lideranças e concedeu uma entrevista à coluna.
Partido no espectro direito da política, o Novo tem diversas peculiaridades, além da defesa de um Estado mínimo, é contra o uso de recursos públicos em campanha, faz um processo seletivo para escolher candidatos – isso mesmo, com prova e entrevista – um procedimento parecido com a seleção de trainees em grandes empresas. A ideia é identificar pessoas com potencial para a política, mas sem histórico (e vícios) no ramo.
Se depender das curtidas nas redes sociais, o Partido Novo pode esperar bons resultados na eleição de outubro. Considerada a sensação da internet, a sigla tem mais de 1,5 milhão de curtidas na sua página no Facebook, mais do que o PT e o PSDB, cada um com 1,2 milhão.
OCP: O que de ‘novo’ tem o partido Novo nesse cenário tão desacreditado da política? 
Eduardo Ribeiro: Posso citar diversos fatores que nos diferenciam, mas em resumo é um partido que entre os 181 fundadores não teve nenhum político, isso faz uma imensa diferença, e não representamos nenhuma religião ou sindicato. Também se diferencia por defender mecanismos para tornar o Estado menor, tirar o poder dos políticos e devolver à sociedade e assim aumentar a liberdade das pessoas, tanto para empreender quanto para se expressar. Nos diferenciamos ainda por não utilizar dinheiro público, que deveria estar indo para saúde, educação e segurança, mas acaba sendo utilizado nas campanhas. O partido é mantido por seus integrantes e é contra coligações. Queremos tirar o Estado de poder dos políticos e devolver à população.
OCP: Como explicar para a maior parcela da população, que precisa de serviços públicos, o que é um Estado menor. Como convencer que isso é bom? 
Ribeiro: Um Estado menor significa foco justamente nos serviços públicos: saúde, educação e segurança, isso é dever constitucional. Mas não é dever do Estado ter petrolíferas e outras estatais que consomem recursos, dão prejuízo porque são  mal administradas e viram cabides de emprego. Também não é função do Estado tirar R$ 1 bilhão do orçamento para dar para os partidos. O Estado deve investir naquilo que as pessoas precisam, deve servir à sociedade.
OCP: Como estão às adesões? O Novo é um partido de empresários? 
Ribeiro: O Novo não é um partido de empresários, mas temos muitos empresários justamente pelo perfil, de quem gera riqueza, inova e enfrenta as dificuldades criadas pela máquina pública. Mas também temos muitos profissionais liberais, como médicos e advogados. Hoje no Brasil temos mais de 17 mil filiados, 930 em Santa Catarina e os números estão crescendo. Nas redes sociais temos mais de um milhão de seguidores, no mundo Ocidental só perdemos para os Republicanos, nos Estados Unidos. Já temos vereador em Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte.
OCP: Qual a meta da sigla para a eleição de outubro? Como fazer campanha sem dinheiro e sem tempo de TV e rádio? 
Ribeiro: Vamos utilizar muito das redes sociais, vai ser um grande diferencial. Também, claro, vamos gastar sola de sapato. A meta é ter uma bancada de 20 a 30 deputados federais. Vamos ter candidato à Presidência, o João Amôedo. Em Santa Catarina não teremos candidatos ao governo do Estado, mas podemos ter concorrente ao Senado. Em Jaraguá do Sul temos um pré-candidato a deputado federal, o Leandro Schmöckel, uma pessoa capacitada para o desafio. Nossa meta maior é ser o partido mais confiável do Brasil e para isso é preciso ser coerente, o que leva um tempo. Temos um mantra que diz que mais importante do que dar certo é fazer certo.
OCP: Como funciona o processo seletivo para escolha de candidatos? 
Ribeiro: É um processo bastante interessante. São várias etapas. A primeira é uma prova online, também tem análise de currículo e a gente pede que o candidato grave um vídeo. Depois ainda acontecem as entrevistas. A avaliação é feita por uma comissão que tem seus integrantes sorteados. Depois dessas etapas, os selecionados precisam se expor, dar palestras, criar páginas e participar de cursos. Queremos que nossos candidatos tenham selo de qualidade, estejam prontos para ser representantes da população.