Poucas vezes Antídio Lunelli foi tão Antídio Lunelli desde que entrou na disputa eleitoral. Na plenária da Associação Empresarial, o prefeito falou sobre números, como a previsão de déficit de R$ 63 milhões nas contas ao fim de dezembro deste ano – já somando os R$ 24 milhões que ficaram a pagar de 2016 – voltou a apresentar sua equipe de secretários e desabafou. Em tom firme e às vezes até cômico, arrancou risadas e aplausos da plateia, que lotou o salão principal do Centro Empresarial. Lunelli falou sem censura – pediu empenho dos servidores, mas criticou aqueles que “não aparecem para trabalhar”, “deveriam ter vergonha na cara”. Disse que sentimento que o dinheiro público não tem dono precisa ter fim e citou o tão criticado ponto facultativo – em que a Prefeitura decreta emenda de feriados - como um problema. “Se o prefeito não dá ponto facultativo, são 500 a 600 atestados na outra semana. Isso é uma vergonha. Vergonha”. Para o empresário, a junta médica também precisa se responsabilizar pelos atestados. Nesse ponto, Lunelli citou a média registrada na Prefeitura, de dois mil atestados ao mês entre os menos de quatro mil servidores. “Qualquer empresa da iniciativa privada já teria quebrado, por isso a iniciativa pública no Brasil está falida”. Segundo apresentação do secretário Argos Burgardt, a ausência dos servidores – foram 24 mil atestados em 2016- gera um prejuízo de R$ 5,7 milhões aos cofres públicos. Para o governo, melhorar as ferramentas de trabalho e o ambiente são medidas necessárias para ajudar a diminuir o absenteísmo. Em outro momento, Lunelli pediu apoio aos empresários e foi aplaudido quando disse que é preciso auxílio do setor na limpeza da cidade e que não é possível que todos fiquem de braços cruzados esperando apenas que o poder público resolva os problemas de Jaraguá do Sul. “A cidade está feia, está horrível, nós estamos com problemas de caixa. Precisamos do apoio de todos”. Antes de encerrar, o empresário também relatou que em alguns casos o poder público fica amarrado em função de leis que engessam o funcionamento da máquina. Disse que já tentou se reunir com o Ministério Público e ilustrou as dificuldades relatando um problema comum de todos os gestores públicos: a chamada disfunção – um servidor aprovado em concurso para desempenhar uma função não pode fazer outra. Lunelli lembrou que dias atrás pretendia mudar algumas divisórias, mas ficou sabendo depois que a pessoa chamada para fazer o trabalho argumentou que só é concursada para mexer com móveis. O desafio de Lunelli a partir de agora será de angariar apoio para tomar as medidas – que ele mesmo chama de impopulares – o quanto antes. Como está não dá para ficar.