A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais não garante ao petista um caminho fácil no Congresso Nacional. A partir de 2027, o presidente terá de lidar com um Legislativo mais à direita e com uma oposição fortalecida, cenário que deve obrigá-lo a ampliar as negociações para conseguir aprovar suas principais propostas.
O PL, partido de Flávio Bolsonaro, será a maior bancada nas duas Casas. Na Câmara, a legenda terá 121 dos 513 deputados federais. No Senado, serão 28 dos 81 senadores, também a maior bancada individual da Casa.
Já a federação formada por PT, PCdoB e PV terá 88 deputados, sendo 70 do PT. No Senado, o partido do presidente contará com nove parlamentares, número distante dos 49 votos necessários para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC).
O cenário fará com que Lula dependa de acordos com partidos de centro e centro-direita, como MDB, PSD e União Brasil. Durante o próximo mandato, o governo também precisará negociar com outras legendas para formar maioria em votações importantes.
Disputa pelo comando do Congresso
Outro ponto decisivo será a eleição para as presidências da Câmara e do Senado, marcada para fevereiro de 2027. Os ocupantes dos cargos têm forte influência sobre quais projetos entram na pauta e sobre o ritmo de tramitação das propostas do governo.
Na Câmara, Hugo Motta (Republicanos) articula a permanência no comando da Casa. No Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil) busca a reeleição, enquanto o PL avalia lançar uma candidatura própria.
O novo Congresso também deve aumentar a pressão da oposição sobre temas como economia, segurança pública e relação com o Supremo Tribunal Federal (STF). No Senado, a força do PL poderá ser especialmente relevante em votações que exigem quórum qualificado.
Assim, apesar da vitória nas urnas, Lula começará o quarto mandato diante de um desafio político diferente dos anteriores: terá de governar sem uma maioria própria no Congresso e negociar com uma oposição mais forte para tirar seus projetos do papel.