Lula: “Com salário”, mulher não precisa de permissão para “comprar batom ou calcinha”

Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

Por: Pedro Leal

12/03/2024 - 20:03 - Atualizada em: 12/03/2024 - 20:17

Famoso – ou infame, dependendo do caso – pelos discursos de improviso, Lula soltou outra fala que repercutiu nesta terça-feira (12). Na solenidade em que anunciou a abertura de 100 novos Institutos Federais de Educação, o presidente Lula afirmou que “com salário” as mulheres não precisam “pedir ao pai” dinheiro para “comprar batom e calcinha”.

“Quando a mulher tem uma profissão, ela tem um salário, pode custear a vida dela. Não vai viver, comer, com um homem que não goste dela. Não vai viver por necessidade, por dependência, vai viver a vida dela e vai morar com alguém se ela gostar de alguém. Vai ter a opção dela, ela vai escolher. Ela não vai ficar dependente. Não vai ficar ‘eu preciso do meu pai me dar R$ 5 para comprar um batom, eu preciso do meu pai me dar R$ 10 para comprar uma calcinha”, declarou o presidente da República.

Apesar do discurso de inclusão que marcou a campanha, a participação feminina no terceiro governo de Lula se mantém no mesmo patamar que a gestão de Jair Bolsonaro, segundo levantamento feito pelo jornal O Globo em novembro do ano passado.

Segundo o jornal, a presença de mulheres é menor ainda em áreas ligadas à segurança pública e economia.

“Em setembro, último mês com informações disponíveis, as mulheres representavam 40,9% dos 37.618 cargos comissionados executivos (CCE) e funções comissionadas executivas (FCE) (…) Em dezembro do ano passado, esse índice era de 40%, em um universo de 36.378 cargos de confiança, patamar também próximo ao de setembro de 2019 (40,1%), no primeiro ano do governo Bolsonaro”, informa o jornal.

Em um espaço de dez meses, três mulheres foram dispensadas do primeiro escalão do governo, com o cargo indo para homens. Daniela do Vaguinho foi rifada do ministério do Turismo e em seu lugar assumiu Celso Sabino; Ana Moser deixou o ministério do Esporte para dar lugar a André Fufuca e Rita Serrano foi demitida da presidência da Caixa e quem assumiu foi Carlos Antônio Vieira.