Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid nesta quarta-feira (29), o empresário Luciano Hang negou sua participação em qualquer "esquema de fake news", alegando ser a vítima da história por "não ter medo de falar a verdade".

Hang abriu a sessão da CPI se recusando a assinar termo de compromisso se comprometendo a responder todas as perguntas da CPI.

Sobre a informação de que seria parte de um "gabinete paralelo", Hang afirmou: "Não faço parte de gabinete paralelo. Nunca financiei esquema de fake news e não sou negacionista".

Antes de se dirigir ao Senado para depor, Hang postou um vídeo nas suas redes sociais dizendo não ter nada a temer e questionando a idoneidade do relator, senador Renan Calheiros.

Em suas colocações, o relator Renan Calheiros (MDB) fez analogia a um circo e ao papel de bobo da corte, sendo interrompido por Flávio Bolsonaro, alegando que o relator estaria ofendendo a imagem do depoente.

"Sou vítima de conjunto de narrativas por não ter medo de falar a verdade", afirmou Hang. O Empresário diz que é perseguido por dar sua opinião e critica a imprensa: "No Brasil, esse crime de opinião não existe", disse Hang.

Ele afirmou ao parlamento que, em 2018, resolver ser ativista político após uma onda de fake news espalhar na internet que sua empresa pertenceria à políticos ou filhos de políticos - na época, mensagens fraudulentas nas redes sociais afirmavam que a Havan pertenceria aos filhos do ex-presidente Lula ou a filha da ex-presidente Dilma Rousseff, e que o nome da empresa seria referência à capital de Cuba, Havana.

O empresário afirmou também que lutou desde o começo da pandemia para manter a economia, enquanto outras vozes diziam que a economia poderia ser sacrificada em prol da saúde pública.

Ele pediu ao Senado para exibir um vídeo institucional da Havan, atitude criticada por senadores que viram o vídeo como propaganda.

Questionado sobre se teria contas no exterior, Hang confirmou que possui contas fora do país e diz que todas estão declaradas na Receita e auditadas. Ele afirmou ter três empresas em paraísos fiscais, mas que estão todas devidamente auditadas.

Mãe

Hang também criticou as citações à morte de sua mãe durante a CPI da Covid. Em resposta, o senador Omar Aziz (PSD) frisou que não foi a CPI que fez uso político da morte da mãe do empresário, apontando para postagens de Hang nas redes sociais de que "se tivesse sido usado o tratamento precoce", sua mãe não teria morrido.

O nome dele apareceu ainda no caso Prevent Senior. Um documento apontou que a operadora omitiu a causa da morte da mãe de Hang.

Segundo a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), não havia nenhuma autorização de pesquisa para a Prevent Senior. Regina Hang morreu um mês depois de dar entrada no hospital com Covid. No atestado de óbito dela, no entanto, a operadora omitiu a Covid-19 como causa da morte.

A CPI continua ouvindo o empresário na tarde desta quarta-feira (29).

Veja os principais trechos do depoimento: