Fotos: Eduardo Montecino/OCP Online
Fotos: Eduardo Montecino/OCP Online
A convocação geral foi feita e a resposta dos brasileiros ao movimento Vem Pra Rua (vemprarua.org) surpreendeu até as previsões mais otimistas, no último domingo (13). Em Jaraguá do Sul, a estimativa é que 36 mil participantes tenham ido á manifestação, que clamava pelo fim da corrupção, renúncia ou impeachment da presidente Dilma Rousseff. O número ficou muito além dos 10 mil previstos pelos organizadores e superou Joinville, a maior cidade do Estado, que registrou 30 mil pessoas.
Antes mesmo das 15h, a Praça Ângelo Piazera estava lotada com as cores da bandeira nacional. Dois bonecos de pano vestidos de presidiários exibiam os rostos da presidente Dilma e do ex-presidente Lula, “presos” dentro de um carrinho de metal, do tipo que é utilizado nos supermercados. Democrática, a Praça recebeu manifestantes de todas as idades e segmentos, com muitas selfies e compartilhamentos nas redes sociais.
Lideranças políticas marcaram presença. Dentre os participantes, o prefeito Dieter Janssen, os ex-prefeitos Irineu Pasold e Ivo Konell, o vice Jaime Negherbon e o ex-vice-prefeito e secretário municipal de Saúde, Alfredo Guenther, além dos vereadores Natália Petry e Eugênio Juraszek.
O chamamento do Centro Empresarial de Jaraguá do Sul (Cejas) surtiu efeito e levou representantes de peso para a rua, como Wandér Weege, Décio da Silva e Bruno Breithaupt. O presidente da Acijs (Associação Empresarial de Jaraguá do Sul), advogado Paulo Mattos, a empresária Cristiane Huffenussler e o presidente do Grupo WEG, Harry Schmelzer, também estavam lá.
O grande número de integrantes do Movimento “O Sul é o Meu País” chamou a atenção. Outro fato foi a ação de um homem alto e magro, com chapéu e camiseta camuflada, que se infiltrou no ato, distribuiu panfletos pró-retorno dos militares ao poder, sob o título “Intervenção Militar Já – SOS FFAA”, iniciativa que não conta com o apoio dos organizadores.
"Todo mundo está preocupado"
O representante comercial Amarildo Batista, um dos organizadores que integra o Movimento Brasil Melhor, credita a grande adesão em Jaraguá do Sul à preocupação com os rumos do país. “O que senti na rua, conversando com as pessoas, é que está todo mundo preocupado com o futuro, com os empregos. A quantidade foi uma demonstração de que querem mudanças”, constata ele salientando que o evento transcorreu ordeiro, pacífico e sem contratempos, fato confirmado pela Polícia Militar.
Em relação à presença maciça do empresariado, incluindo os grandes expoentes, observa que “eles (empresários) passam pelas mesmas dificuldades que os trabalhadores. Vai ficar na história do Brasil essa insatisfação”.
Movimento inédito, diz Paulo Mattos
O presidente da Acijs, Paulo Mattos, que conclamou a participação do empresariado, destaca que o momento é crucial, não somente aos empresários. “Tivemos a participação de todos os níveis e essa discussão afeta cada um”, declarou, reconhecendo que o tema centralizou a pauta da plenária semanal da entidade, na noite de ontem. “O Brasil está parado e a sociedade não pode ficar parada também. Espero que a voz das ruas ecoe no Congresso Nacional, junto aos nossos representantes”, declara. Mattos opina que a melhor saída seria a renúncia da presidente Dilma, ou impeachment, caso as denúncias do desvio de dinheiro da Petrobrás para a campanha eleitoral sejam comprovadas: “Qualquer uma dessas soluções seria melhor do que a letargia que estamos vivendo”, defende.
Presidente do PT sai na defesa de Dilma
Para o presidente do Diretório Municipal do PT de Jaraguá do Sul, Marcel Salomon, a grande mobilização verificada no domingo atendeu “o que os setores que organizaram esperavam”, em referência aos partidos de oposição e à classe empresarial da região. “Não parei profundamente para analisar. Considero importante ir para a rua combater a corrupção, mas 3,6 milhões de pessoas não é suficiente para contrapor os 54% dos votos que a presidente Dilma recebeu na eleição de 2014”, assinala. “Contra a Dilma não há nenhum crime provado para o impeachment. Os grupos de oposição pedem a renúncia, mas ela deve continuar governando. Foi eleita para isso”, defende. Ainda de acordo com Marcel Salomon, nenhum dos líderes da linha sucessória “o vice-presidente, Michel Temer, ou o presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, são opções melhores para o Brasil”.