Por Verônica Lemus Com o inquérito aberto para apurar acusações de caixa 2 contra o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo (PSD), secretários do governo estadual e prefeitos da região avaliam o cenário político e administrativo. Para secretários, é preciso aguardar os resultados das investigações, mas a situação já deverá ter reflexos nas eleições de 2018. Prefeitos se dizem preocupados quanto a possíveis impactos para os municípios. Conforme executivos e ex-executivos da Odebrecht relataram nas delações, Colombo e homens de confiança do governador teriam pedido, entre 2010 e 2015, cerca de R$ 17,1 milhões em doações não contabilizadas a representantes do grupo. O montante seria para financiamento de campanhas do governador e de candidatos do PSD em Santa Catarina, entre outras acusações. O secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável, Carlos Chiodini (PMDB), é cauteloso, dizendo que é preciso aguardar as manifestações da Justiça. “Cabe a eles e a todos os outros citados prestarem os devidos esclarecimentos”, comenta Chiodini. O secretário de Estado da Saúde, Vicente Caropreso (PSDB), ressalta ainda que todos terão chance à defesa e reforça que cada um dos citados tem algo para explicar ou para esclarecer. Caropreso acredita que a situação deverá reforçar um comportamento já visto no eleitor no último pleito municipal. Para o secretário, o eleitorado mostrou que tem buscado conhecer o histórico e trajetória dos políticos. Em relação à disputa eleitoral, Chiodini avalia que haverá reflexos na disputa por conta das acusações contra Colombo e também filiados do PSD, principalmente na hora de formar as composições partidárias. Contudo, acredita que não haverá impacto para o PMDB, que tem projeto de candidatura própria para o governo. Da mesma forma, segundo Caropreso, o PSDB deverá manter os trabalhos para levar um nome às urnas. O pré-candidato tucano é o senador Paulo Bauer. Por meio de nota, o governo do Estado rechaça as acusações. “A versão dos delatores da Odebrecht sobre contribuição para campanha que está sendo noticiada é absurda, carregada de mentiras, ódio e revanchismo. Isso porque em nosso governo não foi celebrado contrato, não foi feito nenhum pagamento, nem foi concedida qualquer vantagem à empresa citada”, afirma o governo, que diz que irá esclarecer todos os pontos de uma eventual investigação. Prefeitos temem dificuldades Assim como os secretários, os prefeitos da microrregião concordam que é necessária a apuração dos fatos e que os envolvidos prestem esclarecimentos, também à população. Osvaldo Jurck (PSDB), de Schroeder, Armindo Sésar Tassi (PMDB), de Massaranduba, e Luis Chiodini (PP), de Guaramirim, contudo, temem riscos aos municípios. “É sempre ruim uma situação dessas, para todos, porque reflete no estado e nos municípios, nos preocupa o andamento dos trabalhos, temos recursos, projetos encaminhados (no governo estadual), e se perde o foco”, avalia Jurck. Além disso, Tassi e Chiodini têm receios quanto a um possível agravamento da crise econômica no Estado em razão de crises políticas, a exemplo do que ocorreu com o país. “Porque o Brasil teve um esfriamento econômico tão somente pelas questões políticas”, afirma o prefeito de Guaramirim. “Já é difícil conseguir recursos e apoio num momento econômico como esse, imagina quando o estado não tem mais credibilidade” diz Tassi. Já o prefeito de Jaraguá do Sul, Antídio Lunelli (PMDB), avalia que, administrativamente, a situação não deverá afetar o relacionamento do governo estadual com os municípios, já que as acusações estão no âmbito da campanha eleitoral, não tendo relação com a gestão pública. O prejuízo que talvez poderá acontecer, pondera Lunelli, será aos envolvidos que eventualmente desejem concorrer nas próximas eleições. “Que seja apurada a veracidade dos fatos, independentemente de partido. E o que está errado que seja punido”, diz Lunelli.