Quem acompanha os bastidores da política jaraguaense pode ou não concordar com os posicionamentos do vereador estreante Marcelindo Gruner, eleito pelo PTB no ano passado, com 2.092 votos. O que não dá para negar é que ele é um líder de governo como poucos. Não foge da raia nas dificuldades e nem teme desgastes. Poucos prefeitos puderam contar com uma retaguarda tão eficiente. Gruner comandou a base aliada de Antídio Lunelli (PMDB), em meio às necessidades de ajuste econômico no primeiro semestre do ano. Em entrevista à coluna ontem, disse que se posicionou tendo convicção que as mudanças eram necessárias e que tanto os vereadores quanto o prefeito agiram pensando nos 170 mil moradores. “O momento da cidade, do país, é outro. Não dá para fazer política responsável beneficiando este ou aquele grupo”, resumiu. Autor de mais de 230 de um total de 1.400 indicações aprovadas pela Câmara neste ano, a maioria para patrolamento de ruas, pavimentação, troca de tubulação e construção de creches, Gruner critica a polêmica em torno da quantidade de reivindicações do Legislativo apresentadas ao Executivo e defende que este é um instrumento para o vereador sinalizar ao governo o que precisa ser feito. “A prioridade dentro do orçamento quem vai decidir é o Executivo”, alega. Com um material em mãos que resume seu trabalho no primeiro semestre do ano, o parlamentar diz ainda que sua função de líder de governo deixa pouco espaço para que possa divulgar suas ações na tribuna. Segundo ele, a rotina é puxada. Servidor de carreira, Gruner continua com suas atividades na Prefeitura, participa das programações da Câmara e reserva as noites para as reuniões políticas nas comunidades. Aos 45 anos, Marcelindo Gruner é pai de três filhos e uma das suas preocupações é justamente com os jovens. Na visão dele, o poder público não poderia patrocinar eventos com bebida alcoólica. Uma das ações que ele destaca foi o projeto de lei que alterou a Semana da Juventude e também a indicação para que o Executivo crie legislação especifica para incentivar a contratação e jovens na iniciativa privada. Outra de suas bandeiras, a agricultura, ganhou força com o projeto de lei que criou o Cinturão Verde, com objetivo de facilitar a profissionalização dos produtores. Na entrevista a seguir, o parlamentar fala ainda sobre o possível aumento no número de vereadores, o processo de investigação contra Arlindo Rincos e diz que a modernização iniciada pelo governo vai transformar Jaraguá do Sul. https://www.facebook.com/ocorreiodopovo/videos/1662948717050239/ -O senhor é o comandante da base aliada na Câmara. Depois de um primeiro semestre turbulento, a expectativa é encerrar o ano com um clima mais positivo? Mais tranquilo, sim. Os ajustes necessários nós fizemos no primeiro semestre. Inclusive com ajustes impopulares para alguns setores. Mas vamos começar a colher os frutos das medidas difíceis. Digo que não sou defensor do governo, mas defensor das propostas para fazer a cidade voltar a crescer, girar a economia. Ter uma expectativa de dias melhores para todos. -Como avalia a largada da administração e da própria legislatura? Foram mais acertos do que erros. É um governo novo, que quer fazer funcionar. Algumas coisas não andam como a gente quer, mas com certeza foram muito mais acertos. -A Câmara volta mais uma vez a discutir, pelo menos internamente, a possibilidade de aumentar o número de vereadores. O senhor já disse que antes vai conversar com o partido, mas qual a sua opinião? Veja, eu sou uma liderança comunitária e toda época de eleição é a mesma história, o cidadão quer eleger um vereador do seu bairro. Mas, depois, quando entra nessa discussãosobre o número de vagas e consequentemente aumento da representatividade, a comunidade é contra. Temos um antagonismo nessa situação. Antes de assumir eu me posicionei de uma maneira, mas hoje vejo de outra. Só que a crise econômica dificulta este debate. Vai chegar o momento, mas tem que ser uma coisa às claras. Nada de votar escondido. -Mas acredita que a proposta pode ser votada e aprovada neste ano? Acredito que não. - O senhor preside a comissão processante que investiga denúncia contra Arlindo Rincos, pelo que acompanhou dos trabalhos, diria que existe prova para embasar a cassação? Ainda estamos trabalhando internamente. Só vou ter uma resposta para essa pergunta quando o relatório estiver pronto, dentro de uns 15 dias. -A decisão vai ser política ou meramente técnica, embasada em provas ou indícios? Estamos partindo para questão técnica. Não temos nada contra ninguém, seja do partido que for. O que interessa para comissão são os materiais juntados. Vamos considerar indícios e provas. Essa legislatura é campeã de indicações. A classe empresarial e o próprio prefeito já criticaram essa enxurrada de reivindicações, cerca de 1.400 só até agora. È nossa prerrogativa. Se o vereador quiser fazer mil, duas mil indicações, ele que faça. Vejo esses comentários como inoportunos. Nós temos que ver qual é o papel do vereador, se não é esse, temos que mudar na Constituição. Vereador já não pode quase nada, não pode apresentar projeto que gere sequer um real de despesa. Mas concorda que é preciso modernizar os processos? Essas indicações geram semanalmente centenas de folhas de papeis que ficam perdidas nas gavetas. A estrutura está defasada, tem que ser mais dinâmica, mais online, gerar menos papel. Venho cobrando isso desde janeiro isso. Concordo em fazer economia, mas não economia burra. Aquilo é a casa do povo, vamos investir para prestar um melhor trabalho. Temos que ter mais facilidade para levantar e organizar as informações. Hoje estamos mais perdidos do que cego no meio e tiroteio. Qual deve ser a marca da gestão de Antídio Lunelli na sua visão? A reestruturação do poder público municipal em todos os sentidos, o que já aconteceu e o que está acontecendo. Nós pegamos a Prefeitura em uma situação precária. Ninguém sabia o que se fazia lá dentro e não se trata de falar desse ou daquele governo. Com o novo sistema que está sendo implantado, tudo fica mais ágil. Isso é bom para o próprio servidor. Te digo uma coisa, o gestor daqui a três mandatos é quem vai colher  os frutos disso tudo, vai ser uma Jaraguá do Sul antes e outra depois de Antídio Lunelli.