A deflagração da 9ª fase da Operação Compliance Zero, nesta quinta-feira (18), trouxe à tona novas suspeitas envolvendo o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Segundo a Polícia Federal, o parlamentar teria sido beneficiado por repasses financeiros que somariam R$ 3,5 milhões, além da obtenção de um apartamento de alto padrão em Salvador, por meio de uma suposta estrutura destinada a ocultar a real titularidade do bem.
De acordo com informações divulgadas pela Jovem Pan News, a investigação identificou tratativas entre Wagner e Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, sobre a aquisição da unidade 1702 do empreendimento Poème Horto, localizado no Horto Florestal, uma das áreas mais valorizadas da capital baiana. Mensagens citadas na decisão do ministro André Mendonça mencionam o imóvel e o valor de R$ 2,45 milhões.
A PF afirma que as negociações continuaram mesmo após o início das investigações da Compliance Zero, com troca de documentos, videoconferências e contatos com operadores financeiros e jurídicos. Os investigadores apontam que os envolvidos teriam atuado para regularizar a situação do imóvel enquanto a apuração já estava em andamento.
Ainda segundo a decisão judicial, um episódio ocorrido em maio de 2025 reforçaria a suspeita de ocultação patrimonial. Wagner teria solicitado informações sobre o proprietário formal do apartamento para a emissão de documentos técnicos necessários a obras no local. Para a PF, o fato sugere que o imóvel estaria vinculado a terceiros apenas formalmente, enquanto a empresa Epítome S.A aparece como adquirente oficial da unidade.