Em audiência pública na terça-feira (4), os vereadores de Jaraguá do Sul debateram com as direções dos hospitais São Jose e Jaraguá o preço cobrado pelos exames de imagens e de estacionamento. O Hospital Jaraguá poderá discutir a criação de uma tabela social de exames para pacientes do SUS.

O encontro de terça-feira foi proposto pelo vereador Jackson Ávila (MDB). A partir de relato de pacientes que o procuraram, os preços cobrados pelos exames de imagem como ressonância magnética, ultrassonografia e tomografia são mais caros dos que os praticados em outras cidades, como Florianópolis.

As mesmas reclamações também seriam feitas ao valor da hora do estacionamento, principalmente do Hospital São José, que é de R$ 4,25 a hora, mais alto do que o valor do Hospital e Maternidade Jaraguá, que é de R$ 3.

Com o debate, Ávila buscou os motivos para que os preços dos exames em Jaraguá do Sul sejam mais altos do que o de outras cidades. Ele citou como exemplo o exame de tomografia, que custaria R$ 190 em Florianópolis, mas nos hospitais de Jaraguá o valor é R$ 450.

Outro exemplo é a ressonância magnética. Segundo levantamento do vereador, o exame pode ser feito por R$ 360 na Capital, enquanto que em Jaraguá o valor varia entre R$ 785 no São José e R$ 850 no Jaraguá. O vereador também lembra que, pelo São José, o preço da ressonância é menor para quem tem a requisição do SUS.

O diretor administrativo do Hospital São José Maurício Souto-Maior, explica que a entidade  se trata de uma entidade privada, prestadora de serviços, como uma empresa. Por isso, ele explica, é preciso haver equilíbrio entre o que o hospital arrecada e o custo que é para manter a estrutura, tanto física e de equipamentos, como de pessoal.

Representando o Hospital Jaraguá, a relações de mercado Josiane Gonzaga complementou que há diferenças entre o município e a cidade de Florianópolis, que influenciam no preço dos serviços prestados.

“Eu entendo que de uma cidade para outra tem outras questões que a gente tem que analisar também, como [o tamanho da] população da cidade, o PIB [Produto Interno Bruto] da cidade, a renda da cidade”, ela disse.

Além dos custos operacionais, os representantes dos dois hospitais destacam a qualidade do serviço e dos equipamentos para a realização dos exames, o que também gera custo alto para manutenção.

Souto-Maior também ponderou que em relação aos valores dos exames cobrados pelo hospital no particular se tratam de questões de mercado, como é em outras empresas privadas, o que não estaria dentro dos assuntos que cabem ao Legislativo discutir.

Tabela social

O vereador Ávila explicou que questiona as diferenças nos preços dos exames porque entre as pessoas que buscam os procedimentos nos hospitais de forma particular estão usuários do SUS (Sistema Único de Saúde).

Segundo o vereador, seriam pacientes que acabam desistindo de esperar para fazer seu exame gratuitamente pelo SUS, devido à demora das filas de espera, pela urgência em receber seu diagnóstico.

O parlamentar sugeriu a criação de uma tabela social de valores com preços mais baixos aos pacientes com renda de até dois salários mínimos.

A representante do Hospital Jaraguá Josiane Gonzaga disse que é possível discutir a proposta. Ela ponderou que seria preciso fazer um levantamento para traçar o perfil socioeconômico da população que tem essa demanda e também considerou que talvez não seja possível atender a todos.

Uma das possibilidades seria oferecer um certo número de vagas e criar uma agenda com alguns horários destinados para atender a essas pessoas.

Já sobre o Hospital São José, a assessoria de comunicação da entidade informa que o Centro de Imagem da entidade “há muito tempo” já possui uma tabela social para pacientes do SUS, com valores diferenciados.

São José discute mudanças no estacionamento para pacientes do pronto socorro

Durante a audiência, o preço cobrado pelos estacionamentos dos hospitais de Jaraguá do Sul também foi discutido. O vereador Arlindo Rincos (PSD) levantou a possibilidade de o Hospital São José fazer um modelo de cobrança diferente aos pacientes que vão ao Pronto Socorro.

Estacionamento para pacientes do Pronto Socorro do Hospital São José poderá ser diferenciado | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Rincos relatou que os pacientes que buscam esse atendimento são classificados de acordo com a urgência e emergência do quadro clínico. Nessa regulação, alguns pacientes acabam esperando mais pelo atendimento, já que o quadro não é grave. Nesses casos, o vereador entende que poderia haver uma cobrança diferenciada.

O diretor administrativo da entidade Maurício Souto-Maior informou que essa questão do fracionamento dos usuários do hospital, principalmente do Pronto Socorro, já está sendo tratada internamente. “Em breve teremos desdobramentos, para poder fracionar de maneira mais adequada”, disse ele.