Quanto menos leis, mais progresso. É assim que o deputado federal eleito Gilson Marques (Novo) resume uma das suas principais bandeiras de trabalho, que deverá nortear seu futuro mandato na Câmara dos Deputados, quando assumir a cadeira em 1º de fevereiro de 2019.

Eleito para seu primeiro mandato na política, Marques, 37 anos, é advogado e empresário, sócio de um escritório de advocacia em Pomerode (SC). Embora sua base eleitoral esteja no Vale do Itajaí, ele garante que como deputado federal irá representar toda Santa Catarina.

“Me incomoda quando dizem que o Gilson é deputado de Pomerode, ou o único do Vale do Itajaí, é tudo lorota, porque fiz votos em 204 municípios dos 295 municípios catarinenses. Quero dizer que sou o deputado federal mais liberal do estado, único do Novo e eu represento Santa Catarina”, declarou, em entrevista ao OCP, nesta quarta-feira (21).

Confira a entrevista completa com o deputado:

Sobre as reformas em discussão no Congresso, uma delas a da Previdência que o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) já disse defender, como você pretende se posicionar?

As pessoas me perguntam se sou a favor ou contra a reforma da Previdência, essa nem é a pergunta correta, a correta seria se ela precisa ser feita ou não, ou quando vai ser feita. Ela é emergencial e precisa ser feita o quanto antes, a gente já gasta mais com Previdência do que com saúde e educação.

O que precisa melhorar um pouco são algumas coisas ainda desajustadas, por exemplo, precisa ter isonomia entre setor público e setor privado, precisa mexer na aposentadoria dos militares, mas quanto antes for feita a reforma, melhor para todo mundo.

Em relação a outras reformas, como a tributária e a política, você pretende levantar as discussões ou entrar nas discussões que já vêm sendo feitas?

Essas perguntas que você está me fazendo, sobre votação, ao contrário do que as pessoas pensam, é um trabalho de plenário que é só um percentual de todo o trabalho de um deputado federal. [O trabalho] É muito mais em comissões, em que ele tem uma parte mais atuante, as frentes parlamentares.

Uma coisa que eu quero fazer muito é a fiscalização do Executivo, liderar movimentos, representar Santa Catarina em, por exemplo, na melhora do pacto federativo. Essas questões [reformas] são muito importantes, mas se a gente não conseguir – apesar de querer muito fazer o quanto antes a reforma trabalhista, tributária, política que são necessárias – dá para fazer muita coisa além disso, porque essas coisas dependem do presidente da Casa colocar em pauta, e ele ainda nem foi escolhido.Com relação a privilégios, é um dos desejos da população, que se refletiu nessas eleições, de combatê-los. Você também já tinha anunciado que não usaria parte das verbas de gabinete e já recusou auxílios como o de moradia. Como você pretende atuar como deputado com relação a esse tema?

A renúncia [pessoal] de privilégios e mordomias tem consequências boas. A primeira é que ela afasta o político canalha de ser candidato pelo Novo, porque geralmente político quer cargo pela mordomia e privilégio, aquela sensação de que é um senhor feudal, isso tem que acabar.

Outra consequência positiva é que quando você renuncia, corta de si mesmo, é só assim, através do exemplo, e constrangendo os outros, que você tem força e autoridade para cobrar os mesmos cortes dos outros, e aí se faz economia.

Como poderia replicar isso aos demais parlamentares, para além do exemplo de uma iniciativa? Seria, por exemplo, mexendo na legislação?

A ideia de criar uma lei para isso é equivocada, na verdade, você tem que tirar a lei que concedeu [os auxílios]. A verdade é que quanto menos leis, mais progresso, só existe progresso onde não existe lei e regulamentação, é por isso que Airbnb e Uber funcionam, porque não têm taxação, não têm regulamentação, não têm atrapalhamento por parte do Estado. E essas leis que prejudicam, por exemplo as que concedem esses privilégios, elas têm que ser revogadas.

Foto Eduardo Montecino/OCP News

Claro que isso é o que a gente mais quer, o problema é que depende da maioria das pessoas que estão lá, e como a maioria utiliza e gosta, provavelmente a gente não vai conseguir isso de uma maneira tão fácil, simples e rápida. Para isso, precisa de pressão por movimentos sociais, das pessoas, da mídia.

E sobre a situação econômica do País e também do Estado, como você acha que poderá contribuir a partir do seu mandato?

A gente precisa equilibrar contas, o Brasil não aprendeu o que se ensina a uma criança de sete anos dando uma mesada pequena, de que o dinheiro só dá para usar para uma coisa ou outra, é preciso que as contas sejam pagas com o dinheiro que tem e não imprimir dinheiro, o que só gera inflação, e não criar mais Estado, quer dizer, mais cargos, mais órgãos, mais ministérios.

Em relação ao empreendedorismo, existe um estudo que mostra o percentual de tributos que ainda incentiva os empreendedores, que é de 33%, porém, o Brasil está em 38%, beirando os 40%, isso significa que não existe mais estímulo para empreender. Então, precisa reduzir burocracia, reduzir tributos, reduzir o Estado e as pessoas têm que acreditar nelas mesmas.

Você planeja deixar o suplente de deputado federal do Novo Leandro Schmöckel assumir?

Eu não pensei sobre isso, na verdade. Não quero dizer que não, mas eu não pretendo abandonar minha cadeira, até porque existe aí uma continuidade do trabalho, mas sinceramente não pensei sobre isso.

Mas o que eu poderia responder, caso acontecer por uma fatalidade, ou por uma doença, ou por estratégia, seria realmente sensacional porque o Leandro é espetacular, tem futuro brilhante. Ele tem o mesmo pensamento que o nosso, que o meu, porque o Novo tem disso, na verdade não é o Gilson que é deputado federal, é um time de pessoas que pensam igual.

O que você pensa das primeiras medidas e anúncios de Bolsonaro, como nomeação de ministros, alterações de ministérios, privatizações em vista?

Foram vários anúncios, e sem dizer especificamente de um deles, mas a maioria deles, se não todos, é só notícia boa, na verdade me surpreende como temos notícias boas. Eu estou esperançoso, feliz e acho que a gente está começando com o pé direito. Inclusive ele tem falado coisas que até são impopulares, mas que são a coisa certa a se fazer, por exemplo a reforma da Previdência, privatização.

Então, bem ou mal, muitas das coisas que ele está falando, por exemplo a reforma trabalhista, existe uma visão totalmente equivocada e comercial de que são coisas ruins e são impopulares, mas mesmo assim ele está dizendo que vai fazer e eu estou muito feliz por isso, porque o Brasil precisa é que seja feita a coisa certa por mais que não agrade.

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