“Temos que fazer uma reestruturação total do Estado, enxugando a máquina pública extinguindo mais de 1.200 cargos comissionados. Só assim conseguiremos reequilibrar as contas do Estado e investir no que realmente faz a diferença na vida dos catarinenses: segurança pública e saúde”. Foi dentro desta perspectiva que o deputado estadual Gelson Merisio (PSD) explanou suas propostas como pré-candidato ao Governo do Estado e fez um balanço das atividades como parlamentar, a representantes de classes e jornalistas na manhã desta sexta-feira (16). O encontro foi realizado na Amunesc (Associação dos Municípios do Nordeste de Santa Catarina), em Joinville. Esta foi a sexta edição da sabatina que é promovida pelo deputado em várias regiões de Santa Catarina. O evento reuniu dezenas de pessoas, entre eles o governador em exercício Eduardo Pinho Moreira (PMDB), o deputado federal Esperidião Amin (PP), os deputados estaduais do PSD de Joinville, Darci de Matos e Kennedy Nunes, e vereadores que acompanharam a sabatina da plateia. Durante pouco mais de uma hora, Merisio respondeu a uma série de perguntas livres elaboradas pelos seguintes convidados. A presidente da Apae de Joinville, Heloisa Oliveira; o presidente da Associação de Joinville e Região de Pequenas, Micro e Médias Empresas, Victor Kochella; o presidente da Associação Empresarial de Joinville, Moacir Thomazi; o secretario-executivo da Amunesc, Vanderson Soares; o vice-presidente da Câmara dos Dirigentes Legistas de Joinville, José Manuel Ramos; e os jornalistas da RICTV Record Joinville, Helber Sá; da rádio Colon, Toninho Neves; do Jornal Notícias do Dia e TV da Cidade, Luiz Veríssimo, e do Jornal de Joinville, Windson Prado. Entre as falas do pré-candidato, o discurso de que o próximo governador terá de tomar medidas extremas chamou a atenção. “Precisamos fazer estas mudanças importantes na gestão devido à imposição de caixa. Teremos um novo modelo para colocar em prática, no qual o contato entre as cidades e o Governo do Estado será por meio dos deputados e vereadores. Vamos acabar com a geografia das urnas e cargos comissionados indicados por partidos e deputados. Isto tudo inviabiliza minha reeleição, por isso, afirmo que quero ser candidato de um mandato só”, finalizou. A próxima sabatina acontece quinta-feira (22), em Mafra, e sexta-feira (23), em Videira. Confira trechos das respostas de Gerson Merisio durante a sabatina Segurança pública
“Me parece que é muito mais do que uma questão de polícia. A segurança pública deve ser grande mote para os próximos anos. Precisamos retomar o controle do Estado na promoção da segurança. Para isso, temos que dobrar o número de policiais, que hoje são de cerca de 5 mil. Santa Catarina precisa de 10 mil a 15 mil policiais. Também são necessários um forte investimento de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões em tecnologias. Além disso vamos promover o fortalecimento e integração das instituições, construindo distritos de segurança que permitam, por meio de indicadores confiáveis, traçar metas e trabalhar com meritocracias. Esta conta será paga desativando os cargos comissionados do Governo. Hoje são 1.400, queremos reduzir em 1.200. Isso já nos deixa em caixa, recursos para pagar 2,5 mil policiais. Vamos enxugar o serviço público para investir no que realmente importa e faz a diferença na vida das pessoas”.
  Saúde
“A melhor forma do Estado ser justo com o Joinville na questão da saúde é assumir o Hospital Municipal São José, seja num primeiro momento custiando a folha de pagamento, e posteriormente, o hospital em sua plenitude. É impossível uma prefeitura que gaste 43% do orçamento com saúde – na manutenção do hospital – conseguir investir em outras áreas como asfalto, construir creches, por exemplo. O Hospital atende a toda a região, por isso tem que ser de responsabilidade do Estado. Este é um compromisso que quero fazer com Joinville”. “A administração dos hospitais do Estado também precisa ser revista. Eu, sinceramente, prefiro atuar na gestão destas unidades por meio de entidades filantrópicas, que não tem apenas o processo econômico envolvidos como norteadores, ao contrário das organizações sociais. Não sabemos qual é o melhor modelo, mas sabemos qual é o pior, a gestão pelo Estado que por meio da burocracia impede a resolubilidade imediata de várias situações. Me parece que os dois primeiros são o melhor modelo a ser seguido”
Infraestrutura
“Passamos por uma crise profunda na economia brasileira que refletiu muito na receita do Estado. Conseguimos superá-la sem aumentar impostos e atrasar salários, este talvez tenha sido o maior legado deste segundo mandato do governo Raimundo Colombo. A receita menor impactou em vários setores, entre eles a infraestrutura. Hoje, Santa Catarina tem uma malha viária que ficou com 25 anos com pouca ou quase nenhuma manutenção. Nos últimos 4 ou 5 anos o Estado contraiu financiamentos de 4 bilhões e conseguiu recuperar 55% de nossas estradas. Faltam 45%, só que daqui há seis ou sete anos, estas estradas que foram recuperadas, precisarão novamente de manutenção e o Estado ainda vai estar pagando o financiamento. Ou seja, com este modelo que temos hoje não vamos ter qualidade viária. A saída será tarifar as rodovias”.
Extinções das ADRs e Fortalecimento das associações municipais
“Entendo que a descentralização do Governo do Estado ocorre nos municípios. Não tem sentido o Estado fazer uma obra que o município pode fazer e fiscalizar com o repasse de recursos. As obras que transcendem as barreiras dos municípios devem ser feitas por meio de consórcio municipais, estruturados nas associações de municípios. O Estado será um sócio das associações para que ele possa contribuir com projetos e financiamentos”.
Turismo
“Precisamos criar roteiros regionais que levem o turista a diversas cidades. Por exemplo, se ele vem a Joinville e quer ir também a Blumenau, vamos fazer com que ele passe e aproveite os parques de Jaraguá do Sul, a gastronomia de Pomerode. Para isso, precisamos conhecer quem são nossos turistas. Neste sentido, o Estado surge como um grande apoiador institucional na promoção do turismo”.
Região metropolitana
“Entendo que esta região só pode ser feita onde há condições naturais para isso, isto é, em locais que há a confluência do sistema viário, de água, do dia-a-dia das cidades. Fora disso ela é mais um agente administrativo para se contrapor ao modelo já existente. No caso de Joinville acho que há esta condição, mas ela só pode existir se houver melhoria na qualidade de vida das pessoas e não pode ser um mostrengo administrativo”.
Educação especial
“Temos que construir uma nova Apae em Joinville. Já temos um projeto, queria fazer isso via Alesc em 2016, mas isso não foi possível. Conheço bem as necessidades e o trabalho das Apaes, até porque tenho um filho que é autista. O Estado precisa participar de forma mais ativa, fortalecendo a educação especial no Estado. Eu sou um grande aliado nisso, sou um contribuinte e um colaborador, podem ter certeza disso”.
Eleições
“Temos um entendimento avançado com o Partido Progressista. Compartilhamos das mesmas raízes, convicções e compreensão do Estado. Tenho absoluta certeza que estarei com lado de Esperidião Amin (PP) na próxima eleição. As circunstâncias até lá vão nos dizer se eu serei vice, ele titular, ou até mesmo termos Ângela Amin na chapa. Mas os partidos estão muito próximos e temos o apoio do PSB. Seremos uma opção de mudança para o eleitor”.