O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmou que viajará aos Estados Unidos na próxima semana para defender o Pix. Em vídeo publicado nas redes sociais na quinta-feira (2), o parlamentar declarou que o sistema de pagamentos é brasileiro, não cobra taxas e que “ninguém mexe” nele.
Segundo Flávio, esta será a segunda viagem ao país com esse objetivo. Ele afirmou que já tratou do tema anteriormente em encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e com o secretário de Estado, Marco Rubio. A declaração ocorre após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmar que a família Bolsonaro estaria tentando entregar o Pix a “interesses estrangeiros”. Em resposta, Lula disse que o sistema é uma conquista do Brasil e que o governo não abrirá mão dele.
Na quarta-feira (1º), Flávio também enviou uma carta ao governo norte-americano na qual classificou o Pix como uma das marcas do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. No documento, o senador afirma que o sistema representa um avanço tecnológico, compara sua estrutura ao FedNow, administrado pelo Federal Reserve, e argumenta que o Pix não concorre comercialmente com empresas privadas. Ele também propôs que o sistema não seja integrado a plataformas de pagamento internacionais não ocidentais e sugeriu a redução da carga regulatória e tributária sobre meios de pagamento privados.
A discussão ocorre após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) divulgar um relatório que cita o Pix entre os pontos considerados barreiras ao comércio exterior. O documento afirma que há preocupações de empresas norte-americanas com um suposto tratamento preferencial dado ao sistema brasileiro, além de listar outros temas, como demora na análise de patentes, tarifas sobre o etanol, restrições à carne suína dos EUA, cotas para produções audiovisuais brasileiras e impostos sobre remessas internacionais.