Ex-assessores de Janones dizem que repasse a deputado chegava a 60% e incluía até 13º

Paulo Sergio/Câmara dos Deputados

Por: Pedro Leal

29/11/2023 - 15:11 - Atualizada em: 29/11/2023 - 15:47

Dois ex-assessores do deputado André Janones (Avante-MG) relatam que o parlamentar cobrava funcionários lotados em seu gabinete na Câmara a repassar parte dos seus salários.

As informações são do Jornal O Globo.

Em entrevista ao diário, Cefas Luiz Paulino e Fabrício Ferreira de Oliveira disseram que a prática, conhecida no mundo político como “rachadinha”, envolvia até mesmo os valores recebidos como 13º e chegava a 60% dos vencimentos.

A suspeita de rachadinha no gabinete de Janones é investigada pela Polícia Federal desde 2021. Em áudios divulgados na segunda-feira pelo site Metrópoles, o deputado diz que os servidores deveriam usar uma fatia dos salários recebidos da Câmara para pagar dívidas de campanha.

Janones nega qualquer irregularidade. Ele afirmou nas redes sociais que o pedido revelado na gravação foi feito ainda antes de se eleger, em 2018, para pessoas que ainda não trabalhavam em sua equipe e que não colocou a sugestão em prática, já que a ideia foi “vetada” por sua advogada.

De acordo com Paulino, que trabalhou no gabinete de fevereiro de 2019 até outubro de 2022, com salário de R$ 19.562, os pedidos para repassar parte do seu salário começaram no início de 2019, logo após Janones assumir o seu primeiro mandato. O parlamentar foi reeleito no ano passado.

Segundo o ex-funcionário, a responsável pela arrecadação dos recursos juntos aos assessores de Janones era Leandra Guedes (Avante), atual prefeita de Ituiutaba, em Minas Gerais, e aliada de confiança do parlamentar.

Ainda de acordo com o ex-funcionário, Janones passou a pedir aos servidores que pagassem despesas pessoais do deputado, em vez de enviar parte do salário diretamente a ele. Paulino, no entanto, diz que não chegou a repassar os valores.

Lotado no gabinete de Janones entre fevereiro de 2019 e dezembro de 2021, Oliveira diz que, além das despesas, os servidores eram obrigados a fazer doações ao Avante, partido do qual Janones faz parte.

O ex-assessor contou ter começado a trabalhar com o deputado ainda em 2018, de forma voluntária, e ter passado a integrar o seu gabinete em 2019, após a eleição. Ele deixou o gabinete do parlamentar em dezembro de 2021, com um salário de R$ 9.460.

Como noticiou o colunista Lauro Jardim, o PL do ex-presidente Jair Bolsonaro vai pedir a cassação de Janones no Conselho de Ética da Câmara e também no Supremo Tribunal Federal (STF).

Além de acusá-lo de rachadinha, o PL também vai usar como base do pedido de cassação as informações que constam no livro de Janones, que revelam que ele difundiu fake news durante a campanha eleitoral de 2022.