Candidato do PSD, Gelson Merisio é administrador e ex-presidente da Assembleia Legislativa. Foi o deputado estadual mais votado da história do Estado.

Merisio é o segundo candidato ao Executivo estadual na série de entrevistas da Cobertura Eleições SC 2018 - Jornais Impressos e Digitais, que está sendo realizada em parceria pela Associação de Diários do Interior (ADI-SC) e pela Associação dos Jornais do Interior (Adjori-SC), com participação do SC Portais, da RCN Online e de veículos independentes.

Na semana passada, o entrevistado foi o candidato do PT,  Décio Lima. Na semana que vem, você conferirá entrevista com o candidato Mauro Mariani (MDB).

O senhor diz que deseja um Estado seguro. Ambiental e juridicamente, e também do ponto de vista de ataque ao crime organizado. Que Santa Catarina quer construir, deste ponto de vista?

O Estado tem problemas na saúde, tem demanda na educação. E tem uma decisão para tomar. Ou nós enfrentamos as facções, o crime organizado agora, ou perderemos o controle, como já perdeu o Rio de Janeiro. Nós temos que ter primeiro aumento do efetivo.

 

Vamos reconvocar e trazer policiais da reserva. Trazer tecnologia, e nisso vamos investir R$ 2 bilhões. Monitoramento, inteligência, e, no caso dos presídios, o controle do fluxo de informações.

Isso do ponto de vista da segurança pública. E da segurança jurídica?

Segurança jurídica é respeitar contratos. Não fazer nenhuma medida intempestiva como foi feita recentemente, a Medida Provisória 220, que alterem contratos em vigor e, portanto, quebrem a relação de confiança do investidor com o Estado.

Outro aumento de efetivo é proposto para a área ambiental. Também para garantir a segurança jurídica?

Na área ambiental, são duas questões relevantes. Primeiro, ela tem que ser muito criteriosa na concessão de licenças. Nós vamos aumentar drasticamente o número de técnicos, de especialistas. Nós temos hoje R$ 70 bilhões de investimentos parados, aguardando licenciamento ambiental.

 

Isso não quer dizer que os R$ 70 bilhões precisam ser autorizados. Eles precisam ser negados ou autorizados. O que não pode é ficar por anos aguardando uma posição.

Qual é a prioridade na saúde e como atingir o patamar mínimo destinado para a pasta considerando a situação financeira do Estado?

Primeiro, a situação financeira do Estado é muito melhor do que a atual gestão está apregoando.

 

O que nós temos é pouca geração de caixa para investimentos. Nós precisamos ter projetos estruturados com sustentabilidade econômica que permitam pagamento no longo prazo.

 

Bons projetos que melhorem a infraestrutura, que melhorem a competitividade e, por consequência, melhorem a arrecadação. Este aumento de receita paga o financiamento.

Inclusive com renúncia fiscal?

Renúncia fiscal é uma ferramenta que o Estado tem para ser competitivo frente a outras regiões.

 

O que pode e deve se discutir é como ficar mais transparente, como avaliar e o período para cada setor e cada segmento.

 

Agora, diminuir a desoneração fiscal é aumentar a carga tributária e isso nós somos radicalmente contra.

O senhor falou que não existe corpo saudável com dedo doente. Se referindo a quatro regiões...

À miséria extrema, que está pulverizada em todas as cidades de Santa Catarina de forma invisível. É uma família em cada canto da cidade.

 

Com relação à pobreza e aos indicadores abaixo da média, caso do Extremo-sul, Extremo-oeste, Planalto Serrano e Planalto Norte, nós temos que criar cinturões de desoneração fiscal pelo prazo de dez anos para as empresas ou as indústrias que forem se instalar lá.

 

Depois de construída uma nova matriz industrial e econômica, você pode retirar o benefício que ela já tem vida própria.

O Estado tem dificuldade para investir em rodovias. Nesse sentido, como retomar este ciclo?

Nós vamos fazer um processo de capitalização com o BRDE. E vai ser dividido entre o setor privado e o setor público. No setor público, um mix entre Estado e prefeituras para, em conjunto, fazermos um investimento de R$ 6 bilhões ou R$ 7 bilhões.

 

Nós temos capacidade de financiamento a longo prazo. Nós temos, hoje, mais de 50% do patrimônio líquido em endividamento e o Banco Central permite até 200%.

 

Critério nas obras que serão financiadas, que serão investidas, é fundamental. Elas têm que ter um retorno econômico seguro.

Investimento essencialmente em rodovias?

Infraestrutura rodoviária. Ferrovia é uma utopia. Com todo respeito, falar em ferrovia sem conseguir duplicar a BR282 e a BR-470 é brincar com a população.

 

Primeiro, vamos falar em duplicar a 282 e a 470. Depois que nós tivermos o projeto pronto, e a execução pronta, aí poderemos falar em ferrovia.

 

Porque é uma excrescência falar em uma ferrovia, que custa sete vezes uma rodovia que nós não conseguimos duplicar, uma artéria do desenvolvimento de Santa Catarina.

Sobre o ensino médio profissionalizante. Como o senhor pretende lidar com a questão de evasão que preocupa bastante?

Preocupa porque nós temos as mesmas práticas de ensino de 100 anos atrás. Isso não atrai mais o jovem para dentro da sala de aula.

 

Imaginar turno estendido, tempo integral, sem um aprofundamento na ferramenta de ensino envolvendo as tecnologias nos processos é uma causa sem ganho.

 

No Brasil se construiu uma estratégia do ensino médio ser uma ponte para a universidade. Precisamos continuar com a ponte universitária, mas também o ensino médio preparar para o mercado, com escola técnica apropriada.

Qual vai ser o tratamento com as ADRs?

Elas vão ser extintas na sua plenitude. Mas não por rancor. Ao contrário. Por uma visão que eu tenho que elas representam um Estado ultrapassado.

 

Onde a tecnologia não é aplicada e onde se gasta muito nos processos administrativos intermediários e sobra pouco para o serviço. Nós temos uma indústria 4.0 e um governo 1.0, em todos os serviços.

O senhor fala bastante da questão dos esqueletos do Estado…

Os esqueletos vêm do governo do Paulo Afonso. Letras, Invesc, 401 e a maioria dos precatórios está por pagar e deve dar R$ 1,5 bilhão. Esses quatro monstrinhos aqui representam R$ 12 bilhões.

 

Isso associado a 1998, com quatro folhas de pagamento atrasadas. Essas contas precisam ser lembradas senão parece que somos todos iguais. Não somos.

 

Tanto é que, agora, a mesma equipe econômica já apresentou seu cartão de visita: atrasou a parcela do 13º. Mesmo assim, assinou R$ 200 milhões a fundo perdido com municípios dois meses antes. Esses critérios fazem a fotografia do MDB.

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