Com obras concluídas, escola estadual municipalizada, contratação de médicos, o prefeito de Corupá, João Carlos Gottardi (PP), avalia que encerra bem o primeiro ano de seu mandato – estreando como prefeito –, apesar das dificuldades esperadas. Por outro lado, destaca a falta de repasses de recursos do governo estadual, assim como lamenta a rejeição de projeto de lei, pelos vereadores, que autorizaria financiamento para revitalização do Centro. “Por ser primeiro ano a gente sabia das dificuldades que ia enfrentar, mas eu saio muito satisfeito, estou terminando este primeiro ano como prefeito, juntamente com seu Arno (Neuber, PP) meu vice, vendo que em todas as áreas nós conseguimos evoluir”, afirma o pepista. Na Saúde, Gottardi destaca a conquista de recursos do governo federal, com ajuda de parlamentares catarinenses, que até o momento giram em torno de R$ 1,2 milhão. “Por isso que conseguimos zerar uma fila que nós tínhamos de quatro mil pessoas esperando consulta com especialista, tinha gente desde 2012 esperando, a gente também fez aquele mutirão da oftalmologia”, observa o prefeito. Para o próximo ano, Gottardi aposta no repasse de recursos do Fundam 2 (Fundo de Apoio aos Municípios) para avançar em investimentos na cidade, ao mesmo tempo em que deve apertar ainda mais o cinto, sobretudo nas compras. O prefeito adianta que dará continuidade e será ainda mais rigoroso no processo que fará com que cada pedido de compra dos secretários passem primeiro por avaliação de comissão, seguindo então para deliberação do pepista, que dará a palavra final sobre a questão. Já dos vereadores, o prefeito diz que espera maior atuação na elaboração de leis. Em entrevista ao OCP, o prefeito também falou sobre reajuste dos servidores e ações voltadas ao turismo. Neste primeiro ano do mandato, tudo ocorreu como planejado ou ocorreram imprevistos? Dentro das dificuldades que a gente imaginava para o primeiro ano, está dentro do previsto, a nível de Brasil, a nível de estado também. Sem recurso nenhum para os municípios, tem que buscar recursos próprios. Terminamos o ano conseguindo pavimentar dez ruas, construí uma ponte, municipalizamos uma escola, aumentamos em 30% a oferta de vagas em creches e também escolas, saímos de 1,8 mil alunos para 2,6 mil, de zero a 14 anos. Na área da saúde também conseguimos dar uma boa evoluída, contratamos mais médicos, não tinha pediatra e dentista em todos os postos, hoje tem, e conseguimos contratar mais três médicos. Na Secretaria de Obras conseguimos colocar macadame em torno de 450 quilômetros de estrada, melhoramos bastante as estradas do interior, para escoar nossa produção, isso aqui é o principal, Corupá é um município agrícola, capital catarinense da banana e das plantas ornamentais, e precisamos ter estradas boas, então trabalhamos firme nisso também. De modo geral, eu vejo que todas as secretarias tiveram evolução. Em entrevista logo após as eleições, o senhor comentou sobre fazer uma reforma administrativa querendo reduzir cargos comissionados, até para conseguir uma economia. O objetivo foi alcançado? Nós temos hoje, se não me falha a memória, 54 cargos comissionados. No organograma do município são 68, então hoje são 14 cargos a menos, nós não ocupamos 14 cargos comissionados. E isso gerou algum tipo de economia, tem alguma estimativa? Não se fez estimativa, mas assim, a nossa folha de pagamento ela está hoje em 48% e nós conseguimos dar um aumento real para os funcionários, conseguimos dar 5% de reposição da inflação com 1% de aumento real, e agora consegui aprovar na Câmara aquele aumento para os funcionários que ganham até R$ 1,5 mil. Então através de economia e organizando (as contas), a gente está conseguindo fazer isso. Em um momento de crise, nem todos os municípios conseguem dar esses reajustes aos servidores. Em Corupá como foi possível? A redução de comissionados ajudou, mas é economia em outras áreas também, e não deixando de atender a população. É apertar o cinto. E o próximo ano, eu tomei atitude já a partir de novembro, todas as compras, tudo vai passar por mim. Por exemplo, o secretário vai fazer o pedido, aí uma comissão vai analisar se já foi licitado aquele produto, se tem a licitação, se tem o empenho e ver se tem a dotação orçamentária, se tem o dinheiro. Se não tiver dotação orçamentária, esse pedido nem vem na mesa do prefeito, volta para o secretário. Tendo dotação orçamentária, tendo recursos, aí vem para minha mesa e eu que vou decidir o que vai se comprar ou não no município. E esse controle quero ter mais rígido ainda, nas compras. Já tivemos esse ano, já deu para fazer boa economia, mas no próximo ano vamos ter mais rigidez nas contas. O senhor planeja alguma mudança no secretariado ou nas diretorias para o ano que vem? Nós estamos fazendo um levantamento nesses próximos dias, vou conversar com todos os comissionados, um por um, agradecer o empenho de todos e também ver as dificuldades, ver se alguém quer continuar ou se quer sair do governo. Mudanças vão ter, já temos algumas ações em mente, mas também não gosto de fazer a mudança em véspera de Natal. O pessoal vai entrar em férias, aí ano que vem, janeiro, a gente vai fazer algumas mudanças sim, alguns cargos comissionados, às vezes até secretário também. Vai depender muito da conversa com eles agora essa semana. E a tentativa também é reduzir ainda mais esse número de cargos comissionados. Um compromisso de campanha do senhor é o de desenvolver o turismo e a agricultura. Nesse primeiro ano deu para iniciar algumas ações? O plano de turismo era o pontapé inicial do turismo, e acho que fomos mais longe ainda, com o plano regional, juntamente com Campo Alegre, Rio Negrinho e São Bento, através do Consórcio Quiriri. A partir disso temos que começar a colher frutos, Corupá tem todo esse potencial, que a gente não se cansa de falar, as belezas naturais, mas o município também tem que fazer a sua parte, e nesse plano de turismo o importante foi a participação das pessoas já envolvidas, dono de hotel, de restaurante, de pousada. Então as reuniões que a gente fez, os seminários, percebi a participação desse pessoal, e com eles que a gente começou a traçar o plano de turismo. A partir de agora é ir atrás, conversar com investidores também, o município mostrar a capacidade que tem, e dentro da própria agricultura nós podemos começar a desenvolver o turismo rural. Corupá vai receber o título da banana mais doce do Brasil agora em 2018, porque não fazer um turismo dentro dos próprios bananais? O turista vai querer conhecer como é que é plantado o pé de banana, como é colhida a banana mais doce do Brasil. Sobre a relação com a Câmara, os vereadores rejeitaram o projeto de financiamento de R$ 5 milhões para revitalização do Centro. Uma das coisas que me deixou triste foi a não aprovação dos R$ 5 milhões do Badesc. Encaminhamos para a Câmara, conversamos com os vereadores e eles não entenderam isso, não sei se faltou diálogo entre nós, mas assim, R$ 5 milhões que outros municípios buscaram, Jaraguá do Sul por exemplo buscou R$ 20 milhões, e o nosso projeto era de revitalizar o Centro da cidade e pavimentar ruas nos bairros, então essa é uma das coisas que me deixou triste. Mas por outro lado já levantei a cabeça no outro dia e já fomos refazendo projeto e já mandamos para o governo federal para buscar esse recurso no Avançar Cidades. Você leva um tombo um dia, outro dia já tem que ter outra ação em mente, mas claro, se tivesse liberado do Badesc, talvez seriam ações que já viriam antes. Como o senhor avalia esse relacionamento com os vereadores de forma geral? Quando nós ganhamos a eleição, tínhamos três vereadores, e eu continuo acreditando que quem se elegeu vereador tem que trabalhar em prol do município, independente se é situação ou oposição, tem que ajudar. Eu já fui vereador de oposição, já fui presidente da Câmara, e nunca prejudiquei a administração do prefeito que era na época, pelo contrário, ajudei. Eu consegui, através do partido político que eu fazia parte, trazer mais de R$ 2 milhões de recursos para Corupá, através de emendas parlamentares, de encaminhamentos, e é isso que espero de todos os vereadores, independentemente de partido político, se o projeto é bom tem que estar junto e deixar as picuinhas partidárias, eleição é só 2020. Vou continuar conversando com os vereadores, buscando sempre o diálogo para que as coisas aconteçam, espero que busquem emendas com seus deputados. Vereador tem papel de fiscalizar, de indicar, de fazer projetos, e espero que no próximo ano a Câmara de Vereadores trabalhe mais as leis, tem que fazer a reforma da nossa Lei Orgânica do Município, que está totalmente defasada, ela é lá dos anos 90, 89, e várias outras leis que tem que se fazer e pode surgir dos vereadores. Esse ano percebi que teve poucos projetos de leis novas, de se adequar algumas leis federais e algumas leis até para ajudar o próprio município, por exemplo, esperava que partisse de um vereador uma lei de melhorias em calçadas, para que o morador preserve pelo menos na frente de sua residência, vários municípios têm essas leis. LEIA MAIS:Entrevista especial: “Nós vamos trabalhar fortemente na pavimentação e no planejamento do município”, afirma Jurk – Entrevista especial: “Temos que fazer com que o povo sinta vontade de pagar o imposto”, defende Chiodini – Entrevista especial: “Vamos fazer de 2018 o ano das obras”, afirma Lunelli