Carlos Chiodini (PMDB) entrega hoje o cargo de secretário de Desenvolvimento Econômico e Sustentável do Estado e retorna para Assembleia Legislativa. Os outros comissionados do governo que pretendem concorrer nas eleições de outubro também devem fazer o mesmo, conforme acordo com o governador em exercício, Eduardo Pinho Moreira (PMDB). Nos últimos três anos, reeleito para o mandato de deputado estadual, o jaraguaense se licenciou para assumir a pasta sendo, então com 32 anos, o mais jovem secretário da equipe de Raimundo Colombo (PSD). Nesse período, viu Santa Catarina passar por dificuldades em função da crise econômica, mas comemora bons resultados, como a liderança na geração de empregos e abertura de novas empresas.
Desburocratização e inovação foram apostas fortes da gestão de Chiodini | Fotos Eduardo Montecino/OCP Online
Desburocratização e inovação foram apostas fortes da gestão de Chiodini | Fotos Eduardo Montecino/OCP Online
Desburocratização e inovação foram apostas fortes da sua gestão. Os Centros de I novação são símbolo desse trabalho. À coluna, Chiodini lamentou não inaugurar a estrutura em Jaraguá do Sul, que já está com a construção pronta, faltando o mobiliário. A previsão é que a entrega ocorra em abril. Pré-candidato a deputado federal, Carlos Chiodini também falou sobre o pleito de outubro, disse que vem trabalhando há três anos nesse projeto e acredita que a região só terá pleitos relevantes atendidos se tiver maior representatividade em Brasília. Sobre a corrida ao governo do Estado, afirmou que com o cenário indefinido como o atual não é possível fazer previsões, porém reforçou seu apoio à candidatura do presidente do PMDB em Santa Catarina, Mauro Mariani. OCP: Há pouco m ais de três anos, reeleito para Assembleia Legislativa, o senhor aceitou com andar a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Sustentável do Estado. Que balanço faz desse período, valeu o risco?
Chiodini: Foi importante. Para mim foi importante, precisava de uma experiência no Executivo. Para região também foi importante, porque naquele momento não tínhamos um representante no Executivo. A maioria dos pleitos das pessoas só pode ser resolvido pelo Executivo. Tive posições de destaque na Assembleia, fui líder de bancada, presidi comissões importantes, mas sem dúvida valeu ter assumido a secretaria, mesmo em um momento de tanta dificuldade econômica. Santa Catarina obteve índice melhores que o país em diversas áreas. Chego ao fim desse ciclo feliz com o trabalho desenvolvido e com o sentimento de dever cumprido em prol da região e do Estado.
OCP: Santa Catarina liderou a geração de emprego no ano passado e o mês de janeiro desse ano também teve números positivos, incluindo Jaraguá do Sul, que registou o melhor mês dos últimos dez anos. Qual é a perspectiva para 2018?
C - O ano de 2017 foi especial; marcou a retomada do crescimento. Santa Catarina teve crescimento do PI B de mais de 4%, enquanto o país cresceu menos de 1%. Somos o Estado brasileiro que mais gerou empregos em números totais, sendo que a gente é 10% de São Paulo. A região está dentro desse contexto e eu creio que 2018 será inda melhor. A arrecadação de janeiro deste ano foi 11% superior à do ano passado. No pós-crise, Santa Catarina se consolidará ainda mais por diversos fatores, pela sua força produtiva diversificada, o incremento das inovações em todas as áreas, produtos mais inovadores, aumento das exportações. Somos também o Estado que mais abriu empresas e que tem a maior proporção de startups.
OCP - A inovação foi uma das grandes apostas da sua gestão. Os Centros de Inovação e o Pacto pela Inovação firmado no ano passado com 29 instituições são prova disso. Estamos vivendo um a época de transição na economia, as em presas catarinenses estão preparadas para isso?
C - A inovação, que era um assunto novo anos atrás, hoje se tornou uma questão consolidada de política pública, que independe de quem vai comandar o Estado. Esse período foi importante para solidificar essa realidade. Os Centros de I novação são muito simbólicos disso, apesar de ser hardware, espaço físico, traz consigo política pública de apoio entre governo, entidades, universidades e setor produtivo. A indústria, o setor de comércio e serviços já enxergam e não conseguem viver sem inovação até porque a crise foi um momento de depuração. Sobreviveu quem tem produtos inovadores e competitivos e agora eles vão crescer mais. É um processo contínuo.
OCP - Causa alguma frustração o senhor não entregar o Centro de Inovação mesmo com as obras físicas prontas?
C - É lamentável porque a gente dispendeu de muitos recursos e trabalho nesse projeto. No entanto, não vamos conseguir entregar até o dia 30 de março, esse foi um dos motivos para adiantar a minha saída para esta quinta-feira. A obra de alvenaria está toda pronta, o Centro Up ainda está em obra, somam recursos de mais de R $ 8 milhões. Os móveis estão em processo de licitação, que deve ser concluso nesse mês e a inauguração fica para abril provavelmente. O importante é que a obra logo estará servindo a seu propósito e trazendo resultados práticos.
OCP - A desburocratização foi outra batalha da sua pasta. Que impacto isso tem no saldo de abertura de novas em presas no Estado, que no ano passado cresceu 22%?
C - Você tendo um processo mais simples automaticamente cria um ambiente mais favorável aos negócios. Essa também é uma política pública que considero irreversível. Pesquisa contratada pela CNI e realizada pelo Ibope mostrou que 77% dos brasileiros entendem que a burocracia é um problema do país, é um número alarmante. Santa Catarina mais uma vez saiu na frente e combateu parte do problema com a lei 17.071, que a gente teve o prazer de escrevê-la. Jaraguá do Sul foi um dos primeiros municípios a regularizar o projeto, que deixa o processo de abertura de empresas mais simples, com uma lógica de fazer com que o empreendedor tenha mais tempo e dinheiro para cuidar do seu negócio. É uma luta contínua que vou continuar travando na Assembleia Legislativa. Também tivemos outros avanços, na questão ambiental transformamos a Fatma em Instituto, demos mais autonomia, regularizamos e simplificamos processos. Podemos citar ainda o decreto que regula a atuação da Vigilância Sanitária, dos Bombeiros e da Junta Comercial na abertura de empresas de baixo risco. Mais da metade dos municípios aderiu ao SC Bem Mais Simples.
OCP - Linhas de crédito como o Juro Zero foram importantes para ajudar a fazer a economia do Estado girar?
C - Juros é um problema sério do Brasil. Para os microempreendedores individuas é ainda mais. Pelo Juro Z ero eles puderam pegar R $ 3 mil, aplicável mais uma vez, e devolver em sete vezes sem juros, com linhas operadas pelas cooperativas de crédito. Foram mais de R $ 200 milhões divididos nos 295 municípios, para esse público, como pedreiro, pintor alfaiate, cabeleireira. Assim muitos conseguiram dar o start no seu negócio. A inadimplência do programa foi praticamente zero, o que motivou o governo a lançar uma linha de crédito para um contingente maior; as microempresas. O decreto vai ser publicado essa semana para seleção das entidades financeiras. Serão empréstimos de R $ 3 mil a R $ 15 mil, com juros de até 1,5% ao mês, muito menor do que o aplicado no mercado e com o diferencial que terá rastreabilidade. O microempreendedor terá que comprar em lojas de Santa Catarina, fazendo que a atividade econômica se multiplique.
OCP - Qual a sua expectativa em relação ao governo de Eduardo Pinho Moreira? Haverá verba para revitalização das rodovias, com o a SC - 108, já apelidada de rodovia dos buracos, e para continuação do elevado na entrada de Massaranduba?
C -Nesse momento a revitalização da SC 108 é essencial, ao menos a manutenção da roçada, tapar os buracos, fazer a sinalização. Mas ainda existe a expectativa de uma obra completa como aconteceu, apesar das dificuldades, na SC-110, e um novo programa de financiamento pelo BID. Quanto às obras do elevado da interseção da BR-280 com a SC-108, a expectativa é que ganhe mais corpo com a disponibilidade de recursos. As marginais estão praticamente prontas e agora começa a construção pesada. Também temos assuntos para tratar de interesse específico de cada município da região. Nós sabemos que é um governo curto em um período eleitoral com várias vedações, mas tenho ótimo relacionamento com o governador e com os secretários e acredito que podemos fazer um bom trabalho nas áreas prioritárias como saúde, segurança e educação.
OCP - Dá para fazer uma aposta? Quem será o candidato ao governo do Estado pelo PMDB?
C - São dois momentos. Vamos ter que esperar primeiro dia 7 de abril para ver quem vai renunciar realmente. No PMDB se fala na possibilidade de Udo Döhler renunciar. É uma incógnita. Mesmo assim, a definição vai ficar para o fim de julho ou começo de agosto. Isso não só no PMDB, não existe consenso e nem coligação clara como existia nos últimos anos. Os pré-candidatos percorrem as cidades, fazem seus contatos defendendo suas teses, mas o martelo não foi batido. Por precaução não vou me adiantar com previsões, embora seja notória a nossa proximidade com o Mauro Mariani. Vamos apoiá-lo na proposta de ser candidato pelo nosso partido e na construção de uma coligação. Esse momento vai exigir cautela e paciência, todo mundo quer saber, mas não há definição.
OCP - O seu projeto de concorrer a um a vaga na Câmara dos Deputados está mantido?
C - Tenho feito isso há três anos construindo uma pré-candidatura a deputado federal. Já foram três eleições para deputado estadual, chegou a hora de um novo voo. São várias razões, uma a necessidade de maior representatividade da região, os municípios também devem tratar com seriedade essa questão. Temos por exemplo a necessidade de duplicação da BR -280, indo a Brasília vou estar focado diariamente nesse tema. Creio que é a grande obra da região. Com capacidade de deixar os municípios mais competitivos, ajudar na busca de novos empreendimentos e no desenvolvimento dos que já estão instalados. O grande contingente de recursos está em Brasília e para fazer frente aos investimentos que precisamos temos que estar lá. Creio que depois dessa experiência exitosa nas três últimas eleições e conhecendo os caminhos como deputado estadual e secretário de Estado dá para buscar e fazer um bom mandato.
OCP - Voltando para Assembleia Legislativa qual será o foco da sua atuação?
C - Continuar com a prioridade de defender os interesses regionais, é uma obrigação. Já temos percorrido os municípios fazendo esse trabalho. Também vou começar a fazer uma interligação mais forte com Brasília. E há ainda a atuação em defesa dos setores produtivos, como a desburocratização, inovação e meio ambiente.

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