golpistaUm otimismo cauteloso de um lado e o receio pela perda de direitos conquistados de outro. Esses são algumas expectativas diante da posse definitiva de Michel Temer (PMDB) entre entidades empresariais e sindicato de trabalhadores de Jaraguá do Sul. E é nesse cenário que começa hoje o primeiro dia do novo governo, empossado após o afastamento definitivo de Dilma Rousseff (PT) pelo Senado. Após um ano e oito meses do segundo mandato, Dilma sai com o voto de 61 senadores, contra 20, julgada culpada pelas “pedaladas fiscais” no Plano Safra e por editar decretos orçamentários sem autorização do Congresso Nacional. No cargo de presidente interino durante quase quatro meses, Temer entra tendo que atender às expectativas de quem o apoia, com o desafio de retomar o crescimento econômico do país. Na visão do setor empresarial de Jaraguá do Sul, o ponto principal do impeachment de Dilma é a definição política e, portanto, a certeza do perfil de medidas que serão tomadas para recuperar o Brasil. A incerteza política, alega a classe, afetava a credibilidade do país, o que tinha impacto direto na atratividade da economia brasileira para investidores externos. “Havia muita apreensão e expectativa para uma definição política dessa situação, e agora o governo pode começar a administrar e tomar as medidas necessárias e planejadas, sabendo-se quem vai continuar na presidência pelos próximos dois anos”, comenta o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Jaraguá do Sul, Marcelo Nasato. Um dos principais anseios do setor para o novo governo é quanto aos números relativos ao desemprego, afirma o presidente. A expectativa é, primeiramente, de estagnação seguida por um aumento na oferta de vagas. “Porque a gente depende disso, da população tendo renda, podendo consumir, e a assim a engrenagem volta a funcionar”, salienta Nasato. Entre as medidas já mencionadas no governo interino de Temer, principalmente pelo ministro da Fazenda Henrique Meirelles, está um possível aumento de impostos. O presidente da CDL afirma que há preocupação no setor quanto a ações do gênero, já que todo custo a mais acaba sendo repassado ao consumidor. Para o presidente da Associação Empresarial de Jaraguá do Sul (Acijs), Giuliano Donini, o afastamento de Dilma Rousseff é pré-requisito para a busca de um novo ciclo, que não virá apenas com a troca do governante, pondera. Discussões importantes devem ser pautadas, na visão do presidente, ainda este ano. Entre elas, Donini cita três principais: a previdência social, a modernização das leis trabalhistas e a revisão do tamanho do Estado. O presidente considera que as privatizações de estatais brasileiras são necessárias para o enxugamento da máquina pública – o que contribuiu para contenção de gastos – e para aumentar a eficiência dessas empresas. Quanto às leis trabalhistas, o empresário declara que a questão não se trata de retirada de direitos, mas de sua modernização, citando que a lei é da década de 40. Para o ano que vem, o empresário julga ser fundamental a discussão da reforma tributária, entendendo que não se trata apenas de redução de impostos e que passaria também pela questão burocrática. “Então (o afastamento de Dilma) foi uma parte, fundamental, mas não pode acabar por aqui. Que nossos representantes públicos continuem com o olhar no país. Se todos falavam que votavam em prol do país, não pode ser demagógico”, declara Donini. Amvali espera mais comunicação Ademais da expectativa quanto à recuperação econômica, o presidente da Associação dos Municípios do Vale do Itapocu (Amvali) e prefeito de Corupá, Luiz Carlos Tamanini (PMDB), acredita na possibilidade de uma aproximação com o presidente, para a apresentação das demandas dos municípios. O prefeito destaca, para isso, a intermediação dos deputados federais e senadores da região. Essa maior abertura à comunicação também seria importante para a capacidade de articulação do presidente no Congresso, avalia Tamanini. O prefeito diz que é contra o aumento de impostos, mas que a criação específica para algum setor seria razoável. “Se 100% dos recursos fossem para saúde, mas para exames, consultas, cirurgias, não para a folha de pagamento”, declara. Categoria teme por direitos trabalhistas Para a presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio (SEC) de Jaraguá do Sul, Ana Roeder, “a ponte para o futuro de (Michel) Temer é a ponte para a desgraça do trabalhador”, afirma. Representando também a regional do norte catarinense da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Ana denuncia as negociações políticas a respeito de questões trabalhistas como décimo terceiro, terceirização e flexibilização das leis enquanto o impeachment vinha sendo discutido no Congresso. “As pessoas têm que ser contra esse projeto (do governo Temer), que quer tirar os direitos do trabalhador”, declara a presidente. Citando a repercussão do impeachment de Dilma entre a imprensa internacional – que denunciam a saída da presidente afastada como golpe –, Ana acredita que, ao contrário do que é anunciado, as taxas de desemprego devem aumentar, cada vez mais. “Todos os países estão denunciando o golpe, ninguém vai querer investir no Brasil”, considera. “Ele (Michel Temer) não vai ter trégua, porque ele não nos representa. Se um governo não respeita as pessoas, as pessoas não respeitam o governo”, finaliza a presidente. Salvar Salvar