Em comunicado, Hamas agradece Lula por comparação com Holocausto

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Por: Pedro Leal

19/02/2024 - 09:02

O grupo extremista Hamas, que controla a Faixa de Gaza e está em guerra com Israel, agradeceu a declaração do presidente Lula igualando os ataques israelenses ao massacre de judeus pela Alemanha nazista.

O agradecimento foi divulgado em canais do Hamas do aplicativo Telegram, neste domingo (18), e foi reproduzido no twitter pelo jornalista Suleiman Ahmed. As informações são do portal Metrópoles

“Nós, do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), agradecemos a declaração do presidente brasileiro Lula da Silva, por descrever aquilo a que o nosso povo palestino tem sofrido na Faixa de Gaza como um Holocausto. Os acontecimento na Faixa de Gaza são como o que o líder nazista Hitler fez aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial”, destaca o comunicado.

O grupo afirma que a declaração de Lula é uma “descrição precisa dos desafios enfrentados pelo povo palestino e revela a gravidade do crime sionista, realizado com o apoio da administração presidente dos Estados Unidos, Joe Biden”.

Em inglês, o comunicado do Hamas agradecendo Lula. Reprodução/Twitter

“Pedimos à Corte Internacional de Justiça que leve em conta o que o presidente brasileiro disse sobre as coisas ruins que estão acontecendo com os palestinos por causa do exército de ocupação e dos colonos. Isso é algo muito sério e nunca visto antes na história recente”, afirma o comunicado do Hamas.

O presidente Lula disse, neste domingo (18), que são comparáveis os ocorridos na Faixa de Gaza e o Holocausto da Segunda Guerra Mundial. “O que está acontecendo com o povo palestino não existe em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu quando Hitler resolveu matar os judeus”, disse Lula, em coletiva de imprensa.

A declaração ignora e desconsidera genocídios e limpezas étnicas ocorridas ao longo do século XX, e iguala um conflito militar que vitimou a população civil com uma estrutura industrial de extermínio.

A declaração de Lula está sendo condenada por entidades judaicas e por políticos de oposição, além de ter sido duramente criticada pelo governo de Israel, que convocou o embaixador brasileiro no país para expliações.