O ano eleitoral promete intensificar os embates ideológicos entre empresariado e lideranças sindicais. No último sábado (30), o OCP ouviu de lideranças empresariais as demandas para as eleições. As pautas eram claras: reformas, infraestrutura e redução da  máquina estatal.

Agora, o outro lado da equação, o posicionamento dos sindicatos é diametralmente oposto. Enquanto os representantes da classe empresarial defendem a continuidade das reformas, começando pela trabalhista que entrou em vigor em novembro passado, os sindicatos defendem a revogação da nova lei e reavaliação das reformas tributária e previdenciária.

Em comum, os representantes sindicais esperam que os eleitos em 7 de outubro levem ao Congresso e Palácio do Planalto um olhar mais atento às necessidades dos trabalhadores brasileiros.

Modernizações legislativas são defendidas, desde que não sejam acompanhadas de redução direitos. A crise na representatividade também é um ponto destacado, uma vez que a maioria dos políticos atualmente no poder foram à favor de mudanças consideradas negativas para o segmento.

Veja o que dizem os líderes sindicais da região:

Gildo Alves, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria do Vestuário

O clima é de desilusão e descrença para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria do Vestuário (STIV), Gildo Alves.

“Nós, como sindicatos, fomos devastados pela classe política, então não temos muito o que esperar. O que fizeram com os sindicatos e com os trabalhadores em geral demonstra que as pessoas que estão lá não se preocupam com as pessoas que trabalham”, diz.

Ele frisa que o ambiente torna o voto uma questão complicada para o eleitor, pois há um descrédito muito grande com a política.

Gildo Alves está desacreditado da política | Foto Arquivo OCP News
Gildo Alves está desacreditado da política | Foto Arquivo OCP News

“Não sabemos nem em quem votar. Não temos candidato, a política está em um patamar tão negativo que as pessoas não acreditam em mais ninguém. Só se fala em corrupção”, explica.

Em seu ver, a classe política se afastou da classe trabalhadora. “Os políticos não falam mais com o trabalhador, não somos representados, e isso faz com que percamos a vontade de fazer política”, comenta.

Ele ressalta ainda que tanto os sindicatos como os eleitores terão que repensar a maneira de ver o processo eleitoral.

“Temos que olhar mais para a pessoa do que para o partido. A obrigatoriedade do voto deixa as coisas muito difícil com essa descrença. Um grande número de políticos traiu o trabalhador, foram eleitos para nos representar e não o fizeram”, conclui.

Ana Maria Roeder, presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Jaraguá do Sul e Região

“Nós do movimento sindical esperamos que o novo governo revogue a ‘anti reforma trabalhista’, que retire de pauta a reforma da Previdência e que pense na classe trabalhadora como uma grande contribuição para o crescimento do país”, diz a presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Jaraguá do Sul e Região, Ana Maria Roeder.

Ana Maria Roeder acredita que reforma trabalhista deve ser revogada | Foto Arquivo OCP News
Ana Maria Roeder acredita que reforma trabalhista deve ser revogada | Foto Arquivo OCP News

Segundo ela, os trabalhadores sempre sofrem com perdas irreparáveis quando existe uma crise. Ela ressalta que o país remunera mal e que o atendimento público de saúde e educação é marcado por baixa qualidade, com retorno muito pequeno para a população.

“Queremos um país livre de corrupção, democrático, que a riqueza não seja para 15% da população, que haja distribuição de renda, que salve nossas reservas florestais, minerais, nosso petróleo. Que os políticos sejam politicamente éticos”, diz.

Luiz Cezar Schörner, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos de Jaraguá do Sul

“Se vai haver reforma na previdência, que não seja nos moldes defendidos pelo governo Temer, pois do jeito que o governo estava propondo ano passado, seria impossível para o trabalhador se aposentar”, diz o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos de Jaraguá do Sul (Sinsep-JS), Luiz Cezar Schörner.

Ele ressalta que a expectativa e demanda da categoria é que o país tenha um Congresso e um governo executivo que atenda a classe.

“A pauta dos trabalhadores passa pela revogação da reforma trabalhista. Ela foi vendida para a sociedade como se fosse revolucionar o mercado de trabalho e reduzir o desemprego, mas o que aconteceu foi o contrário”, defende, ressaltando que o total de desempregados do país aumentou, assim como a informalidade.

Luiz Cezar Schörner defende que reforma da previdência não pode acontecer nos moldes do governo atual | Foto Arquivo OCP News
Luiz Cezar Schörner defende que reforma da previdência não pode acontecer nos moldes do governo atual | Foto Arquivo OCP News

O Brasil tem hoje 13,7 milhões de desempregados, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) - antes da reforma, eram 12,7 milhões.

“Tivemos perdas muito grandes para os trabalhadores. A procura pela Justiça trabalhista caiu muito, por temor de ter que arcar com os custos, e ao mesmo tempo aumentaram os acordos coletivos com perda de direitos”, pontua.

Segundo Schörner, o receio é que as eleições terminem com candidatos em defesa do chamado estado mínimo. “A maior preocupação é que quem seja eleito não tenha um olhar para o trabalhador e para a igualdade social, favorecendo a concentração de renda, que já é muito preocupante”, explica.

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