Foto Divulgação

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Embora conte com índices melhores do que a média nacional - a evasão escolar no estado é de 6%, contra 7,2% no país, e a média estadual do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) esteja consideravelmente acima da nacional, marcando 4,7 contra 3,8 na média nacional -, a educação em Santa Catarina ainda traz muitos desafios para o próximo governador.

O cenário atual apresenta problemas com o ensino médio - cujas avaliações têm caído há dez anos, e onde SC, a exemplo dos demais estados, ficou abaixo da média do Ideb - evasão escolar e a preocupação com as séries finais do ensino fundamental.

Além disso, há o problema do estado de preservação de várias escolas - embora o estado tenha avançado em termos de infraestrutura, várias escolas estaduais se encontram com problemas, e faltam avanços tecnológicos.

Apesar disso, os planos de governo dos candidatos que lideram a corrida eleitoral - Décio Lima (PT), Gelson Merísio (PSD) e Mauro Mariani (MDB) - pouco falam em ações para a qualidade e estrutura básica do ensino, optando por propostas em termos de conteúdo, assim como para a valorização do profissional da educação.

Segundo o diretor pedagógico da Secretaria de Educação da Prefeitura de Jaraguá do Sul, Antônio de Souza Júnior, o Estado precisa incentivar o envolvimento das comunidades na educação e aproximar o contato da administração estadual com as escolas.

"Acho que o que é necessário é uma maior assessoria pedagógica. O Estado já faz algumas coisas interessantes, mas acho que mais pessoas trabalhando com proximidade das escolas faria muita diferença para os indicadores".

Segundo ele, Jaraguá tem uma estrutura melhor do que a maior parte de Santa Catarina, embora isso se deva em grande parte ao envolvimento direto do município.

Dois exemplos de descaso estão na escola estadual em obras na Tifa Martins, que atravessou mais uma gestão sem conclusão; e o Cedup (Centro de Educação Profissionalizante) de Guaramirim, que apesar da excelente estrutura, permanece sem destino definido, com o risco de deterioração da estrutura.

Segundo o secretário de Educação de Jaraguá do Sul, Rogério Jung, o que se espera do próximo governo estadual é que atue com força na parceria educacional.

"As últimas administrações estaduais não só deixaram de ofertar vagas em Jaraguá como ainda fecharam turmas, obrigando a administração pública municipal, que tem orçamento muito menor, a fazer investimentos muito maiores na educação fundamental", critica, adicionando que a política do Estado onerou em demasia o Poder Público Municipal.

Décio Lima (PT): aumento do piso salarial dos professores

O candidato do Partido dos Trabalhadores propõe a valorização dos profissionais da educação por meio do aumento significativo do piso salarial, dobrando-o até o fim do mandato, e a elaboração de um plano de reciclagem dos professores para cada região do estado.

Em conjunto, pretende instituir um plano de carreira do magistério "no qual o piso nacional dos professores não se transforme em teto e resulte em achatamento salarial".

Também propõe aparelhar as escolas estaduais com inclusão digital e banda larga em todas as regiões e qualificar o ensino com uso adequado de conhecimentos na área de tecnologia da informação e comunicação.

Ele quer ainda destinar recursos diretamente para as despesas diárias das escolas. Sem falar em valores, promete reformar, ampliar e modernizar as escolas, eliminando definitivamente o sucateamento da rede física.

O plano de governo do candidato também propõe rediscutir o papel de cada ente federativo na educação, firmando os compromissos dos municípios, Estados e da União com o setor. Junto com isso, propõe ampliar a jornada de ensino em turno integral para 20% da rede até 2022.

Gelson Merísio (PSD): modernização do modelo de ensino

"Se interrompêssemos uma aula há cem anos atrás e transportássemos o professor para os dias atuais, ele continuaria a aula do ponto em que parou e não perceberíamos a diferença. Precisamos encontrar novas formas de conexão professor – aluno, de ensino e aprendizado”, afirma o plano de governo do candidato do Partido Social Democrático.

Focado primariamente em medidas de renovação e diversificação do conteúdo escolar, o programa apresenta como meta central "construir modelo educacional em que a escola propicie formação moral e cidadã, acesso à cultura, ao esporte e com a inserção de novas tecnologias - a exemplo de outros países - a partir de debate envolvendo professores e seus representantes".

O plano de governo menciona os recursos financeiros para o setor: "Melhorar a gestão dos recursos financeiros disponíveis para a educação" consta como uma das propostas, juntamente com "garantir a progressiva expansão e ampliação de fontes de financiamento na educação catarinense, com foco na elevação dos indicadores socioeconômicos das regiões menos desenvolvidas do estado".

Mauro Mariani (MDB): projeto pedagógico acessível a todos

"A educação constitui elemento essencial para o desenvolvimento humano, contudo, a garantia plena deste direito a todos os cidadãos catarinenses ainda é cercada de grandes desafios como a melhoria do acesso, da permanência e da aprendizagem com qualidade em todos os níveis", afirma o plano de governo do emedebista.

Para garantir este acesso e a qualidade, o candidato propõe utilizar os indicadores de desempenho em educação, como Ideb e Pisa, como balizadores do planejamento e referências de mensuração de resultados das políticas de educação, com foco especialmente no ensino médio e profissionalizante.

A meta, afirma o plano, é "garantir uma escola em que o jovem esteja no centro do projeto pedagógico, acessível a todos os catarinenses". O programa não aborda a estrutura física das escolas ou recursos financeiros.

Uma proposta mais específica e que vai além da melhoria do essencial é criar um programa de educação bilíngue para que todos os jovens possam ter oportunidade de aprender uma segunda língua, viabilizando a participação de estudantes em programas de intercâmbio e vivência internacional.

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