“O que a gente vai ter que fazer é colocar o dinheiro para trabalhar.” Com essa declaração, o economista Roberto Padovani resume em uma frase o otimismo que tem em relação à retomada econômica do Brasil, fazendo também uma projeção para um futuro de crescimento no país.

Economista-chefe do Grupo Votorantim, Padovani esteve em Jaraguá do Sul nesta terça-feira (30) para sua palestra na Associação Empresarial de Jaraguá do Sul (Acijs), em evento promovido pela rede OCP de Comunicação em parceria com a Acijs.

Em entrevista exclusiva, conduzida pelo presidente da rede OCP Walter Janssen, o economista explica como a política afetou a economia do país, principalmente nos últimos cinco anos, e prevê que, passada a votação da reforma da Previdência, a tensão política deve se acalmar e a economia será o tema principal dos debates.

Confira a entrevista:

A gente sabe que expectativa é um fator determinante no rumo da economia. Como você vê o nível de confiança e as expectativas futuras a médio e longo prazo?

Esse é um ótimo ponto, se você pensar na economia como um todo e olhar para dez, quinze anos lá na frente, você vai ver que um país consegue crescer se há uma boa mão de obra, com boa qualidade, infraestrutura, um ambiente de negócios.

Agora, no curto prazo, ainda mais saindo de uma crise como nós estamos, é exatamente isso que você falou, a confiança é tudo. E como se determina a confiança? Um indicador preciso é a taxa de câmbio.

Quando você tem um choque externo ou quando tem uma confusão doméstica, o dólar dispara, isso é um sinal de que as coisas estão ruins.

O que temos visto nos últimos dois, três meses é que o dólar vem caindo, primeiro, que lá fora deu uma acalmada, e segundo porque as coisas estão começando a entrar nos eixos aqui no Brasil.

Então acho que vamos ver uma confiança voltando, sou muito otimista com o governo. Acho a agenda econômica responsável, um time de economia brilhante e um setor privado competente, acho difícil as coisas darem errado.

Existe algum fator externo que possa atrapalhar nossa ida para o futuro?

Sim, acho que o nosso grande risco de fato no momento é o risco externo, e aí, colocando minha experiência profissional, um fator decisivo é o comportamento da China. Porque a China tem uma importância econômica relevante, ela acaba exercendo influência nos mercados financeiros internacionais.

Então o que a gente tem feito no banco é sempre acompanhar com muito detalhe os indicadores de China. O que temos aprendido é que a China está estabilizando o crescimento, pode portanto puxar o mundo, gerar confiança, e atrair fluxos para os mercados emergentes.

Eu diria que o que pode dar errado hoje é se a China tiver alguma desaceleração brusca, não parece provável, mas a gente tem que monitorar isso todo santo dia.

Você falou da equipe econômica brilhante que o governo montou. Existe também os fatores políticos. A política e a economia vão entrar em choque ou estão entrando em choque? Ou de que forma isso deve ser contornado?

Os últimos cinco anos no Brasil foram dominados por política e economia. Em parte, a lógica que eu gosto de olhar, até porque sou economista, é que quando você tem uma desaceleração econômica, uma perda do bem-estar social, com aumento do desemprego, com quebra nas empresas, isso gera uma irritação e essa irritação acaba afetando o ambiente político.

Foi a história de 2013 a 2016. Foi a maior recessão da história e, portanto, isso gerou uma tensão politica. Só que ao gerar a tensão política isso alimenta as incertezas econômicas, foi o caso do impeachment. Você não sabia quem seria o próximo presidente, próxima equipe econômica, isso gera incerteza, trava o investimento, reforça a crise econômica, que volta a bater na política.

A gente viveu esse drama em 2017, no episódio do Joesley [Batista, empresário], eleições difíceis em 2018 e eu acho que pela primeira vez, em cinco anos, nós teremos um ambiente político calmo. Passada a reforma da Previdência, a economia entra nos trilhos, volta a gerar emprego, as empresas voltam a produzir, a tensão social diminui.

Portanto eu estou muito otimista porque eu estou olhando agora para os próximos anos e vendo que a economia vai ser o carro chefe nos debates, a política vai ficar em segundo plano, essa tensão que a gente vive vai diminuir e se Deus quiser voltaremos a ser um país normal.

Os juros reais estão baixos. Para onde o investidor deve olhar quando acabou a história do 1% ao mês, e agora vai conviver com juros reais em torno de 2% a 3% no máximo.

Outro dia, nosso ministro Paulo Guedes falou uma frase forte, típica dele, que achei ótima: ‘com os juros onde estão, estamos acabando com o país dos rentistas’.

Eu tenho um tio que tem uma fazenda e ele fala ‘vendi minha fazenda, coloco o dinheiro no banco e fico vendo os porquinhos nascerem’. Não, isso acabou, a gente não vai viver mais aplicando em títulos públicos.

O que a gente vai ter que fazer é colocar esse dinheiro, e tem muito dinheiro no país, para trabalhar. Isso quer dizer ser sócio de empresa, porque é bolsa; financiar as empresas, são títulos privados, e investir nos negócios.

A gente realmente com os juros abaixo de 6,5%, você não vai viver mais de especulação financeira, agora é um país que vai ter que realmente se dedicar à produção, e graças a Deus somos um país movido pelo setor privado, um setor privado competente, e esse setor privado agora vai finalmente ter acesso a recursos para fazer essa economia andar.

 

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