Dono da Riachuelo, o empresário Flávio Rocha pode ser o candidato óbvio que ele vem dizendo que o Brasil espera. Foi isso pelo menos que admitiu à imprensa logo na chegada à Associação Empresarial nesta terça-feira, onde lançou o Manifesto Brasil 200, uma referência a 2022, quando terminará o mandato do próximo presidente da República e o país comemorará 200 anos de independência de Portugal.  Foi o 22º evento de lançamento do manifesto.
Liberal na economia e conservador nos costumes, o ex-deputado federal palestrou em Jaraguá do Sul para uma plateia seleta e bem informada. Entre eles estavam o presidente da Acijs e responsável pelo evento, Giuliano Donini, o presidente da Associação Comercial de Joinville Moacir Thomazi e da Associação Empresarial de Blumenau Avelino Lombardi. Integrante do movimento, o proprietário da Havan, Luciano Hang, citado como possível candidato ao governo de Santa Catarina, estava na primeira fileira.
Rocha começou pedindo desculpa pelo atraso de quase uma hora, ocasionado em função do lançamento de uma agenda de segurança pública para o país, em uma solenidade no Rio de Janeiro com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM). Aproveitou o gancho para dizer que o “politicamente correto” instituído no país não tem atendido as necessidades da população e tem contribuído para criminalidade.  Entre as medidas defendidas nessa área pelo Brasil 200 estão a liberação do porte de armas e a diminuição da maioridade penal.
O ponto forte do discurso do empresário, entretanto, girou em torno da necessidade de desburocratizar o Brasil, diminuir o tamanho do Estado, acabar com privilégios, promover o livre mercado – que ele chama de o juiz mais justo de todos – diminuir a carga tributária de 37% para em torno de 15% e acabar com a hostilidade contra quem empreende no país. Rocha acredita existir nos dias de hoje uma consciência na sociedade brasileira de que o inimigo não são os patrões, mas sim o que chama de "aristocracia tóxica" que se apropriou do Estado, numa referência aos que se beneficiam de privilégios estatais. “Temos que acabar com essa ideologia arcaica de nós contra ele, de exploradores contra explorados. Essa é a tese do dividir para governar. Somos 98% de pessoas que geram riqueza nesse país, gerando emprego, trabalhando e suando, contra 2% de uma aristocracia tóxica e burocrática que se apropriou do Estado brasileiro”.
Confira o vídeo:
https://www.youtube.com/watch?v=Icgft0KZL0E
No que acredita o Movimento Brasil 200 - os cinco pontos principais
Desburocratização
Uma das metas centrais do movimento é eliminar o excesso de burocracia do país, parte do que levou Rocha a dar início ao movimento. Esse quadro seria "Fruto de uma aristocracia burocrática que atravanca o empreendedorismo", segundo Rocha, e teria transformado o país em refém do Estado, minando sua competitividade. Essa burocracia excessiva lançou o país à posição de 153º país menos receptivo ao empreendor, segundo o Ranking de Liberdade Econômica, e resultou em um quadro em que "o carrapato ficou maior do que o boi", drenando os responsáveis pela geração de riqueza.
Livre Mercado
Para o Movimento, o futuro do país está no Livre Mercado, "O juiz mais sábio que existe", e não no Estado. Segundo Rocha, a livre iniciativa não é apenas a melhor forma de gerar riqueza, mas a única forma de gerar riqueza. Por sua vez, na posição do movimento o Estado é incapaz de gerar riqueza, apenas de destruí-la. Por conta disto, a pauta é favorável às privatizações e desregulamentação do mercado, dando fim a privilégios e proteções de mercado, e a redução da carga tributária - a 11ª maior do mundo. Essas medidas ampliariam a oferta para o consumidor e as oportunidades para empresas, o que levaria a geração de emprego e ao enriquecimento em um efeito dominó.
Reformas
As reformas trabalhista, tributária e da previdência estão no alto da pauta do movimento. Rocha critica aqueles que chama de anti-reformistas, defensores de uma legislação obsoleta e opressiva ao mercado.  De acordo com o empresário, essas reformas já estão ao alcance do país e poderiam lançá-lo de volta ao grupo dos países receptivos ao livre mercado. Sozinha, a reforma da Tributária faria o país avançar 30 posições no Ranking de Liberdade Econômica.
Sequestro Ideológico do Estado
Fora das questões econômicas, o movimento crítica o que vê como uma apropriação ideológica do Estado por parte de uma "minoria do politicamente correto". Essa minoria estaria fazendo uso da maquina estatal para impor suas pautas ideológicas em detrimento da população e do país. Esse sequestro ideológico também estaria contaminando as relações sociais no país, para justificar a existência de um estado inchado e paternalista, forçando a divisão do país entre "nós e eles", com dicotomias como explorador X explorado, brancos X negros e ricos X pobres, segundo Rocha.
Vácuo político
Outra questão de fundo ideológico é sanar um vácuo político por um movimento que represente um perfil "liberal na economia mas conservador nos costumes", com defesa de pautas como o Projeto Escola Sem Partido e de medidas mais duras quanto ao crescimento da criminalidade. Rocha ressalta que este não é um movimento de empresários, mas um movimento daqueles que "produzem e geram riqueza, suam a camisa e fazem o país ir para frente" - e que por tempo demais se viram silenciados por uma intelectualidade burocrática que teria se apoderado do país, segundo o empresário. "Nós somos a imensa maioria que puxa a carruagem, representando 98% da população, que trabalha e faz esse país crescer".
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*Reportagem de Patricia Moraes e Pedro Henrique Leal