O diretório municipal do Partido dos Trabalhadores de Jaraguá do Sul está reorganizando sua militância para enfrentar este ano eleitoral. Tendo na presidência o professor da rede pública estadual de ensino, Ricardo Rocha, o PT jaraguaense acaba de lançar a professora e servidora municipal Mari Câmara como pré-candidata a deputada estadual. Em entrevista, o novo presidente do diretório analisa o difícil momento político vivido no país, a reestruturação do partido no município e antecipa outros nomes de prováveis de candidatos às eleições de outubro. Como o partido está se organizando? Tentamos reaglutinar todas as forças de esquerda de maneira geral, mas, enquanto Partido dos Trabalhadores, temos nos organizado de maneira a trazer de volta a discussão sobre a situação que estamos enfrentando no Brasil, desde o impeachment da presidenta Dilma, e as consequências para a classe trabalhadora. Temos trazido esse debate para o seio da sociedade, para que todos possam perceber o que aconteceu em 2016: nós dizemos que foi golpe, outros dizem que não, que foi uma situação legítima. Se não foi golpe, por que retirar direitos dos trabalhadores e acabar com a CLT? Se não foi golpe, por que, agora, essa reforma da Previdência, que acaba com a aposentadoria de muitos brasileiros, transformando a vida dos pobres e mais humildes de maneira negativa, fazendo com que a gente tenha que trabalhar mais, ganhar menos e estar cada dia pior? Para fazer esse debate é necessário que tenhamos um partido organizado e uma esquerda organizada no Brasil, no Estado e em Jaraguá do Sul. Há quem diga que a Lava-Jato, ao invés de combater a corrupção e resgatar dinheiro surrupiado no país, destruiu postos de trabalho, trouxe prejuízos enormes para a nação. Qual a visão do PT? De fato, é uma perseguição política que está sendo feita principalmente às lideranças de esquerda e, em especial, do Partido dos Trabalhadores. A Lava-Jato já havia conseguido arrecadar pouco mais de R$ 11 bilhões com toda essa história de reaver dinheiro aos cofres públicos e, no entanto, os postos de trabalho que foram perdidos, a própria Petrobras desacreditada, comprovam que precisamos combater a corrupção, mas não dessa maneira. A Lava-Jato está muito longe de combater a corrupção, que não está apenas em um partido ou em um bloco da sociedade, ela é generalizada. Mas o foco maior é em cima do líder máximo do PT, o Lula, e a intenção é inviabilizar sua candidatura, prendê-lo, para ter alguma legitimidade. A própria sociedade já percebeu, 56% da população acredita que o julgamento de Lula não foi jurídico, mas, sim político. As pessoas estão se dando conta de que a Lava-Jato não visa combater a corrupção, mas trata-se de perseguição a uma ala da sociedade, a ala da esquerda. Neste ano teremos eleições gerais no país. Como o partido tem se organizado em Jaraguá do Sul? O Partido dos Trabalhadores em Jaraguá do Sul vive um novo momento. Assumi o diretório em janeiro, estou presidente, e temos conseguido reaglutinar todas as forças dentro do partido para uma candidatura que tenha presença e que as pessoas possam identificar naquele candidato ou candidata alguém que as represente. Neste sentido, no dia 14 de março, lançamos o nome da professora Mari Câmara como candidata a deputada estadual. Foi um nome acolhido por unanimidade. Ela possui todas as qualidades possíveis para exercer esse cargo. É servidora pública, conhece bem a realidade dessa categoria, que congrega de um grande carinho e carisma dentro da sociedade. Em Santa Catarina, o deputado federal Décio Lima é nosso pré-candidato ao governo do Estado. Se olharmos as pesquisas, Décio Lima tem mais de 11% das intenções de votos e aparece em segundo lugar. Então, mesmo que o PT esteja sofrendo perseguição, ainda assim, temos um nome como Décio Lima em segundo lugar no Estado, a Mari Câmara como candidata a deputadaestadual e também o presidente Lula, que ainda permanece como o candidato com maior intenção de votos, 41%, e poderia vencer no primeiro turno se não for inviabilizada a sua candidatura por conta do julgamento no TRF-4, e esperamos reverter essa situação. Quais seus desafios maiores na presidência do diretório do PT? Tivemos um período onde o partido esteve desacreditado. Passamos por momentos em que nem tinha diretório, formamos uma comissão provisória. Nosso grande desafio é reaglutinar todas as forças políticas e fazer com que os filiados e militantes históricos sintam confiança no partido e assumam essa disputa em Jaraguá do Sul, em Santa Catarina e no Brasil. A gente precisa resgatar a confiança do povo jaraguaense e dos militantes, para que voltem a acreditar no PT, um partido sério que tem como principal bandeira a defesa dos trabalhadores.   *Com informações da assessoria de imprensa.  * *Esta entrevista foi concedida ao jornalista Sérgio Homrich e foi ao ar na edição do dia 17/3 no programa “informaluta” da rádio alternativa FM.