Com apenas mais uma semana para a realização das convenções partidárias, quando os partidos escolhem seus candidatos para a disputa eleitoral, o prefeito de Jaraguá do Sul, Dieter Janssen (PP), afirma que tomou uma decisão a respeito de sua participação nas eleições deste ano e diz que não deve disputar a reeleição. O prefeito declara que o momento atual é mais favorável a um novo projeto e que tem confiança no pré-candidato do PMDB, o empresário Antídio Lunelli, para administrar o município. As dificuldades financeiras e a necessidade de medidas impopulares, segundo Dieter, pesaram na decisão. O Correio do Povo – Sobre ir ou não à reeleição, o que o senhor decidiu? Dieter Janssen – Realmente não devo participar da eleição. Estamos (o PP) aguardando para fechar a tríplice aliança, com o PSDB e o PMDB, e indicarmos provavelmente o vice do pré-candidato a prefeito Antídio Lunelli (pelo PMDB). Eu não participo desta eleição. Sobre o nome do PP para concorrer à vice, acredito que Udo Wagner tem um bom respaldo no partido e tem experiência como deputado estadual. OCP – E o que pesou para tomar essa decisão? Acho que o momento. A reeleição sempre é mais complicada, nós passamos um período difícil nesses quatro anos na Prefeitura, uma necessidade de ajustes bastante grande, a gente acabou tendo que cumprir com vários novos procedimentos e leis, também tivemos dois anos de crise na questão financeira e isso tudo nos fez tomar algumas medidas necessárias, importantes, muitas vezes difíceis de serem tomadas e muitas vezes não compreendidas pela população. Um exemplo é quando você pega uma greve dos funcionários. A gente deu aumento de 7% mesmo não tendo condição de dar esse aumento. A gente sabe que os funcionários gostariam de um aumento maior e mereciam, mas mesmo os 7% que a gente deu, nem poderíamos ter dado, não estamos conseguindo repor essa diferença no Orçamento da Prefeitura. A gente entende, muitas vezes a população não aceita, mas não tínhamos como fazer frente. Outro exemplo de decisões necessárias, nós chegamos aqui na Prefeitura e tínhamos uma determinação do Ministério Público para cortar a insalubridade e periculosidade de uma série de funcionários, que ganhavam o adicional, e esses valores estavam sendo pagos de maneira incorreta. Penso que esse é o problema do Brasil, precisamos que políticos tomem as decisões necessárias, muitas vezes não agradando tanto a população, mas que são de extrema necessidade. Às vezes a reeleição faz com que os políticos fiquem temerosos em tomar as medidas e ações necessárias, muitas vezes impopulares, e eu tomei essas decisões, não tão preocupado com a reeleição. A confiança em novo projeto também contou para decisão? Um projeto novo sempre tem aceitação melhor. A gente também acredita no nome do Antídio para ser gestor do Município. Tenho a convicção de que ele vai tomar as medidas necessárias e ter um controle, se eu não tivesse essa confiança também não estaria fazendo isso, eu estaria concorrendo novamente. O que o senhor espera do próximo gestor, qual deve ser essa nova proposta? Precisa continuar fazendo os ajustes, cumprindo as leis, continuar fazendo uma administração bastante séria e respeitosa com a população. Uma administração que não fique só no populismo e nas ações, às vezes até de agrado da comunidade, mas não possível financeiramente, já que nós vamos ter quatro anos, com certeza, de dificuldade financeira. Vai requerer um gestor que tenha essa preocupação e determinação em tocar a Prefeitura com bastante seriedade, segurando as despesas conforme nossa receita. E a Prefeitura precisa cada vez mais se tornar eficiente, acho que a gente conseguiu avançar bastante nisso, mas cabe ao próximo gestor continuar e aperfeiçoar ainda mais essa eficiência, buscando melhoria nos processos e ações que podem melhorar ainda o resultado na Saúde e na Educação também. E fazer com que o Município consiga ter uma capacidade de investimento cada vez melhor, poder investir em ações, em infraestrutura, acompanhando o desenvolvimento e crescimento da cidade. Em relação ao futuro político. O senhor não vai à reeleição, mas tem algum projeto futuro, talvez para 2018? Sim, sempre tive um respaldo bom em Jaraguá do Sul. Quando fui às urnas sempre fui muito bem recebido, e devo esse respeito às pessoas que confiam no nosso projeto. Como vereador fui o mais votado, como deputado fui muito bem votado na cidade, para perfeito também, então eu não poderia deixar de estar na vida pública. E lógico, em 2018 tem eleição para deputado e eventualmente a gente pode concorrer, não é um fato certo, mas pode acontecer. Um dos quadros que se desenha, se o deputado estadual Carlos Chiodini for para deputado federal, abre um espaço junto ao deputado estadual Vicente (Caropreso), para buscar uma cadeira na Assembleia Legislativa. Me dou muito bem com o deputado Vicente, respeito seu trabalho, quando fui candidato a vereador, ele foi candidato a prefeito. Acredito que os mais de 100 mil votos que a cidade tem poderia canalizar para algumas candidaturas e talvez fazer uma campanha em conjunto para deputado estadual. Seria um desenho, não é algo definido.