Os gastos com saúde pública em Jaraguá do Sul cresceram quase cinco vezes em um período de dez anos. É o que indica um levantamento realizado pela reportagem do OCP com base nos dados do Tribunal de Contas do Estado, que contabiliza os gastos declarados pelo município. No ano passado, as despesas com a Saúde no município somaram R$ 178,1 milhões, enquanto há dez anos o volume de gastos somava R$ 37,2 milhões. Se for levada em conta a inflação registrada no período, o montante sobre para R$ 58,7 milhões, um ganho real de 203%. Esta semana, o OCP trará uma série especial de três reportagens para mostrar o aumento das despesas vivenciadas pelo município nos últimos anos. A série irá contemplar também os recursos destinados à educação e à folha de pagamento. O aumento nos custos da Saúde se deve principalmente à crescente demanda pelo serviço público no município. Este ano, a população de Jaraguá ultrapassou os 170 mil habitantes, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), número que representa um incremento de 19,3% frente a 2010, quando a população residente na cidade era de 143 mil pessoas. Além disso, a cidade conta com dois hospitais que juntos são referência para mais de 20 municípios catarinenses, ampliando ainda mais a demanda por atendimento. “A própria situação econômica do país colaborou para o aumento dos custos com a Saúde. Muitos trabalhadores perderam seus empregos e como consequência encerraram seus planos de saúde, buscando então na saúde pública os atendimentos necessários”, explica o secretário da pasta, Jonas Germano Schmidt. Outros fatores como a queda na arrecadação e o aumento no custo de insumos, equipamentos e procedimentos também influenciam no aumento das despesas, aponta o secretário. “Outro fator que também é preponderante é a questão de que as tabelas do SUS não são atualizadas há cerca de 12 anos, e isso onera ainda mais o município”, relembra Schmidt. A questão é uma luta antiga dos hospitais e está entre os temas que ganharam destaque com a crise na saúde pública de Santa Catarina. Hoje, o município destina R$ 14,7 milhões por ano para os dois hospitais de Jaraguá do Sul, montante que não é suficiente para suprir todas as demandas das entidades. Na semana passada, a Câmara de Vereadores aprovou o orçamento para 2018, no qual estão previstos R$ 163,5 milhões em recursos para a área da saúde, montante que representa uma retração de R$ 2,3 milhões frente ao orçamento deste ano. A redução exigirá atenção da pasta, que precisará se adaptar para garantir a manutenção dos serviços. “De forma geral os investimentos para a Saúde nunca são suficientes diante das demandas que existem, mas trabalhamos para garantir a boa qualidade do serviço. O objetivo agora é trabalhar muito mais com foco na prevenção, então a saúde básica deve receber algumas alocações de recursos diferenciadas nos próximos anos”, avalia Schmidt, ressaltando que o aumento das demandas e dos custos é uma situação observada em todo o Estado e também em nível nacional. “Tivemos que nos adaptar ao orçamento disponível e com certeza isso exige repensar algumas formas de trabalho para poder atingir nosso objetivo”, complementa o secretário. Participação no orçamento aumentou, mas divergência com gastos reais é grande Segundo os números da Lei Orçamentária Anual (LOA), além do volume de recursos, a participação da Saúde em relação ao orçamento total também avançou consideravelmente. Enquanto em 2009 a pasta recebia 16,4% dos recursos geridos pela Prefeitura, no ano que vem a participação prevista é de 21,2%, com base no orçamento aprovado semana passada pela Câmara de Vereadores. Os números mostram, inclusive, que o índice de participação da Saúde já foi maior. Na lei orçamentária deste ano, por exemplo, os recursos previstos para a pasta somaram 23,7% do total administrado pelo poder público. Atualmente a saúde conta com o maior orçamento dentre as áreas geridas dentro da Prefeitura. No ano passado, o orçamento inicial para a Saúde era de R$ 162,2 milhões, mas os gastos com a área alcançaram os R$ 178,1 milhões ao final do ano, quase R$ 16 milhões a mais do que o previsto. A mudança nos custos foi possível graças à entrada de receitas não previstos, conquistadas por meio de emendas ou financiamentos junto aos governos ou outras fontes de recursos públicos, explica o secretário de Administração, Argos José Burgardt. Segundo o secretário, além de buscar por fontes extras de receita, o poder público também pode fazer a realocação de recursos para garantir que as áreas de maior destaque social, como Saúde e Educação, consigam avançar em termos de investimentos.