O Partido Democrata conquistou o controle das duas casas do Congresso dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato realizadas nesta terça-feira (3). O resultado representa uma derrota política para o presidente Donald Trump, que perde a maioria republicana na Câmara dos Representantes e no Senado.
Com a apuração ainda em andamento na manhã desta quarta-feira (4), os democratas já haviam garantido 228 das 435 cadeiras da Câmara, superando as 218 necessárias para formar maioria. Os republicanos contabilizavam 139 assentos, enquanto outras 68 disputas ainda aguardavam definição.
No Senado, os democratas também asseguraram a maioria, conquistando pelo menos 54 das 100 cadeiras. O resultado foi impulsionado por vitórias em estados tradicionalmente republicanos, como Texas, Kansas e Carolina do Sul.
Uma das principais mudanças ocorreu no Texas, onde o democrata James Talarico, de 37 anos, derrotou o republicano Ken Paxton, apoiado por Trump. A vitória encerrou um período de 38 anos sem que o estado elegesse um democrata para o Senado americano.
Os democratas também conquistaram cadeiras anteriormente ocupadas pelos republicanos em estados como Iowa, Ohio e Carolina do Norte, ampliando sua presença no Legislativo.
Resultado dificulta planos de Trump
A mudança no comando do Congresso deve impor novos obstáculos ao governo republicano. Com maioria nas duas casas, os democratas poderão ampliar a fiscalização sobre a administração Trump, abrir investigações e dificultar a aprovação de projetos defendidos pela Casa Branca.
O resultado ocorre em um cenário de insatisfação de parte do eleitorado americano com o aumento do custo de vida, as tarifas comerciais e a guerra contra o Irã, temas que estiveram entre os principais assuntos da campanha eleitoral.
Apesar da derrota de seu partido, Trump afirmou que está disposto a aceitar os resultados e trabalhar com os democratas. O presidente, no entanto, continuará com a possibilidade de vetar projetos aprovados pelo Congresso.
As eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, acontecem a cada dois anos nos Estados Unidos. Nelas, são renovadas todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e aproximadamente um terço do Senado, além de serem escolhidos governadores e outras autoridades estaduais.
A nova composição do Congresso assumirá em janeiro de 2027 e terá influência direta sobre os dois últimos anos do segundo mandato de Donald Trump, que permanece na Presidência até janeiro de 2029.