A Câmara de Vereadores de Jaraguá do Sul comemorou nesta semana os 85 anos de emancipação política do município, que até 1934 fazia parte de Joinville. Para marcar a data, foram homenageados os 26 ex-presidentes ainda vivos que exerceram o cargo no Legislativo.

Diante disso, o Jornal O Correio do Povo traz hoje uma reportagem especial para relembrar a trajetória de alguns dos vereadores e com isso desvendar também parte da história política de Jaraguá do Sul.

Para embarcar nessa viagem ao tempo, precisamos voltar para o ano de 1936 quando acontecia a primeira legislatura na cidade.

Na época, assumiram o pleito os vereadores eleitos por voto popular: Ricardo Grunwald, Emmanuel Ehlers, Waldemar Grubba, Francisco Mess, Arthur Mueller, Emilio da Silva e Ignácio Salomom. O prefeito era Leopoldo Augusto Gerent.

Entretanto, os parlamentares ficaram por pouco tempo na Casa, pois em 1937 teve início o Golpe do Estado Novo.

Com o regime autoritário no Brasil criado por Getúlio Vargas, o Congresso Nacional, Assembleias Estaduais e Câmaras Municipais foram fechadas.

Os trabalhos no Legislativo foram retomados em 1947 quando Roberto Marquadt e outros 10 parlamentares ocuparam o cargo.

Vereadores eleitos da primeira legislatura

Ricardo Grunwald (1936 -1938)

Além da representatividade política, Grunwald era farmacêutico e jornalista.  Foi um dos primeiros cidadãos a articular a doutrina política que amparava as famílias remanescentes dos países do eixo, como Itália e Alemanha.

Em 1933 ele lançava as bases do movimento integralista que inseriu Jaraguá no cenário político nacional, reunindo as principais famílias ligadas à igreja católica, evangélica de confissão luterana no Brasil e igreja adventista do sétimo dia.

Em 1936, Gruenwaldt e seus aliados foram as urnas e venceram com uma eleição folgada os seus adversários, elegendo o prefeito e cinco vereadores.

No dia 6 de março de 1937 ele casou-se com Ignês Uber, porém, a vida matrimonial terminou em 13 de agosto daquele mesmo ano.

O delegado de polícia sargento Eucalio de Almeida o assassinou brutalmente em frente à esposa grávida, em seu estabelecimento comercial, uma farmácia situada na Rua Getulio Vargas.

Emanuel Ehlers (1936 - 1938)

Na eleição de 1936 conquistou a preferência dos mais de 50% dos eleitores, ou seja, 1.578 votos, num universo de 2.468 votos computados nas urnas, como candidato a vereança, feito jamais repetido na histórica política de Jaraguá do Sul.

Arthur Mueller (1936 -1938)

Em março de 1936 é eleito vereador. Em 1937 é nomeado oficial interino do Registro Civil, sendo efetivado em novembro. Foi presidente da Sociedade de Atiradores Jaraguá e gerente do Jornal Correio do Povo.

Waldemar Grubba (1936- 1938)

Casou-se com Edelmira Moritz em 12 de dezembro de 1953. Tiveram os filhos: Luiz Antonio e Cezar Augusto. Sucessor de Bernardo Grubba na firma Bernardo Grubba S/A Indústria e Comércio, também foi Intendente Distrital nomeado em 16 de setembro de 1932, sendo exonerado em março de 1933. Foi eleito vereador em 1936.

Franscisco Mees

O envolvimento político de Francisco Mees com os princípios da educação nacional facilitou sua aproximação com os agentes políticos do movimento integralista de Jaraguá.

Foi esse grupo que lhe convidou para ser candidato a vereador em detrimento de sua exemplar atuação na educação de Hansa, conquistou uma vaga na Câmara de Vereadores da primeira legislatura, em 1936.

Vereadores com mais votos

Na história da Câmara já passaram pela cadeira mais de 200 vereadores. O Tribunal Superior Eleitoral disponibiliza o resultado das eleições desde 1982 até agora.

Neste ano particularmente, o vereador que mais recebeu votos foi o parlamentar Ademar Winter, na época no MDB.

Ademar Winter em 1985 | Foto Divulgação/CMJS

Em sua primeira disputa, Winter conquistou 1.596 dos votos válidos.

Em 1982, Winter e Luiz Zonta obtiveram um empate técnico nas eleições municipais. Os parlamentares conquistaram 1.280 votos. Ademar Winter, atualmente no PSDB, está em sua oitava legislatura e já foi presidente na Casa em 1985 a 1987 e em 1988 a 1989.

Em 2012,  o vereador ficou durante sete meses na presidência da Câmara.

Os vereadores mais votados em Jaraguá do Sul

  • 1992: Geraldo Werninghaus (PFL) - 1.778 votos;
  • 1996: Moacir Bertoldi (PPB) - 2.156 votos;
  • 2000: Maristela Menel (PSD) - 1.787 votos;
  • 2004: Dieter Jansen (PP) - 3.272 votos;
  • 2008: Natália Predy (MDB) - 2.861 votos;
  • 2012: Jair Pedri ( PSD) - 4.187 votos;
  • 2016: Anderson Kasner - 3.550 votos.

Geraldo, Bertoldi e Dieter depois venceram a eleição municipal.

Vereadores que se tornaram prefeitos

Exercer uma cadeira no Legislativo é uma grande responsabilidade. Agora, imagina ter que administrar uma cidade inteira.

O primeiro parlamentar a exercer um cargo no Executivo foi Waldemar Grubba. Em seguida, vieram Arthur Mueller, Victor Bauer, Eugênio Strebe e Geraldo Werninghaus.

Na época, o empresário venceu as eleições com 22.356 votos. Uma diferença de 1,76% em relação ao seu concorrente Ivo Konell (PMDB), que alcançou 21.438 dos votos válidos.

Os dois últimos vereadores, ainda vivos,  a vencer a eleição para Prefeitura são: Moacir Bertoldi, que se elegeu com 26.899 votos, e Dieter Jansen, com 46.630, um total de 54,41% dos votos válidos.

De vereador a prefeito

  • Waldemar Grubba:  Vereador: | 1936-1938|  Prefeito: |  1947 -1950|
  • Arthur Muller: Vereador: |1936-1938| Prefeito: | 1951- 1956|
  • Victor Bauer: Vereador: | 1963-1967| Prefeito: 1966 - 1970|
  • Eugênio Strebe: Vereador|1970 - 1973| Prefeito: |1973- 1977|
  • Geraldo Werninghaus:  Vereador: |1992| Prefeito: |1996-1999|
  • Moacir Bertoldi: Vereador: |1997 - 2000| Prefeito: | 2005 -2008|
  • Dieter Jansen: Vereador: | 2005 -2008|   Prefeito| 2012 - 2016|

Jaraguá em luto

Durante o mandato como prefeito, um trágico acidente tirou a vida de Geraldo Werninghaus  em uma curva na BR-280, em Corupá. Mais de 5 mil pessoas deram o último adeus em seu sepultamento.

Mulheres no Legislativo

Mesmo que em passos lentos, a presença feminina na Câmara é um resultado de vitória no município.  Desde 1936, o primeiro registro de uma mulher presidir o cargo ocorreu somente em 1973 quando Ieda Maria de Souza foi eleita.

Ieda ocupou uma cadeira na Câmara entre os anos de 1973 - 1977 | Foto Aquivo Histórico de Jaraguá do Sul/Divulgação

Desde lá, outras seis vereadoras passaram pela Casa. Entre elas, duas presenças femininas conseguiram um cargo na presidência: Maristela Menel Roza foi eleita com o maior número de votos nas eleições municipais nos anos 2000.

Com 1.787 dos votos válidos, a parlamentar desbancou o ex-vereador Carioni Mees Pavanello (1.679 votos).

Maristela relembra que foi difícil chegar na presidência por ser a primeira mulher a ocupar a vaga e pela própria cultura de Jaraguá do Sul.

Segundo ela, não há necessidade de homens e mulheres serem iguais, mas é preciso praticar o respeito. "Quando uma mulher assume a presidência, ela tem que estar preparada e ter embasamento para defender as questões políticas". salienta.

Em 2010, foi a vez de Natália Lúcia Petry assumir a presidência do Legislativo com 1.892 votos. A parlamentar já havia concorrido em 2004 como vereadora, porém, não conseguiu vencer as eleições, ficando na suplência.

Em 2008,  voltou a concorrer e foi a mais votada, com 2.861 votos.

As vereadoras mulheres de Jaraguá do Sul 

  • Ieda Maria de Souza – 1973 a 1977
  • Marilse Yeda Dornbusch Marquadt – 1989 a 1992 – 1993 a 1996
  • Lorita Zanotti Karsten – 1997 a 2000 – 2001 a 2004
  • Maria Elisabet Mattedi – 1997 a 2000
  • Niura Sandra Demarchi dos Santos – 1997 a 2000
  • Maristela Menel Roza – 2001 a 2004 – 2005 a 2008
  • Natália Lucia Petry – 2009 a 2012 – 2013 a 2016

Representatividade negra

O protagonismo negro no poder Legislativo não foi algo presente nas eleições no município. Desde a primeira legislatura, os cargos foram ocupados em sua grande maioria por homens brancos e pardos.

Foi em 2008 que o primeiro representante negro conquistou uma cadeira no pleito nas eleições municipais com 1.733 votos. Entre os anos de 2009 -2012, Francisco assume a cadeira como vereador.

Francisco Alves foi o primeiro vereador negro eleito nas eleições municipais de 2008. | Foto Eduardo Montecino/OCP

Ainda em 2012, Alves assume a presidência da Câmara. "Por mais que o voto não é escolhido por raça é uma questão de conquista. Até mesmo porque a comunidade é composta por essa miscigenação", opina.

 

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