Um jatinho executivo de quase 7 mil quilômetros de autonomia, interior espaçoso e velocidade de cerca de 850 km/h acabou chamando atenção por uma coincidência: em 2025, a mesma aeronave foi utilizada em viagens de Flávio Bolsonaro e, meses depois, de Alexandre de Moraes.
Trata-se de um Legacy 650, fabricado pela Embraer em 2012 e registrado com o prefixo PP-NLR. O modelo pode levar até 13 passageiros, além de três tripulantes, e é projetado para viagens de longa distância.
Por dentro da aeronave
O avião pertence à categoria de jatos executivos de grande porte e foi desenvolvido para transportar passageiros em viagens internacionais com conforto. O modelo alcança aproximadamente 850 km/h e tem autonomia de cerca de 6,8 mil quilômetros.
A cabine conta com poltronas amplas, espaço para reuniões e áreas destinadas ao descanso, além de estrutura pensada para deslocamentos de várias horas.
- Foto: Reprodução/Prime You
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De Flávio Bolsonaro a Moraes
A história que colocou o avião em evidência começa em janeiro de 2025. No dia 19, Flávio Bolsonaro embarcou em Fort Lauderdale, na Flórida, com destino a Brasília. A viagem foi feita ao lado da mulher, das filhas e do advogado Willer Tomaz.
O jato deixou os Estados Unidos às 12h15 e pousou na capital federal às 20h01.
Na época, Flávio confirmou a viagem e afirmou que acreditava que a aeronave pertencia a Willer Tomaz. O advogado, posteriormente, declarou que não conhecia Daniel Vorcaro e que nunca havia mantido negócios com o banqueiro.

Foto: Senado Federal
O PP-NLR estava ligado à estrutura de empresas relacionadas a Vorcaro. A aeronave era formalmente vinculada à Fraction 024, enquanto a Prime Aviation era responsável pela operação do avião. A Prime You também aparecia na estrutura de participação da aeronave.
Essa ligação passou a ser analisada pela Polícia Federal em meio a investigações envolvendo negócios relacionados ao grupo de Vorcaro.
Documentos da investigação mencionaram o avião em negociações que envolveram empresas ligadas ao banqueiro e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes.
Em agosto de 2025, o mesmo Legacy 650 voltou a aparecer em registros de voos. Desta vez, os passageiros eram Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes.

Foto: Supremo Tribunal Federal
A identificação da aeronave nos registros fez com que o avião voltasse aos holofotes, agora por ter sido utilizado por duas figuras públicas que apareceram em momentos diferentes na trajetória do PP-NLR.
A utilização do avião, por si só, não indica irregularidade por parte dos passageiros. As circunstâncias relacionadas à aeronave e aos negócios mencionados pela PF fazem parte de contextos investigativos distintos.
O que dizem os envolvidos
Willer Tomaz afirmou que não conhece Daniel Vorcaro, nunca se encontrou com ele e não mantém negócios com o banqueiro. O advogado também contestou judicialmente questões relacionadas à participação empresarial vinculada ao avião.
Flávio Bolsonaro confirmou a viagem realizada em janeiro de 2025 e disse que acreditava que a aeronave estava ligada a Willer Tomaz.
O Legacy 650, que poderia passar despercebido entre tantos jatos executivos, acabou ganhando destaque justamente pelos diferentes passageiros e pelas relações empresariais que aparecem em torno de sua operação.



