Em Jaraguá do Sul, na semana passada, o governador em exercício Eduardo Pinho Moreira (PMDB) disse, primeiro reservadamente e depois publicamente, que o ex-secretário de Estado da Saúde, Vicente Caropreso (PSDB), foi injustiçado no governo de Raimundo Colombo (PSD).
A fala leva em consideração uma das queixas frequentes de Caropreso enquanto ainda estava na secretaria, ou seja, a falta de autonomia financeira da pasta, que tinha as contas administradas pela Fazenda - e também não deixa de ser um galanteio entre lideranças de dois partidos que podem estar
juntos na eleição de outubro.
À coluna, o jaraguaense afirmou que, apesar de tudo, não se arrependeu de ter deixado a Assembleia Legislativa por quase um ano para assumir o desafio, lembrou nunca ter trabalhado tanto e comemorou ter conseguido algumas mudanças importantes como a gestão do Samu.
Passados três meses desde que anunciou a saída da Saúde, Caropreso também confessa que nunca mais conversou com Colombo e avalia que o principal erro na administração do governador licenciado foi justamente não ter dado atenção que o setor demanda.
Os planos do tucano para este ano envolvem a reeleição como deputado estadual e, consequentemente, muito trabalho. A estratégia já vem sendo desenhada pela equipe de Comunicação e os fins de semana estão reservados para o contato direto com o eleitor.
E, apesar de defender a candidatura de Paulo Bauer ao governo do Estado, Caropreso diz que o senador precisa antes provar cabalmente que as acusações que pesam contra ele são infundadas.

Um ano na Secretária da Saúde

Vicente Caropreso relata que enquanto esteve na Secretária da Saúde foi o ano que mais trabalhou, tendo que lidar com decisões importantes das sete da manhã até a meia noite. "Quando eu aceitei o convite prometeram que não iam me deixar na mão, mas no primeiro mês já foram R$ 30 milhões a menos, teve mês com R$ milhões a menos. E tá aí o relatório do Tribunal de Contas do Estado que apontou que no final foram R$ 240 milhões a menos do que deveria ter sido colocado de recurso na área", comenta.
Todos os meses o jaraguanense avisava o governador que estavam com problemas. Segundo ele, a maior complexidade da Secretária foi a de ser fiscal e executor de tarefas. "Onde os secretários mais sangram é justamente onde as pessoas mais ganham bem, que é nos hospitais públicos. Dos cerca de 10 mil servidores na ativa, mais de sete mil estão nos 13 hospitais públicos”.

Relação com Colombo

“Nunca mais falamos desde o dia 21 de dezembro. O dia que eu disse que não dava mais. Fiquei trabalhando até o dia 31 às 21h30 da noite resolvendo questões do novo Samu e de um hospital que parou em Araranguá. Eu gostei muito de ser secretário de uma área que eu entendo, atuo e ter tomado medidas antipáticas contra corporações para melhorar o sistema”.

Trabalho pela reeleição

“Na Secretaria de Saúde e nos dois primeiros anos como deputado, eu trabalhei muito. Isso expandiu a minha liderança no Estado. Tenho apoio hoje por todas as regiões e com força aqui na minha base. Tenho trabalhado intensamente na política, com equipe azeitada fazendo as análises que precisam ser feitas, temos pesquisas, dados. Fiz na última vez 41 mil votos. Esse ano teremos a questão que várias pessoas não se recadastraram e isso deve baixar o teto de votos, que na última eleição foi 120 mil”.