O secretário de Estado da Saúde, Vicente Caropreso (PSDB), se reuniu com o governador Raimundo Colombo (PSD) e com o vice Eduardo Pinho Moreira (PMDB) na noite de quarta-feira (20) e anunciou oficialmente sua saída da Secretaria de Saúde do Estado no dia 31 deste mês. Caropreso já vinha dizendo que ficaria até o fim deste ano e depois retornaria à Assembleia Legislativa em 2018. O jaraguaense completaria um ano na pasta e sai insatisfeito com a falta de recursos para investimentos e manutenção do setor e com as promessas não cumpridas. Hoje, o orçamento da Saúde passa pela Secretaria da Fazenda. Leia mais: Vicente Caropreso confirma que deixa a Secretaria de Estado de Saúde no dia 31 Uma das primeiras medidas de Caropreso, cujo nome foi anunciado no dia 29 de dezembro do ano passado, foi fazer uma auditoria nas contas da Saúde. As dívidas de R$ 700 milhões foram reveladas à imprensa logo depois, o que gerou desconforto no governo. Apesar das dificuldades, Caropreso, que recentemente esteve internado com suspeita de trombose, diz que sai feliz e que conseguiu avanços importantes no setor. Confira a entrevista. Secretário, o senhor entrega o cargo neste fim de ano? Desde minha posse no comando da Secretaria de Estado da Saúde (SES) venho dizendo que assumiria por um ano esse desafio de colaborar na busca de soluções para os problemas da saúde pública estadual. Esse ciclo está encerrando, ficarei até o dia 31 de dezembro. Minha saída agora representa apenas o cumprimento de minha palavra. O senhor poderia ficar até abril, por que decidiu antecipar? A falta de recursos tem sido o maior problema? Não antecipei. Como já disse, estou cumprindo o acordado. E sim, a falta de recursos é, sem dúvida, o maior problema que a SES enfrenta. Equacionamos vários problemas de gestão, encontramos soluções que racionalizaram e humanizaram áreas deficitárias e geramos economia, mas todo esse esforço esbarra na dependência financeira da Secretaria da Fazenda, que não repassa os valores previstos, estrangulando as ações da Saúde. Quando o governador lhe convidou para assumir a pasta havia indícios de que Jaraguá e região teriam demandas reprimidas atendidas. Houve algum avanço? Conseguimos, sem dúvida, algumas conquistas neste ano: R$ 1 milhão para o Posto de Saúde do bairro João Pessoa; R$ 3,6 milhões para o Hospital São José; R$ 2,4 milhões para o Hospital Jaraguá; R$ 412 mil para o município para compra de equipamentos; e R$ 300 mil para cada um dos hospitais também para compra de equipamentos. Além disso, conseguimos um empréstimo na Caixa Econômica Federal no valor de R$ 11 milhões para o Hospital Jaraguá. Ao assumir o senhor fez uma auditoria nas contas e revelou à imprensa que o rombo do setor era bem maior do que se falava. Isso não gerou crise no governo? A auditoria da dívida foi um passo necessário para termos uma visão clara e aprofundada da situação da SES. A partir daí, ficamos sabendo a situação de cada uma das unidades de saúde, suas dívidas, seus custos e sua produtividade. Crises sempre geram superação e inovação nos processos de gestão. E foi o que fizemos. Implantamos sistemas integrados e passamos a ter maior controle dos processos e, consequentemente, a redução de despesas. Como médico, qual o raio-x que o senhor faz da saúde pública em Santa Catarina? A realidade é bem diferente de Jaraguá do Sul? Santa Catarina destaca-se no país quando comparado aos demais estados da federação. Temos a maior expectativa de vida e menor taxa de mortalidade infantil, os dois principais indicadores para se avaliar a saúde em uma sociedade. O modelo de saúde hospitalar de Jaraguá do Sul é o ideal, com participação da sociedade, e com os custos compatíveis. A saúde de Santa Catarina, neste ponto, tem ainda muito a evoluir. A morte de uma criança este ano em função da demora do atendimento do SAMU, que alegou estar sem combustível para fazer a transferência de hospital, originou mudanças no atendimento? Quais?  A morte de uma criança é sempre um trauma que jamais poderá ser superado sem dor ou revolta. Aquele foi um episódio lamentável, que me deixou arrasado. Imediatamente, na ocasião, ordenei uma sindicância e uma análise profunda do funcionamento do Samu - até aquele momento gerido com independência pela SPDM, a organização social responsável pelos atendimentos. Esta análise me mostrou que teríamos de mudar a gestão do SAMU. A solução foi unir forças com a Secretaria de Segurança, via Bombeiros, e implantamos uma gestão compartilhada, na qual a empresa gestora deixa de ter a palavra final, como tinha até então. A implantação do novo sistema deverá estar concluída no ano que vem. Além disso, determinei que o atendimento de emergência em Santa Catarina fosse uma política de Estado. Quais as principais conquistas da sua gestão? Reconhecimento real do problema e início das soluções com a implantação de uma gestão moderna. Estabelecemos procedimentos que reduziram as despesas dos hospitais públicos, em R$ 68 milhões apenas no primeiro semestre - ainda não temos o número final de 2017. Simplificamos processos de abertura de estabelecimentos de baixo risco sanitário. Criamos o novo sistema de gestão do SAMU em parceria com os Bombeiros. Introduzimos o Weknow - software de gerenciamento hospitalar que monitora em tempo real todas as informações e custos do paciente desde a chegada até sua saída da Unidade de Saúde. Fomos o primeiro estado do país a implantar o Portal da Lista de Espera SUS dando transparência aos agendamentos. Para ajudar os processos de Judicialização, que consumiram mais de R$ 220 milhões em 2017, pedi ao governo de São Paulo e consegui, gratuitamente, o Programa S-Codes que informatiza o gerenciamento das demandas judiciais. Ampliamos o Núcleo de Apoio Técnico, para subsidiar juízes com informações sobre medicamentos, tratamentos adequados e indicar dados do paciente necessários para instruir os processos na Justiça. Com prestígio, conseguimos recursos de Brasília para SC para o pagamento dos hospitais filantrópicos; aumentamos o número de leitos de internação e UTI, instalamos equipamentos; inauguramos, ampliamos e reformamos postos de saúde, centros oncológicos e hospitais com investimentos de mais de R$ 150 milhões; e realizamos mutirão com quase 3.5 mil cirurgias de catarata, entre outras ações. No retorno à Assembleia Legislativa, qual será a prioridade? Estarei como sempre dedicado a ser um facilitador das demandas dos Prefeitos e dos municípios catarinenses. A experiência na SES me trouxe um vasto aprendizado, um conhecimento que usarei, agora com a visão ainda mais ampliada, para trabalhar na busca de melhorias para a Saúde.