Não esperar ou apenas estar preparado para o futuro, mas, sim, criá-lo. Essa é a mensagem deixada pelo professor espanhol e presidente da Associação Internacional de Parques Científicos e Áreas de Inovação (IASP), Josep Piqué, durante palestra nesta quinta-feira (10), no Centro Empresarial de Jaraguá do Sul. Piqué é conhecido pelo case de sucesso que tornou um abandonado distrito industrial de Barcelona um dos mais relevantes distritos de inovação do mundo. O espanhol cumpriu agenda ontem no município, a convite do secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável, Carlos Chiodini (PMDB). O roteiro incluiu uma vista às obras do Centro de Inovação, projeto do governo de Santa Catarina, que contou com Piqué para o desenvolvimento do modelo no estado, levado ainda a doze cidades, como Blumenau e Chapecó. Na sequência, Piqué deu palestra onde falou a empresários e comunidade acadêmica sobre inovação. O evento foi realizado em parceria entre a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável (SDS), o Comitê de Implanta- ção do Centro de Inovação e a Associação Empresarial de Jaraguá do Sul (Acijs). “Quando falamos de inovação falamos da possibilidade de transformar a economia, a sociedade e os territórios para maior prosperidade”, afirma o professor. Para Piqué, os centros de inovação que estão sendo construídos em Santa Catarina são “grandes faróis” para essa transformação das cidades e territórios onde serão implantados. “São centros que têm grande importância para modernizar as empresas preexistentes e para permitir que haja novos empreendedores e inovadores no território”, considera o professor. É para que atinjam esse objetivo, explica Piqué, que os centros de inovação foram pensados não somente como edifícios físicos, mas também de forma que sejam “bandeiras, faróis” da inovação. CENTRO ADEQUADO À REALIDADE DE JARAGUÁ DO SUL O professor considera acertada a ideia do governo de adequar o centro de inovação à realidade de Jaraguá do Sul, já que esses espaços têm a força de entender o que significa avançar ao futuro, sendo eles mesmos elementos de construção desse futuro. “Os centros de inovação, o primeiro que fazem, é interpretar e entender muito bem o que há no entorno. A boa notícia é que Jaraguá já tem grandes empresas, muito fortes”, avalia Piqué. Contudo, o professor acredita que, por serem fortes, essas empresas precisam da inovação, que virá através de novas tecnologias e de novos empreendedores. “Portanto, os centros estão proporcionando mecanismos de inovação abertos a empresas preexistentes. As empresas preexistentes vão ser melhores com os centros de inovação e, sobretudo, vão ter essa possibilidade de inovar em novos produtos, novos processos ou novos modelos de negócio”, afirma. Piqué pontua a importância do desenvolvimento de um distrito de inovação no qual o centro de inovação está inserido, que já está em andamento no município, com a construção também do Centro Up e o Parque Ambiental Municipal Distrito de Inovação. A implantação de um distrito acaba aproximando, por exemplo, as empresas inovadoras ao ambiente acadêmico. “Para fazer inovação precisa talento, tecnologia e financiamento. Portanto, se eu quero captar oportunidades, preciso de inter-relação entre universidades e alunos com empresas, entre financiadores com empreendedores, entre tecnologias e empresas. Portanto, a proximidade territorial ajuda a ter mais inter-relações”, observa o professor. Nesse ambiente de relações tramitam as ideias e novidades do setor tecnológico e digital, que através da comunicação chegam a todo o território. Por exemplo, cita Piqué, se o ambiente de relações fala sobre impressão 3D, vai alertar a todo o território que isso é importante e, portanto, é preciso apostar nisso. “Uma pessoa não pode estar ciente de tudo, mas o centro de inovação tem que estar ciente de tudo, e aí vai criar uma agenda compartilhada”, salienta. SECRETÁRIO DESTACA A IMPORTÂNCIA DO ENCONTRO “O professor Piqué é protagonista de um caso real de sucesso, de uma forma que a inovação econômica mudou a vida de uma cidade e mudou seu futuro para um paradigma melhor”, afirma o secretário de Estado, Carlos Chiodini (PMDB). O professor é um dos gestores do projeto 22@, de Barcelona, na Espanha, que envolveu poder público, empresas, universidades e sociedade civil na transformação de um obsoleto e problemático distrito, o 22 A. Viabilizando infraestrutura urbanística, como abertura de avenidas, praças, ciclovias, áreas de convivência, e também melhorias como nos serviços de internet, a Prefeitura de Barcelona conseguiu atrair investimentos para a região voltados à inovação. O modelo espanhol - do projeto 22@ - já foi exportado por Piqué a cidades como Medelín (Colômbia), Porto Alegre e Recife. “Ele (Piqué) tem sido um parceiro na conceitualização dos centros de inovação em Santa Catarina, e percorreu outras obras também em cidades como Joinville e Florianópolis. Com sua vinda ao estado, não pudemos deixar de trazê-lo a Jaraguá do Sul para que ele explique aqui para os entes envolvidos, que é o poder público, o setor acadêmico e também o setor produtivo, a importância do centro de inovação e a importância de desenvolver o conceito”, declara o secretário. Com a inauguração do Centro de Inovação, Centro Up e do parque previstos para março de 2018, segundo Chiodini, o secretário salienta que de nada adianta o prédio físico pronto e mobiliado se a cidade não tiver um espírito inovador. “O Centro de Inovação não é nada mais que isso, um espaço onde podemos ter ideias melhores, trocar conhecimentos, compartilhar experiências, e a presença do professor Piqué significa uma consultoria, uma pessoa que já fez isso de forma muito exitosa e que está disposto e tem parceria com Santa Catarina para que nos guie no caminho certo”, destaca Chiodini.