Boa parte da bancada estadual do Partido dos Trabalhadores está na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), acompanhando a vigília em apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O prazo para ele se apresentar espontaneamente na sede da Polícia Federal encerrou às 17h desta sexta-feira (06). Mesmo assim, Lula não é considerado foragido da Justiça. A defesa e os policiais estariam negociando a forma de conduzir a prisão. O mandado de prisão foi expedido pelo juiz federal Sérgio Moro no final da tarde de quinta-feira (05). O juiz vetou o uso de algemas e solicitou uma cela especial na sede da Polícia Federal em respeito ao cargo exercido por Lula. Os integrantes do partido que ficaram em Florianópolis organizaram um ato em defesa à Lula. O movimento começou às 17h na frente do PT Estadual, na praça Olívio Amorim. Cerca de 500 militantes, incluindo integrantes do PT, PSOL e PCdoB, e sindicalistas integram o ato que tende a crescer com o passar das horas. O líder do partido na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Cataria (Alesc), deputado Dirceu Dresch, acompanha a vígila em São Bernardo. Em nome do PT, Dresch defende que o decreto da prisão tem cunho político. "Não temos nenhuma dúvida que é uma prisão política. Estamos num movimento muito grande aqui (no sindicato). O presidente Lula tem muita clareza do papel que exerceu. Com certeza, não é simples, mas ele está passando a confiança que sempre teve, ele vai provar a sua inocência", disse Dresch. Outra liderança do partido que acompanha a mobilização ao lado de Lula é o presidente estadual do partido, Décio Nery de Lima. Ele tem divulgado mensagens em defesa ao ex-presidente por meio do Facebook. "Estamos aqui num momento de resistência a este ato de exceção do processo contra o presidente. As manifestações estão ocorrendo em todo o País. Estamos debatendo com os juristas as perspectivas de alguns resultados. Não vamos nos entregar a esse processo utilizado como farsa da perseguição política", defendeu. O vereador da Capital, Lino Peres (PT), também se juntou à caravana em São Bernardo. "Vamos estar na corrente de luta e apoio ao nosso guerreiro, porque foi assim que ele e tantos companheiros, que já se foram ou estão até hoje nesta saga, se moveram pela construção de um sonho de mulheres e homens livres em uma sociedade sem exploração e opressão, ou seja, a socialista", manifestou o vereador. O líder do MDB na Alesc, deputado Mauro de Nadal, avaliou o decreto da prisão como constrangedor e não acredita em manifestações violentas como consequência. "Se houve uma condenação, tem que cumprir a pena, não vejo porque tem que ser diferente para ele. Só que, temos que admitir, para o Brasil é constrangedor. Acredito que haverá manifestações de descontentamento de quem o apoia, mas não acredito que seja ao ponto de dar uma convulsão interna no País", opinou Nadal. O senador Paulo Bauer (PSDB) manifestou-se por meio da sua conta no Twitter. Em vídeo, disse que "Lula agora é assunto do passado". "A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) era esperada, foi tomada a luz da lei e da Constituição. Lula agora não é mais assunto da Justiça, da política e tão pouco do governo. Temos que trabalhar para que o Brasil vença as dificuldades, seja sério, transparente e atenda as necessidades da população", disse. O deputado estadual Cleiton Salvaro (PSB), por sua vez, reconhece o legado do ex-presidente e entende que a prisão é negativa para a imagem do Brasil. "Não tenho dúvida de que é um marco negativo para a nossa democracia. Temos uma Constituição a ser seguida, mas ele é um presidente, contribuiu muito para o nosso País. Também é um cidadão como qualquer brasileiro, tivemos um colegiado de pessoas preparadas para (julgar)", manifestou o deputado.