Mesmo tendo retornado à presidência da Câmara de Vereadores pelos votos da bancada da oposição, José Osório de Ávila (SDD) afirma que conduzirá o trabalho no Legislativo em 2016 apoiando o prefeito Dieter Janssen (PP). A Casa retoma as atividades no próximo dia 25 e as sessões serão reiniciadas no dia 4 de fevereiro. A primeira ação do presidente será avaliar a chamada de seis cargos do concurso público, realizado no final do ano passado. Aumentar a proporção entre cargos comissionados e concursados dentro da Câmara foi uma determinação do Tribunal de Contas que teve atenção da ex-presidente, Natália Petry (PMDB). Mesmo assim, Ávila contesta as motivações. “Eles perderam os cargos e se precipitaram”, reprovou. Durante o ano, o vereador adianta que irá retomar o direcionamento para a compra de um terreno para a construção de uma nova sede para a Câmara. A media foi descartada na gestão de Natália, que entendia que em um momento de crise era inapropriado fazer uma aquisição. Ávila ainda indica que o posicionamento da ex-presidente, que afirmou ter adiado o projeto diante da crise financeira, foi um dos pontos que definiu a quebra no acordo com a base aliada para eleição da Mesa Diretora. OCP Online - Foi feita a chamada dos cargos do concurso público em dezembro e o senhor anunciou que irá analisar o procedimento. O que pode estar fora da legalidade se o próprio Tribunal de Contas cobrava a adequação? José de Ávila - É obvio que essa foi uma decisão precipitada de uma pessoa que perdeu os cargos que foram combinados quando estava no poder. A gente vai fazer uma avaliação sim, mas manter o que a lei determina. Não vamos afrontar poderes. Não posso informar de que forma foi feita a chamada porque os funcionários estão de férias e não preciso me precipitar. Mas se o lado oposto tivesse ganhado, não teriam tomado essa decisão, para garantir os cargos, como eles perderam, eles se precipitaram. Quem tem que chamar é a nova Mesa Diretora, o novo presidente. Isso aí é resultado da derrota. OCP - O descumprimento de um acordo para eleição da Mesa Diretora gerou debate entre os vereadores na última sessão, o que causou mais uma vez a sua mudança de lado? Ávila - Com coisas combinadas não pode ter esperança, coisas combinadas no passado e não cumpridas já aconteceram. A presidente [Natália Petry] formou acordo com sete vereadores, mas não cumpriu aquilo que falou comigo. Combinou de agraciar, assim como agraciou outros com cinco cargos, um deles seria meu. Ela também não fez a compra de dois terrenos para a construção da futura sede da Câmara de Vereadores. Estou com 16 anos de Casa e a gente aprende muito. Aprende o que é democracia, às vezes você perde, outras ganha. OCP - A construção de uma nova sede deve ser um dos encaminhamentos para esse ano mesmo com as dificuldades financeiras? Ávila - Eu não tenho como construir a sede em um ano. Falta comprar os dois terrenos para agregar a metragem. Precisa de novo projeto, licitação, isso é coisa demorada e não está no meu pensamento. Mas está no meu pensamento deixar o terreno comprado para os novos presidentes e vereadores levarem o projeto. Não tem como cinco pessoas trabalharem em uma salinha sem janela, em um prédio que nem Habite-se tem. Já deveria ter sido interditado. São pensamentos para o futuro. Esse encaminhamento de comprar o terreno eu já tomei, vou sentar com o prefeito [Dieter Janssen] para viabilizar a compra e se não tiver acordo vamos buscar outras formas de fazer a compra. Mas primeiro vou sentar com o prefeito. OCP - Um dos motivos alegados para adiar a compra do terreno foi a questão financeira, como o senhor vai encarar as finanças se o ano for novamente de dificuldade? Ávila - Essa questão de devolução de dinheiro sempre houve e sempre vai ter, não muda. Porque se eu tenho dinheiro na Casa e precisa de uma melhoria na comunidade, eu vou devolver. Da mesma forma que não gastei no ano passado, vou continuar com a economia. OCP - Como fica a sua posição na Câmara de Vereadores tendo sido eleito pela bancada da oposição? Ávila - Não digo oposição, porque o João [Fiamoncini] era situação, o Arlindo [Rincos] e eu, Zé da Farmácia, éramos da situação. Pegamos três que são oposição. Oposição em um sentido porque o prefeito nunca teve dificuldade de votar projetos. Será mantida a ideia do grupo pensar no jaraguaense. Todos os vereadores têm essa linha de pensamento pela comunidade. OCP - Como o senhor antecipa que será esse ano politicamente dentro do Legislativo? Ávila - Estou mais preparado do que em outras vezes para assumir. Teremos um ano muito produtivo, principalmente na política, tudo indica que as coisas vão melhorar. Nossas expectativas estão grandes, temos um projeto que não está concluído então não posso antecipar, mas acredito que o cenário da política vai ter uma mudança, não sei de que jeito. Mas estamos vendo que não vai ser como na última eleição. Teremos novos nomes, novos candidatos a prefeito e vice que ninguém espera surgirem. Não será uma coligação fulminante como no passado.