A primeira parada da caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Santa Catarina foi concluída sem tumulto ou agressões como ocorreram em algumas cidades no Rio Grande do Sul, nos últimos dias. O Largo da Catedral, no Centro de Florianópolis, foi tomado, na manhã deste sábado (24), por integrantes do PT e simpatizantes que seguravam bandeiras e cartazes em favor da candidatura do ex-presidente às eleições 2018. Apesar das altas temperaturas, os integrantes do movimento permaneceram no ato até as 15h, quando o ex-presidente terminou a sua fala. Manifestantes anti-Lula percorreram a Beira-Mar Norte até o Largo, onde foram proibidos pela Polícia Militar de se juntarem aos simpatizantes do ato. Outro grupo contrário ao petista passou pela Assembleia Legislativa, onde Lula se reuniu com reitores de Instituições Federais de Ensino Superior no final da manhã. “A intenção é manter o equilíbrio da ordem”, disse o coronel Renato Cruz Júnior, que comandou a operação de segurança que contou com mais de 200 policiais. Lula chegou no ato por volta de 13h e foi recebido por gritos que entoavam “Lula, guerreiro, do povo brasileiro”. A fala de Lula foi precedida por manifestações de integrantes do partido como o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, e pelo desembargador Lédio Rosa de Andrade, que assinou no palco do evento a filiação ao partido (ele deve ser o nome do partido para concorrer ao governo do Estado). Mesmo com manifestação contrária da bancada do PSDB, Lula recebeu o título de cidadão honorário de Santa Catarina diante do público que o acompanhava no Largo da Catedral. O título foi concedido em 2008 pelos investimentos que o governo federal fez no Estado na época. A honraria foi entregue no ato deste sábado, o que incomodou os parlamentares da oposição, que defendem a revogação do título por causa da condenação de Lula em segunda instância pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Em seu discurso, Lula criticou a ação da Justiça e pediu que o mérito do habeas corpus apresentado por sua defesa seja julgado no Supremo Tribunal Federal (STF) - cuja audiência começou na última quinta-feira (22) e terá continuidade em 4 de abril. “Eu não quero estar acima da lei, só quero que julguem o mérito. Se encontrarem culpa, que me condenem, e eu pedirei desculpa a vocês. Agora, se não tiverem provas, eles que peçam desculpas a mim”, disse o ex-presidente. Lula relembrou as políticas sociais defendidas eu seu governo e, em tom de campanha, falou em propostas: “Eu estava quieto no meu canto. Mas, agora, eu quero ser candidato para fazer o que não foi feito. Mais educação, distribuição de renda e geração de emprego, porque é isso que nós queremos. Eu quero voltar e não adianta tentar evitar que eu volte com sacanagem”, desafiou. A caravana deve passar por Chapecó ainda neste sábado e por Nova Erechum e São Miguel do Oeste no domingo (25).